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sábado, 21 de junho de 2008

Acontecimentos no ano de 1744

* A nomeação do marquês de Castelo Novo, para vice-rei da Índia

O preenchimento do cargo de vice-rei continuava a ser ocupado, pela principal nobreza, porque nisso via vantagens honoríficas e pecuniárias, mau grado o destacamento para paragens tão longínquas.

Porém desde a segunda nomeação do conde da Ericeira, que a preocupação do Rei e do Cardeal da Mota seu principal conselheiro, consistia em reduzir as despesas, que como se adivinha sempre torna menos interessante, este tipo de missões. Nomeadamente porque a redução do número de Companhias e a consequente redução de oficiais porque no dizer de Mota " a guerra regular na Índia, não necessita de tantos". Por consequência menos mercês que caberia também ao vice-rei satisfazer e provavelmente prometidas, deixariam de poder ser satisfeitas.
Talvez por isso quando D. Pedro de Almeida, foi notificado por carta da respectiva Secretaria de Estado, para o cargo de vice-rei da Índia, não colheu grande satisfação da parte desse dignatário da corte, nessa altura conde de Assumar, declarando-se "inconsolável, pelo desarranjo em que deixa a sua casa".
Tudo tentou em sua defesa, para se isentar dessa tarefa, relatando inclusivamente encargos com filhos e extensas e pesadas dívidas que deixava em sua casa.
O rei mostrou-se inflexível com a nomeação mas generoso com as mercês, aumentando a frota para três naus e concedendo tudo o que o conde achasse conveniente.
Naturalmente que a aceitação do cargo não pode deixar de acontecer. Verbas reforçadas para ajudar a resolver as problemas financeiros apresentados.

Recrutamentos à força não foram suficientes para as prometidas 3 naus, ficando-se por apenas 2 naus. Finalmente com a atribuição do título de marquês de Castelo Novo, se despediu do rei, tendo lhe este dito que " só dele fiava a restauração daquele Estado".

*-Auto de fé em Lisboa(21 de Junho)-Sentenciados 22 homens e 11 mulheres, acusados de maçónicos. Primeira sentença contra maçons radicados no país.

Como já disse o auto de fé, era um dos espectáculos favoritos do rei, nem nos anos da sua doença deixou de o fazer, porém dads as dificuldades de locomoção, D.João V ia de véspera para casa do inquisidor-geral o cardeal da Cunha ali pernoitando. tudo se fazendo para que o povo não se apercebesse da sua debilidade física.
Não houve por este motivo noticia se teria assistido a este.




segunda-feira, 26 de maio de 2008

Retrato de D.João V por Pedro Rodrigues


Este desenho hoje recebido, que me foi enviado pelo amigo Pedro Rodrigues, reflecte na perfeição o meu entendimento do que pretendo  este blogue  assuma.

Não um espaço doutoral de "educação de massas", título para o qual não me acho competente, mas um espaço ao dispor de toda a gente que queira colaborar.

As únicas condições  requeridas, são naturalmente e em primeiro lugar, se garanta o requisito mínimo de credibilidade, por forma a que se não torne este espaço inútil.

Em segundo lugar que os factos aqui referidos estejam datados, entre as datas da vigência do reinado neste caso de D. João V, entre os anos de 1707 e 1750, ano da sua morte.

As matérias aqui referidas, não necessitam de versar exclusivamente a História de Portugal, qualquer matéria acontecida no espaço cultural europeu ou não, tem sempre interesse  ser referido. Por esta razão este blogue não fechará portas, nem se considerará esgotado com a morte de D. João.

O meu email encontra-se anunciado no meu perfil  e desde já agradeço, todas as questões que me queiram colocar, ou colaboração que entendam por bem enviar.

Naturalmente que o que aqui digo no que ao âmbito do conteúdo da matéria a utilizar neste  blog, é extensível a todos os outros "blogues reais" que tenho em aberto

Voltando á pintura  remetida pelo amigo Pedro Rodrigues que me disse  tratar-se "duma pinturinha que fiz em tempos d el-rei D. João V , inspirado nos retratos de Louis XIV feitos por Rigaud em 1710 ou 1715", lhe digo que acho muito interessante e aproveitando  a sua autorização para a publicar, assim farei como terá ocasião de observar.

Os meus agradecimentos

quinta-feira, 15 de maio de 2008

A construção da Capela de São João Baptista


A construção da capela de S. João Baptista, na Igreja de São Roque dos jesuítas, em Lisboa, esta intimamente relacionada com a doença do rei.

Encomendada no ano anterior pelo rei ao representante português em Roma, Manuel Pereira de Sampaio, "para que se faça logo em desenho pelo melhor arquitecto".

Dava-se alguma liberdade ao arquitecto, mas impunham-se condições quanto à magnificência da obra e ao mesmo tempo de indicava que os painéis seriam entregues ao pintor Agostino Masucci, ao mesmo tempo que se pedia a máxima brevidade, sem se explicarem as razões para tal pressa mas por certo relacionada com a doença do Rei.

Começou a ser construída em 1743, desde a primeira hora sob a direcção do padre Carbone, a quem incumbiu a tarefa de cordenador deste projecto grandioso. Os arquitecto foram Nicola Salvi e Luigi Vanvitelli e a obra teve a particularidade de ser construída em Itália e posteriormente enviada para Lisboa. Em 1 de Setembro de 1747 chegaram a Lisboa os 3 navios que traziam diferentes objectos e materiais para a capela bem como operários especializados e que mais tarde viria a trabalhar em Mafra.

As obras começaram em Novembro de 1747 e a pressa que se lhe deu, fizeram que em Dezembro estavam já prontos os alicerces, mas tendo só sido concluída em 1750, muito embora os dois quadros do mosaico Baptismo de Cristo e Vinda do Espírito Santo, só tenham sido colocado em 1752

Caracteriza-se por um neo-classicismo rocaille. Na sua composição entram materiais preciosos como os bronzes dourados e variadas espécies de mármores.

Os anjos e os medalhões que embelezam o tecto são em mármore de Carrara.Os quadros laterais e o piso da capela são em mosaico.

A Capela veio enriquecida por belíssimas peças de culto; paramentos, alfaias litúrgicas, pinturas, peças de ourivesaria, rendas e livros, que compõem o núcleo museológico agregado à própria Igreja, e que são um valiosíssimo repositório de arte e sonho.

*

segunda-feira, 5 de maio de 2008

A doença do rei e a ida às Caldas

De um modo geral pode dizer-se que D.João V foi uma pessoa saudável. Umas bexigas em criança, papeira já depois de casado e mais um ou outro problema menor era tudo o que a Gazeta de Lisboa, noticiara , acerca dos problemas da saúde do Rei.

A partir de 1740 porém, a correspondência real com o cardeal da Mota, começa este a queixar-se da sua saúde, nomeadamente da cabeça e de problema de visão.
Até que na tarde de 10 de Abril de 1742, "estando sua majestade a despachar lhe sobreveio um estupor que o privou dos sentidos e ficou leso da parte esquerda e com a boca à banda", segundo noticiou uma gazeta manuscrita.

Por entre orações e devoções no convento da Madre de Deus, por parte da Rainha, sangramentos e recomendações do cardeal-patriarca as igrejas e conventos, ordenando preces públicas com o Santíssimo exposto, pelas melhoras de El-rei.

Mais dum mês de procissões e preces diversas, não trouxeram ao Rei, qualquer tipo de melhoras, mas mantendo-se contudo o seu estado estacionário, que se deveu segundo se disse na época à sua boa robustez física sem a qual teria por certo passado à sepultura.

A versão oficial, do estado do rei, contrariava a que corria na família a avaliar pela correspondência de D.Mariana Vitória com sua mãe a Rainha de Espanha, onde relatava que pelo menos momentaneamente D.João V não se encontrava em seu juízo perfeito e noutras ocasiões falando mais do que devia, sobretudo quando falava de episódios inconvenientes da sua vida.

Resolve então partir para banhos nas Caldas, não sem antes ter retribuído com generosas quantias às entidades que por ele oraram, promoveram as procissões ou a colocação de imagens santas no Paço Real.

As águas das Caldas eram aconselhadas para um grande número de maleitas, desde convulsões a queixas de cabeça e estômago a esperança de todos é que também pudesse trazer melhorias à paralisia que afectava o Rei.

Os preparativos da deslocação foram apressados, porque não se tratava só da deslocação do Rei, mas dum conjunto de pessoas que faziam parte da corte, incluindo os respectivos criados.

A sua permanência nas Caldas nesta primeira fase duraria cerca dum mês, só regressando a Lisboa no dia 17 de Agosto.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Portugal e a guerra da sucessão na Áustria(1741-1748)

Esta primeira metade do século XVIII, foi dum modo geral marcado, no plano internacional, por permanentes conflitos entre as coroas inglesa e espanhola. Tudo girava à volta do comércio marítimo e da consequente rivalidade de interesses, que dava origem em sem número de conflitos.

Era muito difícil para Portugal guarda uma posição de neutralidade, sempre que esses conflitos surgia, por uma lado a Espanha apelava à solidariedade ibérica e à proximidade familiar das casa reais, por outro a Inglaterra sempre invocava a velha questão da aliança e das vezes que havia socorrido contra algumas arbitrariedades espanholas.

Por coincidência outra questão muito mais importante abalou na altura a Europa, passando para segundo plano o irritante e permanente conflito hispano-britânico.Falo da guerra de sucessão do trono austríaco , que logo neste ano de 1740 eclodiu originado pela morte do Imperador Carlos VI.

O estado alemão era realmente uma federação de estados, que elegiam entre si um deles como Imperador cuja corte se situava em Viena de Áustria. Raro era porém a vez que a morte dum imperador não provocasse alguma agitação mais ou menos violente entre os seus Estados, envolvendo muitas vezes outros países, exteriores ao Império, mas cujos soberanos, normalmente parentais se achavam com direito a reclamar esse ceptro.

Pela Pragmática sansão, Carlos VI assegurou a sua sucessão a sua filha Maria Teresa, casada como Francisco de Lorena, duque de Toscana. Gerou-se em torno desta questão imensa polémica e conflito de interesses de difícil sintese, mas que envolviam igualmente primas de Maria Teresa filhas de D.José I a quem Carlos VI havia sucedido.

Atalhando razões o certo é que com o apoio de Frederico II da Prússia e dos franceses, o eleitor da Baviera, Carlos Alberto é nomeado Imperador com o nome de Carlos VII. Esta vitória traduzia-se igualmente numa derrota da Inglaterra o do governo do ministro Walpole, apoiante de Maria Teresa.

Esta guerra que ficou conhecida pela guerra da Sucessão na Áustria, irá estender-se até ao ano de 1748 e se bem que tenha envolvido grande parte das nações europeias nesse conflito, além de afastar, como disse a premência incomodativa para Portugal, dos referidos conflitozinhos permanentes entre a Inglaterra e Espanha, veio pela conjugação de vários factores, que se tentarão explicar em futuros post, dar a Portugal a oportunidade para, além de se manter neutral, poder assumir o importante papel de medianeiro da paz, que poderia elevar o conceito de Portugal no resto da Europa.

Virá a ser assim ?

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Acontecimentos no ano de 1740


  • A acção do marquês do Louriçal na Índia

Pela segunda vez D.Luís de Menezes embarca em Lisboa com destino à Índia para cumprir o mandato de Vice-rei.

Embarca no dia 7 de Maio de 1740, já com o título de Marquês do Louriçal, chefiando um esquadra de 7 naus de guerra, que transportavam 2000 soldados e dezasseis peças de artilharia de um novo sistema que disparavam 20 tiros por minuto, invenção segundo se supõe, dum oficial dinamarquês Jacob Weinholtz, residente em Portugal.

*** Comentário enviado por Luís Bívar ****

Jacob Weinholtz, inventor, "segundo se supõe",das peças de artilharia que davam 20 tiros por minuto, era o Coronel de Artilharia, com o exercício de engenheiro, Friedrich Jakob von Weinholtz (1700-1752 ), nascido em Rendsbourg, no Sleswig-Holstein, então integrado na Dinamarca,pertencente a uma das principais famílias nobres daquele ducado, que há gerações se vinha distinguindo na engenharia militar.Friedrich von Weinholtz servira nos exércitos de Frederico IV da Dinamarca e do Imperador Carlos VI, nas campanhas contra Carlos XII da Suécia, tendo participado em 15 campanhas, 4 batalhas campais e 1 naval, 4 desembarques, 7 sítios, 2 bloqueios e em diversos choques. Em 1736, servia no exército do Feld Marechal Friedrich Heron, Conde de Seckendorf, ao qual assistiu na batalha do Mosela.Foi, nessa altura convidado por D. João V, através do Embaixador D. Luis da Cunha, para servir em Portugal. Pouco depois seria o primeiro comandante do recém-criado Regimento de Artilharia da Corte, aquartelado no forte de São Julião da Barra.
Sua mulher, Marie Elisabeth, era Wedderkop, família cuja figura mais conhecida foi Magnus von Wedderkop, Senhor de Steinhorst, Conselheiro de estado e Primeiro Ministro dos Duques Frederico e Carlos Frederico de Holstein.
É vasta a bibliografia histórica e tecnica sobre as invenções de Weinholtz, conhecidas interna e internacionalmente por "Artilharia Weinholtz". Cito, no entanto, uma fonte que refere os sucessos operados na India com a utilização das peças "Weinholtz":in "Alemães na India nos séculos XV a XVIII" de J.B.Amancio Gracias, pags. 85 a 87 (BNL-cota H.G.28666 V)

**** fim de comentário *****

A viagem foi tormentosa só chegaram a Mormugão um ano depois, mas não perderam tempo pois em 13 de Junho desse ano toma
m de assalto a fortaleza de Coquem e forçam a rendição de Colsala, dando início a uma rápida e convincente recuperação territorial, retomando Bardez e Salsete, conseguindo depois disso, forçar Bounsoló à rendição e a pedir a paz e obrigando-o a devolver Sanguem e Pondá.

Não durou muito a acção do marquês do Louriçal, pois viria a falecer em Goa a 12 de Junho de 1742, apenas 13 meses de exercício de poder.

Viria a ser substituído 2 anos mais tarde por D.Pedro Miguel de Almeida nessa altura marquês de Castelo Novo e futuro marquês de Alorna.


  • Início da construção da Igreja do Senhor Jesus da Pedra em Óbidos
Fora da Vila, na estrada para as Caldas da Rainha, ergue-se o Santuário do Senhor da Pedra, templo inaugurado em 1747.

O risco da obra é de autoria do Arq. Capitão Rodrigo Franco (da Mitra Patriarcal) e tem a particularidade de articular um volume cilíndrico (exterior) com um polígono hexagonal (interior), em planta centrada à qual se anexam três corpos (dois correspondentes às torres e outro que corresponde à sacristia).

No seu programa de simetrias destaca-se o jogo de janelas invertidas. O seu interior apresenta três capelas: a capela-mor dedicada ao Calvário, com uma tela de André Gonçalves, e as capelas laterais dedicadas a Nossa Senhora da Conceição e à Morte de São José, com telas de José da Costa Negreiros.

A "estranha" imagem de pedra de Cristo Crucificado, em maquineta própria no Altar-Mor, esteve até à inauguração do Santuário recolhida numa pequena ermida junto à estrada para Caldas da Rainha onde era objecto de grande devoção, nomeadamente do Rei D. João V.

Créditos : Município de Óbidos

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Grandes perdas territoriais na Índia(1732-1740)

Após o regresso de Saldanha da Gama a Portugal, deixando o cargo de Governador Geral da Índia, marcado pela perda de Mombaça, ainda que reconhecidamente sem culpa, com os créditos dum governo dos mais brilhantes naquele território, foi nomeado como Vice-rei em 1732, D.Pedro de Mascarenhas, conde de Sandomil, já com a idade de 62 anos, muito embora a sua folha de serviços de brilhante militar, tenha induzido D.João V a esperar dele um governo enérgico, de acordo com as exigências do momento.

Porém o governo da Índia viria a revelar-se já excessivamente pesado e complexo para a sua idade.

Os maratas, (que em sentido lato se refere ao povo do Decão ocidental (Maharxtra), é na acepção restrita, a tribo militar histórica dessa região,e que constitui uma casta), achavam-se no apogeu da sua força e da sua arrogância e os seus marajás eral nessa época os maiores inimigos dos povos ocidentais.

Foi efectivamente desastroso porque em 1739 se perdeu Baçaim, cidade tão importante que lhe chamavam a corte do Norte; perdeu-se a Ilha de Karanjá, Trapor, Sarapour,Tana

Foi desde então que, na costa norte, Portugal ficaria apenas com Damão e Diu.

A invasão dos maratas, que assolaram as terras de Bardez e de Salsete, que puseram Goa em risco de se perder e as vitórias do pirata Angriá que em 1740 destruiu a esquadra portuguesa, completaram a série de infortúnios que assinalaram o governo do conde de Sandomil, que durou de 1732 a 1739

As causas principais desses desastres, foi a inércia e desleixo do governo de Lisboa, a falta de energia do vice-rei, a guerra surda que lhe promovia o arcebispo francês, que era um homem intolerável, e as intrigas dos ingleses, também eles interessados em acabar com a cocorrência que significava a presença portuguesa na Índia

A 18 de Maio de 1741 entregou o governo ao seu sucessor, o marquês de Louriçal, que como se verá viria a conseguir estancar as percas registadas pelo anterior vice-rei.


  • Janeiro,29-Lei dos tratamentos
Por esta lei foram definidos quem pode usufruir dos tratamento de "excelência" e o de "senhoria". Consagra e delimita a primeira elite da monarquia na qual têm lugar os grandes eclesiásticos e seculares não se incluindo viscondes e barões e alguns altos dignitários.
O rei levou muito a sério o cumprimento desta lei chegando a repreender os dignatários que não a respeitassem ou a não fizessem respeitar, aceitando por exemplo o tratamento por Senhoria quando a ele não tinham direito.




quarta-feira, 26 de março de 2008

Acontecimentos no ano de 1737

Este ano foi o das reconciliações, primeiramente com a Espanha em 16 de Março, por mediação da Inglaterra e da Holanda.

O conflito que envolveu um conflito menor com o embaixador português em Madrid foi descrito no meu post abaixo referido

Um incidente menor que poderia ter desencadeado uma guerra

este tratado seria o percursor do Tratado de Madrid, uma convenção assinada entre Portugal e Espanha, em 13 de janeiro de 1750, para assentar as fronteiras das possessões na América do Sul.

Também por esta altura foram reatadas as relações diplomáticas com a França, D.Luís da Cunha é nomeado embaixador em França e o marquês de Argenson embaixador em Portugal.

Foi mais demorado o reatamento das relações com a França, provavelmente por não ter havido o empenho inglês, como no caso espanhol

Pode rever-se o conflito clicando aqui.
  • António José da Silva o Judeu-apresentação das Guerras do Alecrim e Manjerona no mesmo ano de nova prisão
Em 1737, denunciado por uma escrava, foi levado novamente às barras da Inquisição em companhia da mulher e da filha. E, ao fim de dois anos, acabou sentenciado a morrer degolado e queimado em auto-de-fé, em cadafalso armado no Terreiro do Trigo.

Até ser preso pela Inquisição, António José viu encenadas várias peças em Lisboa, a mais famosa a ópera Guerras do Alecrim e da Manjerona (1737), inspirada nos conflitos entre os ranchos de Coimbra, a única obra teatral ambientada em Portugal e impressa pouco antes de ser levada à cena.


terça-feira, 18 de março de 2008

Acontecimentos no ano de 1736


  • Alvará criando 3 secretarias de Estado
No início do século XVIII, a administração do Reino, embora tutelada directamente pelo monarca, era coordenada, essencialmente, por três secretarias que tinham a função de organizar e de submeter a despacho régio as "consultas" dos diversos órgãos da administração central - tribunais, conselhos ou mesas - com responsabilidades na condução dos negócios do Reino.

Desde logo, D João V encontrou na estrutura administrativa concebida pelos seus antecessores um obstáculo ao projecto de centralização dos mecanismos de decisão e execução das ordens régias. Com efeito, a orgânica administrativa obedecia a um complicado mecanismo burocrático que, ao invés de tornar mais célere e eficiente o papel da administração central, concorria não só para a sua ineficácia como para a subsistência das instituições típicas da época feudal.

O monarca, pela sua carta de 28 de Julho de 1736, reorganizou as três Secretarias, designando-as todas de "Estado": Secretaria de Estado dos Negócios Interiores do Reino, Secretaria de Estado da Marinha e Domínios Ultramarinos e Secretaria de Estado dos Estrangeiros e Guerras. Esta reestruturação correspondeu a um maior grau de especialização das pastas governamentais, bem como à definição mais precisa das atribuições de cada uma das Secretarias.

A função desempenhada pelos Secretários de Estado revestiu-se, ao tempo de D. João V, de maior prestígio e protagonismo políticos. Equiparados aos mais altos dignitários do reino, aqueles Secretários passaram a ter voto no Conselho de Estado e a ocupar um lugar cada vez mais proeminente junto do soberano, influenciando, desde então, a tomada de decisão em relação aos negócios que tutelavam através das respectivas secretarias.

Os Secretários de Estado acabaram mesmo por afastar os conselheiros de Estado do despacho ordinário dos negócios, tendo a actividade do Conselho diminuído francamente durante o reinado de D. João V. Por seu turno, as Secretarias de Estado foram absorvendo as competências que dantes eram apanágio dos diversos Conselhos, concorrendo, assim, para a sua gradual desvalorização política.

Fonte :Ministério da Administração Interna.

  • Fevereiro,28-Decreto que obriga que o transporte de ouro, diamantes e outras pedras preciosas do Brasil, tenham que ser obrigatoriamente transportadas nos cofres das frotas
  • Julho,15-Morte em Lisboa de D. Francisca Josefa (nasceu em Lisboa, a 30 de Janeiro de 1699) 8º filho de D.Pedro II, está sepultada no Mosteiro de S. Vicente de Fora). Morreu solteira.
  • Agosto,03-Morte na quinta de Belas de D. Manuel José Francisco António Caetano Estêvão Bartolomeu (nasceu. em Lisboa, a 3 de Agosto de 1697),7º filho de D.Pedro II. Faleceu no mesmo dia do seu nascimento e está sepultado no Mosteiro de S. Vicente de Fora.. Morreu solteiro e sem descendência.
  • Outubro,07- Nascimento de D. Maria Ana Francisca Josefa, faleceu no Rio de Janeiro, a 16 de Maio de 1813, 2º filho de D.João V, está sepultada no Convento do Desagravo do Santíssimo Sacramento, em Lisboa.


segunda-feira, 3 de março de 2008

Estreia da primeira ópera portuguesa(1733)

La pacienza di Socrate, foi a primeira ópera, escrita por um autor português Francisco António de Almeida, estreou nos Paços da Ribeira, no Carnaval de 1733.

Este compositor foi um foi um dos que pertenceram ao pequeno grupo de compositores portugueses enviados para Roma a expensas da corte de D. João V, com a finalidade de se aperfeiçoarem na arte da música.


Francisco de Almeida representa sem dúvida "o estrangeirado": a sua música é puramente italiana.
Francisco António de Almeida viveu na primeira metade do séc. XVIII.

Embora não se saibam ao certo as datas correctas do seu nascimento e da sua morte, tudo leva a crer que tenha nascido por volta de 1700 ou 1702 e que a sua morte tenha ocorrido por volta de 1755.


Foi, com António Teixeira, Joaquim Vale Mexelim e João Rodrigues Esteves, um dos primeiros pensionistas enviados a Roma por D. João V para estudar música italiana. Aí permaneceu durante 6 anos entre 1720 e 1726.

Dois anos depois, no Carnaval de 1735, Almeida apresentou, também nos Paços da Ribeira, a ópera “La Finta Pazza”, a que se seguiu no Carnaval de 1739 a ópera cómica “La Spinalba overo Il Vecchio Matto”. “La Spinalba”, cujo estilo elegante e extremamente expressivo nos faz recordar “La Serva Padrona” de Pergolegi, foi a única ópera de Francisco António de Almeida que chegou até nós completa.

Inúmeras obras suas de carácter religioso perderam-se provavelmente com o terramoto de 1755.

Ainda no domínio da música religiosa Francisco António de Almeida compôs duas oratórias “Il Pendimento de David” e “La Giuditta”, esta última inspirada no livro apócrifo do Velho Testamento e a única que chegou até nós.


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  • Conclusão da torre da Universidade de Coimbra

Edificada entre 1728 e 1733, em substituição de uma outra erigida em 1561, a Torre da Universidade foi desenhada pelo arquitecto romano António Canevari, a trabalhar em Portugal ao serviço de D. João V, constituindo a primeira das torres universitárias europeias.

Elegante e raro exemplar de torre barroca de carácter civil, de sobriedade clássica,
aloja, além dos relógios, os sinos que regulam o funcionamento ritual da Universidade.
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  • Revestimento total da abóbada da Igreja de São Francisco no Porto em talha dourada


O estabelecimento dos Franciscanos no Porto data de 1223, ano de um documento doando terrenos para a construção do convento. Por querelas com o bispo, as obras só terão arrancado definitivamente em 1244, prolongando-se pelo século XIII.

Desse primitivo conjunto nada chegou até hoje, já que no século XV o convento foi integralmente reformulado, concluindo-se entre 1410 e 1425.

Originalmente a cobertura era em abóbada de cruzaria de ogivas, mas foi nesta altura totalmente revestida por uma solução em talha dourada.
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Acontecimentos no ano de 1732


  • Reatamento das relações com a Santa Sé

Em 24 de Setembro de 1731 o papa Clemente XII, acaba com o conflito existente com D.João V e concede finalmente o cardinalato ao ex.núncio em Lisboa Monsenhor Bichi, que tinha estado na origem do corte de relações com a Santa Sé em 1728 no pontificado de Bento XIII, como havia sido referido em

Corte de relações com o Vaticano

O reatamento das relações foi confirmado com a chegada a Lisboa do novo núncio em Setembro de 1732.

  • Março,10- Proibição da vinda para Portugal de mulheres residentes no Brasil

A necessidade de povoar o vasto território do Brasil, fazia com que Portugal desenvolvesse uma política contrária ao envio de mulheres jovens para os conventos. Em 1721, o Conde de Assumar, capitão general de São Paulo e das terras de Minas, chamou a atenção das autoridades de Lisboa a respeito da saída de jovens donzelas que eram enviadas para os conventos de Portugal
. Isto, na sua opinião, prejudicava o povoamento da colónia, onde as mulheres brancas eram poucas.

Daí resultou o alvará· de 1732, no qual D. João V proibia a saída de mulheres para o reino, sem sua autorização. Elas deveriam permanecer no Brasil e casar para povoar a terra; não havia lugar para mulheres solteiras na Améica portuguesa.
  • Abril-Inicia-se a construção da Igreja dos Clérigos no Porto.
A primeira pedra da igreja é lançada no dia 23 de Junho de 1732, justamente na presença do arquitecto Nicolau Nasoni, tocando todos os sinos dos diferentes templos da cidade ao mesmo tempo para comemorar esse facto.

As obras começaram a seguir a bom ritmo, mas ao fim de algum tempo ficaram totalmente paradas. A razão deveu-se provavelmente a várias intrigas movidas pelo pároco de Santo Ildefonso, preocupado com a ocorrência que o novo templo vinha a estabelecer.

A expulsão do mestre pedreiro António Pereira, aliado do referido pároco e a sua substituição por Miguel Francisco da Silva não alterou grandemente o estado das obras
  • Setembro,16-Explosão do paiol de munições de Campo Maior, devido à queda dum raio que provocou inúmeros mortos e feridos e grande prejuízos.
O castelo de Campo Maior, visto do jardim do Palácio Visconde de Olivã. Parecendo um castelo medieval, foi, na realidade, reconstruído no século XVIII. Em 1732, a torre de menagem que albergava o paiol das munições, foi atingida por um raio, seguiu-se uma grande explosão que destruiu a maior parte do castelo medieval e grande parte da vila.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Corte de relações com o Vaticano(

Como era usual naquele tempo, os barretes cardinalício eram concedidos por sugestão dos reis, numa manifestação de independência face ao Papa, mas de certo modo pressionados por Espanha, o Papa tenta impedir a afirmação de independência da Igreja Católica em Portugal.

Por essa razão não é elevada a Cardeal o antigo núncio monsenhor Bichi, conforme pretendia D.João V, preferindo indicar para cardeal Monsenhor Firrão.

Na sequência desse incidente D. João V acabou por corta relações com o Vaticano retirando de Roma o representante português André de Melo e Castro, sendo expulsos de Portugal todos os súbditos do Papa.

A morte do Arcebispo de Braga D.Rodrigo de Moura Telles em Setembro deste ano, trouxe para a Igreja bracarense em período de Vacante, motivada por esse corte de relações.

Também o arcebispado de Braga, era ocupada por um Arcebispo indicado pelo Rei e confirmado pelo Papa o que dadas as circunstâncias também não aconteceu, durante 3 anos, tanto quanto duro o corte das referidas relações, mantendo-se então a Arquidiocese governada durante esse espaço de anos pelo Cabido.



quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Acontecimentos no ano de 1725

Na sequência dum incidente em que o embaixador francês o abade de Livry, ofendido porque o secretário de estado Diogo de Mendonça, não lhe ter feito uma primeira visita particular, decide retirar-se de Lisboa.

De imediato o embaixador português em Paris D.Luís da Cunha, fez o mesmo retirando-se para Bruxelas.

As relações entre Portugal e a França ficaram interrompidas durante 14 anos, as missões diplomáticas entre as duas coroas, ficando a França representada em Portugal por um cônsul e Portugal em França por um encarregado de negócios.

Diga-se contudo que as relações económicas e culturais sempre se mantiveram.

Entretanto desde Bruxelas, D.Luís da Cunha sempre esteve negociando com o governo francês para pôr termo a este estado de coisas, o que efectivamente conseguiu, chegando a um acordo com o marquês de Fénelon, ministro francês em Haia.


  • Maio, 24-Instruções dadas a José da Cunha Brochado para ajustar com Espanha uma liga ofensiva e defensiva.
Esta ofensiva diplomática, ao que parece pagas pelo "bolsinho" de sua majestade (uma espécie de saco azul moderno), acabaram por vir a resultar no acordo pré-nupcial duplo que viria a ser assinado ainda este ano em 7 Outubro.

Assim a princesa D.Maria Bárbara, casaria com o príncipe das Astúrias e D.José casaria com D.Mariana Vitória, ficando assim seladas pelo casamento dos dois príncipes herdeiros, o compromisso de ajuda mútua.

Curiosamente ambas as princesas haviam estado na lista de casamento de Luís XV, a portuguesa fora chumbada porque "não estava em condições de corresponder ao objectivo, por serem frequentes os casos e loucura e de má saúde na família", receando-se que não pudesse vir a ter filhos.

A princesa Mariana Vitória que teria estado "á experiência" na corte francesa, acabaria por ser devolvida a Filipe V, pelo que ficaram então reunidas as condições para o futuro enlace.
  • Outubro,28-Nomeação de João Saldanha da Gama como vice-rei da Índia
Vice-rei da Índia (19 de Março de 1674 - Lisboa, 5 de Maio de 1752), foi também governador e capitão-general da ilha da Madeira.

Filho de Luís Saldanha da Gama, capitão-general de Mazagão (Marrocos), iniciou a carreira das armas ainda muito jovem, servindo com o pai em Mazagão. Foi, depois, coronel de Infantaria e camarista do infante D. António.

Em 1725, foi nomeado vice-rei da Índia, cargo em que se manteve até 1732, regressando então ao reino. Durante a sua brilhante governação as forças portuguesas obtiveram vários êxitos militares, conseguindo reconquistar Mombaça.

Chefiou ainda a embaixada portuguesa que se deslocou a Pequim, encarregada de saudar o imperador.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
  • Termina a construção da fachada actual do Mosteiro de Alcobaça, restando do gótico primitivo o portal de arcos ogivais e o aro da rosácea.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Acontecimentos no ano de 1717


  • Julho,05-Nasce o infante D.Pedro Clemente 5º filho de D.João V e de D.Maria Ana.
D. Pedro Clemente Francisco José António nasceu em Lisboa e faleceu no Paço da Ajuda, a 25 de Maio de 1786. Foi príncipe do Brasil e, pelo casamento com a sobrinha D. Maria I, veio a ser o rei consorte D. Pedro III.

  • Outubro,16-D.Luís Carlos Xavier de Menezes, 5ºconde da Ericeira, toma posse como vice-rei da Índia.
Esta primeira nomeação, seguiu-se à do 1º Conde de Sabugosa entre 1712-1717, que havia reposto de novo o respeito pelo nome de Portugal na zona, que administrações anteriores, tinham deixado cair.

Esta primeira nomeação (haveria de ter outra nomeação em 1740) foi considerada danosa para a Fazenda Nacional em 1733, tendo o tribunal de Relação emitido uma sentença de pagamento de 400$000 réis.

O certo é que a situação na Índia não viria a melhorar nos anos seguintes, nem sob o ponto de vista militar nem financeiro

  • Dezembro-Primeira reunião no palácio do conde da Ericeira, da futura Academia Real da História de Portugal, que para alguns autores e identificado com a fundação da Academia de História.


terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Acontecimentos no ano de 1716


  • Maio,02-Nascimento do infante D.Carlos 4º filho de D.João V e de D.Maria Ana.
Não gozava de boa saúde, frequentemente saía de Lisboa, para beneficiar de melhores ares da vila de Belas.

Cascais começava a ganhar fama de ser terra muito sadia e nela viverem os homens muitos anos.

Logo o infante passou a ir a banhos para aquela terra.

Sempre enfermiço ao infante tudo lhe aparecia, pleuresias, febres, etc., em 1735 ficou sem sentidos, muitas horas, achando então os médicos, por bem, "receitar-lhe" o santíssimo sacramento,pois tratava-se duma "maligna" pois "o mal está todo no peito".

Animadores lá iam dizendo que se escapasse de morrer, ficaria com uma tísica que o deixaria viver pouco tempo.

Finalmente morreu em Abril de 1736.


  • Novembro,17-Bula papal criando o Patriarcado de Lisboa.
Quando em 7 de Novembro de 1716 o papa Clemente XI elevou a capela real a basílica patriarcal, criando o patriarcado de Lisboa, foi esta honra uma das poucas concedidas até então, pois os únicos com relevância histórica são os de Roma, Constantinopla, Antioquia, Jerusalém e Alexandria.

Estabeleceu-se também uma divisão eclesiástica com duas jurisdições, o arcebispado na sé velha e o patriarcado na capela real, sucedendo-lhe uma divisão administrativa, ficando a cidade ocidental com 22 freguesias e cerca de 700 ruas e duas praças a do Rossio e a do Terreiro do Paço, bem como os templos que chegavam a 124.

Na cidade oriental ficava a parte mais antiga contida dentro das muralhas, com cerca de 300 ruas, 16 freguesias e cerca de 39 igrejas, ermidas e vários conventos.

Esta divisão durou até 1740 em que foi reunificada. Sucederam-se até hoje dezasseis patriarcas à frente da Igreja lisbonense, de D. Tomás de Almeida a D. José Policarpo.

Os patriarcas de Lisboa são sempre feitos cardeais no primeiro consistório a seguir à sua nomeação para esta Sé.

Esta bula papal In suprema apostolatus solio, insere-se numa política de prestígio da coroa , procurando colocar as relações entre Portugal e Santa Sé ao nível das de outras grandes potências.


sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Acontecimentos no ano de 1715


  • Janeiro-Breve papal a D.João V solicitando ajuda na guerra contra os turcos, navios saídos a 5-07 não chegam a tempo de incorporarem a armada.
Em 1715 os Turcos ocuparam a Moreia e apoderaram-se das últimas ilhas que os Venezianos ainda possuíam no mar Egeu. Pediram estes auxílio ao Papa que, por sua vez, o pediu aos principais reis católicos.
O de França recusou, para não ajudar a enfraquecer ainda mais uma potência que contrabalançava a Leste o peso da Áustria;
o de Espanha, que continuava a disputar aos Austríacos a posse do Sul da Itália e da Sicília, limitou-se a prometer que enquanto durasse a guerra contra os Turcos suspenderia as operações militares;
só o rei D. João V de Portugal, desejoso de cair nas boas graças do Papa, respondeu positivamente ao seu apelo .

(retirado do blog "Marinha" clicar aqui)


  • Agosto,18-Faz a entrada em Paris a embaixada do conde da Ribeira Grande.

Luís Manuel da Câmara, 3º conde da Ribeira Grande, viveu sete anos em França em vida de grande ostentação, privando com a alta nobreza.

Fez sua entrada em Paris, de forma magnificente, em cinco magníficos coches, distribuindo as 10 mil moedas de prata que mandara cunhar (em comemoração ao acontecimento) além de 200 de ouro.


Diz a obra a " Nobreza em Portugal",que «excedeu em riqueza, luxo e número todas as outras embaixadas».


Levava séquito de um confessor, um estribeiro, dois secretários e oito gentilhomens, além de seis pagens, quatro moços de câmara, dois guardas suiços, cinco cocheiros e cinco postilhões além de 24 homens a pé.


Fez vestidos bordados com riqueza excessiva, tendo o vestido com que entrou em Paris os botões e o hábito de Cristo de diamantes, e um no chapéu de notável grandeza.
Até os vestidos dos pagens eram de veludo cor de ouro com vestes e canhões de ouro de tal sorte cobertos de bordadura de prata que apenas se lhe via o fundo.

Ao ombro tinham laços de fita de ouro bordada de prata com rendas de prata ao redor e franja do mesmo nas pontas. Os chapéus galardoados de prata com plumas brancas e topes de fitas brancas.

As gravatas e punhos de rendas mui finas e meias negras com os quadrados bordados de prata. Todo o resto da comitiva, libré de pano fino verde, debruada por todas as orlas de um galão de prata, mangas cortadas de um galão de veludo negro entre um de ouro e outro de prata, canhões e vestes mui rico de ouro, punhos d renda, chapéus com largo galão de prata e meias de seda cor de ouro, plumas cor de ouro e topes de fitas brancas e cor de ouro.»
Havia cinco coches, todos a oito cavalos.

O 1° coche tinha por assunto a paz novamente feita entre Portugal e a França, sendo muito grande, cercado de 8 vidros e por fora de veludo verde escuro, todo coberto de bordado de ouro em relevo. O tejadilho formava um pavilhão airoso, que acabava no meio em um domo ou coroa, «sobre o qual se vai formando o bordado uma grande rosa levantada». Prossegue a descrição: «As 8 maçanetas de bronze dourado de ouro moído. Frisos de esculturas delicadíssimas. As 4 partes do mundo, Mercúrio, as Artes Liberais, Amaltéia sobre uma pantera. O forro de ouro, franjas, cortinas de tafetá dobre verde bordadas de ouro, assento dos pés de cobre marchetado de tartaruga; rodas de 6 raios por onde sobem uns como SS que vão entrar no raio e o sustentam. Os cavalos eram, da Frisia, grandes e negros.


O segundo coche de sete vidros, ouro, bronze dourado, painéis nas ilhargas com a figura da Lusitânia entre nuvens e um anjo, e com cavalos poloneses tigres, brancos com malhas.

A terceira caleça de cinco vidros, tissu de prata, cobre no tejadilho, puxada por cavalos dinamarqueses, lazões tostados.

O quarto, uma estufa de sete vidros, forrada de veludo carmesim, franja de ouro, cavalos alemães ruços.


O 5° uma estufa forrada de veludo carmesim lavrado com fundo de prata, cavalos holandeses negros.

Fizeram-se gravar 10 mil moedas de prata com peso de 3 tostões e 200 em ouro (6:000 rs o peso de cada) que o estribeiro ia pelo caminho distribuindo ao povo.

Retirado de Luís Manuel da Câmara

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Acontecimentos no ano de 1714


  • Junho,o6-Nascimento de D.José, 3º filho de D.João V com D.Maria Ana, que viria mais tarde a ser rei devido ao falecimento do seu irmão mais velho D. Pedro.
  • Outubro,24-Morte do príncipe D.Pedro 2º filho de D.João V e de D.Maria Ana.
O príncipe D.Pedro quando morreu tinha apenas 2 anos e 10 dias e segundo um relato da época, terá falecido divido a uma "terçã dobre", morrendo após a habitual discussão em torno da questão de sangrar ou não o paciente.

Foi descrito durante o embalsamento, que no "interior não se achou coisa que merecesse observação, para além do facto do fígado ser maior do que deveria ser".

Como habitualmente a minha fonte (D.João V-Maria Beatriz da Silva) refere que os intestinos da criança foram sepultados no convento de São Francisco.

O príncipe foi sepultado em São Vicente de Fora no dia 30 do mesmo mês.



domingo, 11 de novembro de 2007

Acontecimentos no ano de 1713



  • Março,16-Legislação que reitera a proibição do curso de moeda cerceada.
Cercear , entre outras coisas, significa cortar em roda; diminuir; aparar .Quando executado por peritos, não provocava danos evidenciáveis no aspecto das moedas, ou seja é a operação técnica efectuada por peritos por forma a retirar quantidades mínimas dos bordos da moeda, afim de estar conforme a lei, isto é, em termos de peso e título.

Porém efectuado abusivamente, o cerceio revelou-se numa operação metalúrgica feita, sem especialização, defraudadora do peso, formato e aspecto formal dos próprios exemplares.

Foi essa moeda que se mandava confiscar, as que se encontrassem com falta de peso.
  • Abril,11-Assinatura no Congresso de Utreque, do tratado de paz e amizade entre França, Inglaterra, Holanda, Portugal, Prússia e Sabóia, pondo fim à Guerra da Sucessão Espanhola.
Filipe V Bourbon é reconhecido com rei de Espanha, mas é sancionada a separação entre as coroas Espanholas e Francesas.Além disso
  1. Espanha deve ceder à Áustria os Países Baixos espanhóis
  2. Espanha deve ceder à Inglaterra Gibraltar e ilha Menorca
  3. França deverá reconhecer a sucessão protestante inglesa
  4. França deve ceder à Inglaterra os territórios norte-americanos da Terranova, da Acádia e da Baía de Houston.
  5. Holanda obtém mais território anteriormente ocupados pela Áustria e França.
  6. Sabóia-Vitor Emanuel II obtém a coroa real e a Sicília.
  7. Inglaterra obtém da Espanha o asiento de negros, ou seja concedeu aos ingleses autorização para introduzirem anualmente na América espanhola um determinado número de negros africanos e para que, uma vez por ano, um navio seu pudesse visitar o porto de Portobello, através do qual tinham oportunidade de fazer entrar ilegalmente grande número de produtos manufacturados nesses países.
  8. A Portugal eram restituídas as praças perdidas e a colónia de Sacramento, na América
  • Junho,24-Regimento dos Ministros e Oficiais de Justiça e da Fazenda.Alvará que introduz algumas alterações no funcionamento do Desembargo do Paço.
No início do reinado a estrutura administrativa era constituída por duas Secretarias e do Estado e a das Mercês e vários tribunais, o Desembargo do Paço,Conselho Ultramarino, Mesa da Consciência e Ordens, entre outros, como se chamavam na altura.
Este regimento procurou simplificar a burocracia, no que à assinatura do rei dizia respeito, dando-se maior autonomia a esse tribunais desde que por exemplo 3 ministros assinassem em conjunto.



quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Acontecimentos no ano de 1712


  • Janeiro,16-Parte para Roma o embaixador extraordinário D.Rodrigo de Sá Almeida e Menezes (Marquês de Fontes), mais tarde Marquês de Abrantes.
Em Roma já existia um embaixador mas D.João V decide reforçar a componente diplomática com envio de um outro embaixador para tentar resolver a questão do Padroado do Oriente e outros assuntos de menor envergadura, mas igualmente importantes.
Havia um problema de exclusividade de missões em especial na China, que Portugal pretendia manter e que Roma tentava alterar enviando ao Oriente, missionários de outros países europeus.
Os problemas coma cúria romana, acerca desta questão do padroado, era ainda mais complicada, mas as instruções de D.João V ao marquês de Fontes eram muito precisas. Podia ameaçar o Papa com duas medidas, recusa do núncio apostólico em Portugal e a criação dum tribunal para apreciação de todas as decisões papais antes da sua execução.
A ameaça do regresso ao um sistema político que sustenta o direito que tinham os Reis de interferir na vida interna da Igreja, constituía na altura uma ameaça séria aos poderes papais.
Havia três exigências importantes que Portugal requeria e que se prendia com a actuação do cardeal de Antioquia, Maillard de Tournon e as suas decisões sobre as interdições do culto rendido a Confúcio, que Clemente XI apoiava e que se mantinha preso em Macau, por pressão do Imperador da China.
Note-se que a apresentação ao papa só se viria efectuar 3 anos depois da sua chegada a Roma, provavelmente por força da magnificência do corteja com que se apresentou e cuja descrição se fará quando se abordar o ano de 1716.

  • Setembro,16-Chega a Goa o novo vice-rei Vasco César de Menezes, conde de Sabugosa.
0 seu governo foi um dos mais gloriosos que houve na Índia nos tristes tempos da decadência. Perdera-se já todo o prestígio e autoridade, e Vasco Fernandes César soube fazer respeitar de novo o nosso nome e as nossas armas 0 rajá Kanará tratara-nos com menos consideração; Vasco Fernandes César juntou rapidamente uma esquadra de 11 embarcações, cujo comando entregou a José Pereira de Brito, e este forçou as barras de Barcelor, Calianapor, Catapal, Moloquim, Mangalor e outras, queimou e destruiu navios e povoações, obrigando o rajá a pedir paz, e fazendo com que o rajá de Sunda, que seguira o exemplo do de Kanará, logo também se submetesse. O Angriá, um pirata indiano, assaltava-nos as embarcações, logo o vice-rei mandou uma esquadra de 15 navios comandada por António Cardim Fróis, atacar o porto de Culabo, onde o pirata se fortificara, e onde os portugueses lhe infligiram uma lição severa. As esquadras árabes de Mascate que estavam no porto de Surate e de Rugafroi que se achava na barra do Danda foram igualmente destroçadas pelos nossos navios. Assim o nome português voltou a ser, se não temido, pelo menos respeitado na Índia, e o Grão‑Mongol com quem mantínhamos boas relações, cedeu-nos, em prova de amizade, o pequeno território de Pondá, que confinava com as possessões portuguesas. No governo eclesiástico da Índia houve bastantes discórdias no tempo de Vasco Fernandes César, que nem sempre procedeu com a maior justiça na sua resolução
(retirado de Portal da História )

  • Outubro,19-Nasce D.Pedro o príncipe do Brasil 2º filho de D.João V.
Segundo filho de D.João V e de D.Maria Ana da Áustria, primeiro filho varão seria o herdeiro do trono, se não tivesse falecido com apenas 2 anos de idade.
Um ano depois da sua morte foi cantada em Roma, no palácio do marquês de Fontes, pelos cantores da Capela Pontifícia, não esta peça, mas outra do mesmo autor Nicola Porpora. Fica a nota para se perceber a beleza da música da época barroca.



sábado, 27 de outubro de 2007

Acontecimentos no ano de 1711(I)



(Ilha das cobras ao fundo a ponte Rio-Niteroi)

  • Julho,11-A vila de São Paulo no Brasil ascende a cidade.
Desde 1681 que S.Paulo era considerada cabeça de Capitania, incluíndo um território muito mais vasto que o do actual Estado. Território muito vasto obrigou a uma reorganização que correspondeu também a que se desmembrasse a capitania para melhor o controle sobre a região de Minas Gerais.

  • Setembro,11-René Duguay-Trouin, corsário francês, chega ao Rio de Janeiro com 18 navios e uma tropa de 5000 homens. Começando por ocupar a ilha das Cobras junto ao Rio.
Na sequência deste ataque Rio de Janeiro, virá a capitular em Outubro. Porém a tomada da fortificação desta ilha, viria a justificar a necessidade de construção duma outra fortificação nesta ilha da Baía de Guanabara, o que veio a acontecer.
  • Outubro-Guerra da Sucessão de Espanha-Cerco a Campo Maior pelo marquês de Bay a praça não foi ocupada.
Em 1712, o Castelo de Campo Maior vê-se cercado por um grande exército espanhol comandado pelo Marquês de Bay, o qual durante 36 dias lança sobre a vila toneladas de bombas e metralha, tendo conseguido abrir uma brecha num dos baluartes; o invasor ao pretender entrar por aí, sofreu pesadas baixas que o obrigaram a levantar o cerco. (retirado de Wilkipédia)
  • Dezembro,12-Nascimento de Maria Bárbara Xavier Leonor Teresa Antónia Josefa,filha de D. João V, que mais tarde viria a casar com o príncipe das Astúrias

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Acontecimentos no ano de 1710(I)


  • Inicio da guerra dos Mascates
Esta designação refere ao nome que os brasileiros de Olinda, davam aos portugueses negociantes que habitavam o Recife.Rivalidades e divergências políticas, entre lealista(que defendiam a autoridade real) e separatistas, levaram a violentes conflitos.Problema que se resolverá no ano seguinte com a chegada dum nono governador Félix de Mendonça.

  • Agosto,16-Ataque a vários pontos do litoral brasileiro por uma esquadra francesa comandada por Duclerc. Rio de Janeiro é cercado.
No contexto de hostilidades entre a França e a Inglaterra, o rei Luís XIV de França autorizou o corso aos domínios ultramarinos de Portugal, tradicional aliado dos britânicos. Por essa razão, Jean-François Duclerc, no comando de seis navios e cerca de 1 200 homens, surgiu na barra da baía de Guanabara hasteando pavilhões ingleses como disfarce. As autoridades no Rio de Janeiro, alertadas pela Metrópole, já aguardavam a vinda do corsário francês, razão pela qual o fogo combinado da Fortaleza de Santa Cruz da Barra e da Fortaleza de São João repeliu a frota que tentava forçar a barra.

(retirado de Wilkipédia)

domingo, 14 de outubro de 2007

Acontecimentos ano de 1709

Acontecimentos em Portugal

  • Abril-Necessária autorização régia para se fundarem novos conventos no Brasil

Para ler mais sobre a Passarola ver aqui.
  • Maio,07-Batalha do Caia-Tropas portuguesas são derrotadas perto de Badajoz.
  • Novembro,09-Instituição na Capela Real da Irmandade do Santíssimo Sacramento tornando-se o rei juiz perpétuo.
D. João V, mal subiu ao trono, aceitou ser Juiz da Irmandade do Santíssimo Sacramento e de Nossa Senhora dos Mártires, em favor da qual fixou uma renda.

Pela sua importância religiosa e pastoral não admira que já nos finais do século XIV, o Papa Urbano XIV havia elevado a igreja de Nossa Senhora dos Mártires à dignidade de Basílica.

Esta igreja existe em Lisboa, na zona conhecida como o Chiado.

Quando da tomada de Lisboa, D.Afonso Henriques fez um voto que de imediato cumpriu quando as portas da cidade se abriram, em 25 de Outubro de 1147, quatro dias após a rendição do governador muçulmano, edificar em honra da Santíssima Virgem um templo onde o povo de Lisboa pudesse venerar aquela sagrada imagem e que permanecesse como memória, para os vindouros, da protecção prestada pela soberana Rainha àqueles valentes soldados que, movidos pela fé cristã, animados pela esperança e abrasados pela caridade, de forma humanamente inexplicável, dado o poderio das forças infiéis, dilataram o reinado de Cristo e conquistaram a cidade de Lisboa.
  • Novembro,25-Decreto que proíbe a emigração para o Brasil.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Ano de 1708



*Julho,09-Viena de Áustria-Casamento por procuração de D.João V com D.Maria Ana
A rainha D.Maria Ana da Áustria-07

*Outubro,27-Desembarca em Lisboa a Rainha D.Maria Ana


*Fome generalizada no reino-Devido a uma sucessão de maus anos agrícolas entre 1707 e 1711, que resultou na escassez de trigo e outros cereais e respectiva subida de preços.Que motivou vários motins com o de Abrantes neste ano.


quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Acontecimentos no ano de 1707

  • 25 de Abril-Batalha de Almansa

As forças do arquiduque Carlos que incluem os contingente portugueses sofrem pesada derrota, pelo exército franco-espanhol do duque de Berwick, que conduz a ofensiva em nome de Filipe V de Bourbon, que recupera o controlo sobre grande parte de Espanha incluindo Madrid.
  • Abril-Diogo de Mendonça Corte Real é nomeado secretário de Estado
D. João V logo em Abril de 1707 nomeou Diogo de Mendonça Corte Real seu secretário de Estado, mandando-lhe passar a respectiva carta em 27 do mesmo mês. 0 distinto diplomata conservou-se no ministério até falecer, prestando sempre importantes serviços, principalmente nas difíceis negociações do tratado de Utrecht, onde Portugal correu sério risco de ser sacrificado

  • 26 de Maio-Capitulação de Serpa às forças do Duque de Ossuna.
Ver explicação sobre a Guerra da Sucessão de Espanha clicando
  • 27 de Junho-Assinado em Viena o tratado de casamento de D.João V com D.Maria Ana da Austria
O Casamento de D. João V foi negociado em 1708. Os dois noivos eram primos direitos, por serem irmãs a Rainha D. Maria Sofia de Portugal e a Imperatriz Leonor Madalena, respectiva mães de Sua Majestade o Rei de Portugal e da Sereníssima Arquiduquesa da Áustria.

Inaugurando o estilo faustoso da diplomacia de D. João V, Portugal procurava com o casamento uma aproximação aos outros membros da Grande Aliança. D. João V enviou um luxuosa embaixada à capital imperial, chefiada pelo Conde de Vilar Maior, Fernão Teles da Silva, que chegou a Viena a 21 de Fevereiro desse mesmo ano. A 6 de Junho, dia do Corpo de Deus, fez-se a entrada pública da embaixada portuguesa para o pedido da Arquiduquesa

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Jacobéus e Sigilistas-1745

Frei Gaspar da Encarnação, o franciscano que nos últimos tempos de vida de D.João V e após a morte do valido cardeal da Mota, assume o papel não oficial de primeiro-ministro, sob a regência da Rainha D.Maria Ana que o detestava, tinha sido desde que fora em 1723, nomeado reformador dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, o principal protector duma corrente religiosa, nascida no interior dessa congregação.

Chamados "jacobéus" e condenavam a tendência devassa, que julgavam existir dentro da vida religiosa a quem chamavam "mundanos", por certo com muita razão. Estes defendiam entre outras coisas a legitimidade de violar o segredo de confissão, para denunciar cúmplices de pecados.

Chamados de sigilistas atendendo a esta característica dos seus pontos de vista, foram os jacobéus, veementemente condenados pelo então cardeal-patriarca D.Tomás de Almeida, primeiro nomeado por D.João V, e pelo inquisidor-mor D.Nuno da Cunha.

Tratava-se dum combate aberto entre conservadores (inquisidores) e renovadores (jacobéus) e na qual D.João V, já doente se não quis meter, deixando a resolução do conflito ao papa Bento XIV.

A princípio o Papa começou por apoiar as teses da Inquisição, mas com o decorrer do conflito foi se equidistando, por vezes com bulas contraditórias que não fizeram mais do que prolongar o conflito.

Frei Gaspar da Encarnação jacobéu, confrontava-se pois, para além dos já mencionados, com a maior parte dos jesuítas, naturalmente que não estava sozinho, alguns bispos mais ou menos abertamente apoiavam-no nas suas opções.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Conflito estende-se à Colonia de Sacramento

Não se pense que apesar do incidente referido anteriormente, não ter provocado uma guerra aberta entre Portugal e a Espanha na Europa, não tenha tido as suas repercussões na América do Sul nomeadamente na Colónia de Sacramento.

Pelo menos durante cerca de dois anos a Colónia de Sacramento esteve bloqueada pelas forças espanholas. Diferendo este que só viria a ser resolvido pelo Tratado de Madrid em 1750.

Em Junho de 1735 chegou uma armada inglesa como medida de defesa, destinada apoiar Portugal no eventual conflito que viesse a decorrer com a Espanha.

Este conflito começa por ser mediado pela França,mas que o posterior ataque à colónia de Sacramento acima referido não veio favorecer.

No mesmo ano em que a França assume o controle directo da ilhas Maurícias, rebaptizada como a "Ile de France", e que seria mais um argumento para a Inglaterra não aprovar a mediação francesa neste conflito.

Por ocasião desse ataque, foram enviados a Sacramento, pelo governador do sul do Brasil, Gomes Freire de Andrade, reforços comandados pelo brigadeiro José da Silva Pais, que apesar de não ter conseguido os seus objectivos, veio a fundar nas proximidades da Lagoa dos Patos a povoação Rio Grande de São Pedro, origem do estado do Rio Grande do Sul.


Só em 16 de Março de 1737 se assina uma convenção luso-espanhola sobre este incidente com o embaixador português, acontecido em 1735, por mediação da Inglaterra e da Holanda.

Afinal uma guerra de criados, haveria de arrastar um conflito durante 2 anos.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Um incidente menor que podería ter desencadeado uma guerra

Muito embora os casamentos reais pudessem de algum modo atenuar a conflitualidade entre Portugal e Espanha a verdade é que a situação política não era na altura muito tranquila, sobretudo por causa das questões fronteiriças no Brasil, ligadas à colónia de Sacramento.

O exemplo dos factos acontecidos em Madrid em Março de 1735, com o nosso embaixador Pedro Álvares Cabral são reveladores. Um incidente provocado pelo criados do embaixador, que tirando um prisioneiro das mãos dos oficiais de justiça espanhóis, dando-lhe guarida na embaixada, violaram os princípios das relações diplomáticas entre os dois países, pois na sequência a residência do embaixador foi invadida e presos os criados implicados.

A retaliação por parte de Portugal não se fez esperar e o mesmo aconteceu aqui à casa do embaixador espanhol e também presos alguns dos seus servidores.

D.João V convoca uma junta com algumas personalidades para o ajudarem a tomar decisões. A reunião decorreu em casa do secretário de Estado Diogo de Mendonça, por se encontrar doente. Entre essa personagens contavam-se o cardeal da Mota, o cardeal da Cunha e o conde da Ericeira e Alexandre de Gusmão, as figuras mais proeminentes do Reino e de quem falarei mais tarde.

O propósito era discutir uma proposta do embaixador para que se "rompesse guerra" com se chamava na altura ao acto de declaração de guerra.A proposta só obteve um voto favorável , mas duas conclusões se podem tirar daqui a delicadeza das relações ibéricas na eminência da guerra e a troca de opiniões, segundo o que foi relatado ao embaixador D.Luís da Cunha, pois a ideia generalizada que ficou da reunião foi que mesmo que houvesse guerra com o Mundo haveria que se manter a aliança com a Inglaterra.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Acontecimentos no ano de 1734

A ideia pré-concebida que D.João V foi apenas um rei gastador, que desbaratou o ouro e os diamantes do Brasil apenas em obras inúteis e espalhafatosas é completamente errada, porque a sua preocupação em desenvolver indústrias também foi evidente, como neste blogue modestamente se têm tentado demonstrar

Em 5 de Outubro de 1734 foi lavrada uma escritura a favor dum francês de nome Robert Godin, para estabelecer uma fábrica de sedas em Lisboa, que viria a ter as suas primeiras instalações na Fonte Santa, estabelecendo-a depois ao fundo da Rua de S. Bento (1737) finalmente mudou-a para o Rato em 1738.

Algumas originalidades à francesa, foram implementadas, que passavam pela instalação por um lado dum talho e duma padaria no próprio edifício, bem como a construção dum bairro operário na periferia da fábrica, por outro foram colocados tabiques nas janelas para que os operários se não distraíssem.

Alguns exageros despesistas conduziram a empresa para uma vida difícil, como escrevia nas suas memórias do industrial de origem francesa Jacome Ratton, em que este escreve sobre as manufacturas existentes em Portugal em finais do século XVIII e inícios do século XIX.

Principiou pois a fábrica da seda por uma sociedade de particulares, no Reinado do Senhor Rei D. João V, os quais mandaram vir operários de Lyon, e foi estabelecida no edifício que hoje se conhece por este nome ao Rato, para esse fim construído. Mas como sucede frequentemente, que estabelecimentos de grande custo não prosperem desde logo, achava-se este já em penúria de fundos no princípio do sucessivo Reinado; e querendo o Governo elevá-lo ao maior grau de prosperidade possível, e introduzir-lhe a fabricação dos Galões de ouro e prata, que até àquele tempo todos vinham de França, se havia necessidade deles para a tropa e culto Divino, o tomou por sua conta, nomeando-lhe Directores negociantes, e aplicando-lhe muitos fundos não só para o fazer trabalhar com vigor no seu respectivo destino, mas para servir como de viveiro a muitas artes, e ofícios, de que o Reino se achava destituído. Foi por aquela Direcção que, no Bairro das Amoreiras, então terras de serradura, se edificaram acomodações para Mestres, com certo número, cada hum, de teares de seda de lavor, cujas manufacturas eram compradas, e pagas pela dita Direcção, que também lhes fornecia a seda já pronta, como me parece que ainda se pratica, em maior, ou menor abundância. Foi outro sim com fundos da referida Direcção das sedas, que se edificaram no mesmo Bairro

Em 1750, o Estado apropriou-se da fabrica, por insolvência de Robert Godin.

Indico como leitura complementar um excelente artigo
sobre esta matéria no magnífico blogue Bic Laranja

  • Nascimento da infanta D.Maria
A Rainha D.Maria I nasceu no dia 17 de Dezembro de 1734, antes dela nascer a sua avó a Rainha de Espanha escrevia à filha D.Mariana Vitória, ao mesmo tempo que enviava um cirurgião a acompanhar a carta onde mostrava a sua grande preocupação pelos maus cuidados que sua filha viesse a ter durante o parto.

A preocupação, reflectia diferença de mentalidades, em Espanha os partos reais eram feitos por cirurgiões, em Portugal por parteiras. Obviamente que em Portugal era assim por razões beatas, que impediam que um médico homem, assistisse a um parto, coisa de mulher.

Isabel Farnésio pelos vistos já não pensava assim, mas por carta a filha aceitou a vinda do médico com a condição de ficar num quarto ao lado "para o caso de haver necessidade", dizendo a sua mãe "os portugueses não aceitam bem os cirurgiões parteiros".

Seria baptizada a 9 de Janeiro do ano seguinte

  • descobertas novas jazidas de ouro em Mato Grosso

terça-feira, 21 de agosto de 2007

A descoberta de diamantes no Brasil

A descoberta de diamantes ocorreu como consequência da procura do ouro no leito dos rios, através da lavagem do cascalho.

Em 1726 foram entregues as primeiras pedras ao governador de Minas Gerais, D.Lourenço de Almeida que as identificou como diamantes por ter estado mais de 17 anos no governo da Índia.

Não se conhece muito bem a razão, porque só comunicou à coroa essa descoberta 3 anos depois, enviando 6 pedras dessa para serem examinadas, o que lhe valeu ser censurado porque já há mais de dois chegavam a Lisboa diamantes nas frotas do Brasil.

Igualmente se lhe ordenava que estudasse o melhor meio de serem cobrados os quintos do rei devidos sobre essa pedras.

Quintos do rei, que hoje teria a designação genérica de imposto, era intensamente cobrado no Brasil desse tempo, já se fazia sobre a produção aurífera. Desde 1725 a capitação sobre os escravos produtivos ou não, maiores de 14 anos, ou sobre o minerador quando este os não possuísse.

Assim começou a saga da exploração de diamantes, sendo o Brasil o maior produtor de diamantes do mundo entre os anos de 1730 a 1860.Calculando-se que, nesse período se produziram em Minas Gerais cerca de 610 quilos de diamantes.

A grande preocupação se gerou no Reino, discutindo-se a forma de controlar a produção e a colecta do respectivo quinto.

A grade dificuldade era o controlo dessa liquidação, resumindo-se os vários pontos de vista, expressos quer pelo governador de Minas Gerais, quer por vários especialistas, ás seguintes hipóteses :
  • cobrar-se o quinto rigoroso de todos os diamantes extraídos
  • cobrar-se o quinto por capitação sobre os escravos que minerassem
  • acrescentar-se a esta capitação 5% sobre o valor dos diamantes
  • cobrar-se o quinto e também o dízimo, (dupla tributação)
  • dividir-se o terreno das minas, cobrando-se o arrendamento em vez do quinto
  • Administração das minas por conta da Fazenda Real, proibindo a todos os vassalos a mineração
Todas as soluções propostas procuravam resolver o problema da dificuldade de cobrança. Optou-se pela hipótese de escolher entre os 11 ribeiros onde haviam sido detectados diamantes, 2 ou 3 dos melhores, proibindo-se a pesquisa nos demais. Dividir a área de pesquisa em lotes, reservar o melhor para sua Majestade e arrendar anualmente os restantes a quem der maior preço.




terça-feira, 14 de agosto de 2007

As Fabricas de pólvora em Barcarena e Alcântara


(Fábrica da Pólvora de Barcarena-Monumento ao Fogo)

A indústria da pólvora e a instalação em Barcarena remonta ao tempo de D.João II, mas só em 8 de Dezembro de 1729 foi inaugurada com o nome actual.

No início do século era grande a decadência em que se encontrava a industria sendo conhecida a comunicação que o general artilheiro, dizia não haver pólvora sequer para as salvas na procissão do Corpo de Cristo.

Além desta fábrica em Barcarena havia outra em Alcântara que havia sido começada a construção em 1690, mas só terminada em 1728 por António Cremer.


Foi Cremer que arrematou o monopólio da pólvora, pois além da reconstrução dessa fábrica em Alcanena, também promoveu a recuperação da outra em Barcarena terminando-a em 1729, depois de modificar todo o seu sistema de funcionamento por forma a que se começou a produzir "a melhor pólvora da Europa"


A construção foi "sumptuosa e magnífica" conforma ainda está patente na fábrica de Barcarena e nos vestígios arquitectónicos da fábrica de Alcântara, demolida em 1939.


António Cremer foi um almirante holandês que veio para Portugal por ocasião do inicio da Guerra da Sucessão ao Trono de Espanha, mas que no fim dessa guerra, por cá ficou como
intendente da Pólvora do Reino (1725) entre outros cargos.

A fábrica encerrou em 1988, transformado-se o espaço numa universidade (Atlântica) e num museu.


O Museu da Pólvora Negra, integrado na antiga Fábrica da Pólvora de Barcarena, tem como finalidade preservar e perpetuar a memória da actividade desenvolvida neste estabelecimento fabril, nos seus cerca de quinhentos anos de laboração.

O seu acervo divide-se nas categorias de Ciência/Técnica, História, Militar e Indústria e a colecção reporta-se, cronologicamente, à época de origem do fabrico da pólvora em Barcarena.

Quanto à temática, esta prende-se, particularmente, com o fabrico da pólvora negra em Barcarena.


saber mais sobre o Museu .

domingo, 12 de agosto de 2007

Aqueduto das Águas Livres-O financiamento


Gravura aberta para Robert Wilkinson, sobre um desenho de R. Black e T. Bowles. O decreto que autorizava o Senado da Câmara de Lisboa a regular os géneros sobre os quais se lançariam impostos, para a construção do Aqueduto das Águas Livres foi assinado em 20 de Junho de 1729.

Retirado do Portal da História

Por volta de 1730 a população de Lisboa devería rondar os 250.000 habitantes e apenas dispunha de 3 chafarizes de água potável e mal distribuídos pela cidade, estando o negócio da distribuição entregue a particulares, que a entregavam bastas vezes em más condições de salubridade.

Para resolver a situação, havia que trazer a água para a cidade de nascentes que existiam, a não muita distância da cidade. As referências ao projecto de construção dum aqueduto começam a ouvir-se e em Julho de 1729 foi decretado um imposto sobre determinados bens de consumo para financiamento da obra.

Pelos vistos D.João V, não achou necessário financiar a obra com o ouro e os diamantes que chegavam do Brasil , pelo que o se pode dizer que a população pago do seu bolso a água que passou a beber.O povo pagou porque o Rei asssim decidiu, coisas do absolutismo.

Foi então decidido onerar o azeite, a carne,o sal, a palha e o vinho, para fazer o total de 300 000 por ano, durante 4 anos.

O imposto indirecto é cego e a comunidade patriarcal, habituada a não pagar nada, achou-se prejudicada queixando-se ao rei, que os mandou passear e muito bem, acabando ele próprio por contribuir com 10.000 cruzados

Estava assim terminado o primeiro episódio da saga da construção do Aqueduto das Águas Livres, que duraria até 1748, na sua fase mais simples.