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segunda-feira, 5 de março de 2007

O Convento de Mafra-A construção


As obras iniciaram-se em 1717, ano do lançamento da primeira pedra e a 22 de Outubro de 1730, dia do 41º aniversário do rei, procedeu-se à sagração da basílica.

È o mais significativo monumento do barroco em Portugal, integrando um Paço Real, uma Basílica, um Convento Franciscano e uma importante Biblioteca, síntese do saber enciclopédico do séc. XVIII.

A construção, que chegou a envolver mais de 50 mil homens, só terminou, oficialmente, em 1750, com a morte do rei,embora muitos pormenores só viessem a ser concluídos nos três reinados seguintes.

As dificuldades para manter os trabalhadores foram enormes chegando a ser tomadas medidas drásticas, para castigar os fugitivos.
Os que fossem apanhados teriam de trabalhar 3 meses sem receber pagamento e se fossem reincidentes, esperava-os as galés e açoites.

Acomodaram-se nesta obra as pessoas em casas de madeira que se construíram e foram abatidas depois da obra concluída, numa área superior ao Terreiro do Paço.


Da enorme massa de trabalhadores envolvida, muito adoeceram e morreram, tendo D.João V determinado que ás famílias de cada um dos mortos de desse uma esmola de 3 mil réis, um hábito para ser amortalhado, uma cova e cinco missas por alma.


Foram realmente tempos de trabalhos forçados, muitos homens reduzidos á condição de escravos, obrigados a deixar as suas terras e famílias para trabalharem numa obra, que apenas era do gosto do rei.


Imensos problemas com demoras nos pagamento aos trabalhadores e ajustamento de trabalho com mestres de ofício, fizeram atrasar a obra que afinal não agradava a ninguém para além do próprio rei.


Os religiosos do convento também se queixavam, do sítio onde foi edificado, que nem agradava á família real, que o rei tinha dificuldade em conseguir que o acompanhassem a Mafra. Transferência de festas importantes para Mafra foi outro dos subterfúgios a que D.João V se socorreu para tentar tornar Mafra um local bem querido e importante.

Mesmo com a construção por acabar em 1733 resolveu ali festejar o seu aniversário, que habitualmente se festejava no Paço da Ribeira, o que igualmente havia acontecido no ano anterior, quando em meados de Outubro uma grande tormenta quebrou os vidros do convento, logo o rei mandou para Mafra, oficiais e vidraceiros, para que sob pena de prisão, tivessem tudo pronto na véspera do seu aniversário em 22 de Outubro, nessa altura só os camaristas o acompanharam, permanecendo os demais cortesãos em Lisboa.


Quando o rei adoeceu em 1742, Mafra ainda não estava totalmente concluído, mandando el-rei arrematar a obra por 625.000 cruzados , com um prazo de 8 anos para a sua finalização.


Em 1744 decidiu mandar comprar as quintas e casais num perímetro de 3 léguas em torno do edifício, para fazer uma cerca para os padres do convento e para mandar fazer uma tapada, para onde o príncipe D.José pudesse ir a caça, para "o ver mais vezes naquele sítio".

Parece que o príncipe herdeiro contudo, preferia caçar coelhos na real tapada de Alcântara.

6 comentários:

Vaz disse...

Temos sempre aquela visão, de beleza e de perfeição do Convento de Mafra, mas afinal a sua construção foi toda à base de escravatura, injustiça e amor ao luxo por parte de D. João V.

Luís Maia disse...

sem quer tirar-lhe razão (alguma) ao comentário, a verdade é que o nosso conceito de escravatura não era o mesmo na época, ocorre-me a ideia que nem mesmo os grandes filósofos iluministas e enciclopedistas os paladinos da revolução francesa e da liberdade, puseram em causa nenhum dos conceitos de escravatura.
A ideia simplista de remeter D.João V apenas ao conceito de gastador, é um bocado redutora, ele tentou desenvolver o país, sob o ponto de vista industrial e artístico, trazendo inúmeros técnicos estrangeiros para Portugal.
venha sempre obrigado

Maggie disse...

Onde é que mandar vir TUDO do estrangeiro é sinónimo de desenvolvimento do pais?

Luís Maia disse...

O facto de mandar vir TUDO do estrangeiro, significa que não havia por cá o que ele queria.

Porém o que eu disse foi que ele tentou desenvolver o país, sob o ponto de vista industrial e artístico, trazendo inúmeros técnicos estrangeiros para Portugal

Acha contraditório Maggie ?

nn n nnnnnnnnnnn disse...

Não ouve escravatura na construção do Convento de Mafra. Aqui há uma deturpação da realidade por questões ideológicas nada mais. Para as obras de Mafra foram chamados a cumprir um serviço militar obrigatório todos os mancebos de país. E para a sua formação foram requisitados técnicos das várias áreas portugueses e estrangeiros, desde carpinteiros, pedreiros, arquitetos, pintores escultores etc. No final da obra todos aqueles mancebos que não tinham formação alguma, saíram como excelentes técnicos nas várias áreas de formação. Quando D. João V subiu ao trono encontrou um país atrasado ao ponto de ter de mandar vir estrangeiros para trabalhar em Portugal em qualquer área, pois não existiam pessoas com formação para as necessidades do país. No reinado do rei D. José I portugal tinha técnicos com formação nas diferentes áreas. Quando se deu o terramoto de 1755, não foi necessário mandar vir estrangeiros para reconstruir o país graças à iniciativa de D.João V em investir na formação dos portugueses. Esta é a verdadeira realidade que não interessa ser comentada por muitos. Com tudo isto veio a beneficiar o Marquês de Pombal, quando necessitou dos técnicos para a reconstrução do país e colher os louros da obra deixada por D. João V. Mafra acima de tudo foi uma grande escola de artes e militar até aos nossos dias.

Daniela Reis disse...

eu queria saber porque o Real Edificio de Mafra foi contruido em Mafra e nao outro sitio