Recomenda-se a leitura dos livros indicadas como fontes.
As entradas neste blog, são pequenos apontamentos de estudo. Mais do que os factos acontecidos no País neste reinado(1707 a 1750)cabem neste espaço o que de mais relevante ocorreu no espaço político e cultural europeu.
Fevereiro,08-Determina-se que só integrados em frotas comerciais os navios estrangeiros podem comercializar nos portos do Brasil.
Março,15-Guerra da Sucessão de Espanha-Recuperada a praça de Miranda do Douro.
A concentração de tropas para a recuperação de Miranda do Douro deu-se a 11 de Março de 1711. As tropas eram constituídas por 11 regimentos de Infantaria e 5 de Cavalaria, comandados por D. João Manuel de Noronha (conde de Atalaia).
Concentravam-se em Vimioso e em Alcanices (ocupada por forças portuguesas). Ao mesmo tempo, D. Francisco de Távora, comandante de cavalaria, procedia ao aprisionamento das barcas da passagem do rio Negro.
A acção começa no dia 13, às 5 horas da manhã, com um bombardeamento do castelo. No dia seguinte, após um ataque sobre o flanco da praça, abre-se uma brecha na muralha.
O comandante espanhol pede uma trégua de três dias que lhe é recusada. Vendo o exército português preparado para o ataque rende-se sem condições.
Junho-Guerra da Sucessão de Espanha-Cerco a Elvas pelo marquês de Bay.
Maio,06-Lei que reitera antigas pragmáticas contra o luxo
Essas medidas tinham como objectivo "evitar a desordem do luxo" e o empobrecimento dos vassalos.
De entre uma infinidade delas, a lei de 6 de Maio de 1708, do tempo de D. João V, é a que hoje nos parece mais idiota: proibia o uso de fitas de cor nos chapéus pretos e de fitas pretas nos chapéus pardos, entre outras coisas, que caiam no ridículo de regulamentar por exemplo o número de bolsos, que deveria ser adaptado à medida da estatura do indivíduo.
Como sempre em Portugal estas leis, cumpriam-se no primeiro mês, infringiam-se no segundo e esqueciam-se no terceiro.
Gustavo de Matos Sequeira, em "Depois do Terramoto", escreve que todas as leis proibindo o luxo, as chamadas pragmáticas, tiveram pouca eficácia:
*Dezembro,12-Regimento das ordenanças militares
Por alvará procede-se a nova reorganização da Exército e estabelecem-se as Novas Ordenanças.
Com esta reforma "proibiu-se a venda de postos militares, bem como a sua troca entre oficiais de linha e oficiais das ordenanças ou dos terços de auxiliares ficando só autorizado entre oficiais de linha da mesma arma e graduação"
Foi exigido saber ler e escrever aos tenentes, alferes e sargentos. "Aboliu-se o antigo uso do alistamento e organização de tropas, a soldo de particulares".
*Bissau-É arrasada a fortaleza e extinta a capitania
A capitania de Bissau tinha sido criada em 1687 e sido nomeado 1696 o seu primeiro capitão-mor, José Pinheiro da Câmara,que iniciou de imediato, a construção da fortaleza.
Perante a ameaça dos franceses, por ordem de D. João V, foi extinta a capitania e arrasada a fortaleza. Só em 1766,por ordem de D.José I, se deu início aos trabalhos de construção da grande fortaleza de S. José de Bissau, ainda hoje digna de se admirar.
Aparentemente este blogue terá chegado ao fim, atendendo a um post anterior relatando a morte do Rei D.João V.
Contudo, nada disso acontecerá, pois como digo no sublinhado ao título deste blogue, aqui têm cabimento, todos os facto ocorridos no espaço histórico-cultural, próximo de Portugal, no tempo em que decorreu o seu reinado, não tem por conseguinte esgotado todos os acontecimentos, bem longe disso.
Recomenda-se que, para um melhor enquadramento dos factos se sigam as etiquetas laterais, onde os acontecimento se encontram organizados por ordem cronológica.
No dia 29 de Julho de 1750, tinha o rei 60 anos, quando antes que se lhe toldasse o conhecimento, o cardeal-patriarca administrou a extrema-unção a D.João V, com a presença de todos os seus filho da Rainha "sentidíssima porém sem lágrimas" como se relatou na altura e do seu irmão infante D.António.
Segundo descrição da época "finalmente chegou o termo de expirar sua Magestade e sem movimento estranho, mas com serenidade e suma quietação, acabou a vida no Mundo", as 7 horas da tarde do dia 31 de Julho.
Imediatamente, após a família se ter retirado, segui-se o embalsamamento do cadáver real, observando-se que não havia lesões nos intestinos, muito embora a determinação da causa da morte indicasse qe "tanto do ventre como do cérebro vagava um licor morboso em tanta quantidade que se reconheceu acabara Sua Magestade de uma hidropisia do ventre mas não totalmente consumada".
As vísceras régias foram encerrada num vaso e enviadas para São Vicente de Fora, onde mais tarde o corpo viria ser sepultado. Não sem antes ter estado em câmara ardente, num dos maiores aposentos da Patriarcal, adornado com panos negros e onde se colocou um riquíssimo leito, com dorsel, sustentado por quatro pilares, uma peça de grande valor e já há muito destinado para as cerimónias fúnebres de pessoas reais.
No dia 3 de Agosto foi rezada pelo patriarca a missa de corpo presente e depois e vário cerimonial, pelas 9 horas da noite tudo se preparou para funeral.
Desfile de grande séquito, com a cavalaria do Terreiro do Paço e a infantaria nas ruas do percurso que seguindo pela Sé , e pelo Limoeiro até chegar ao local, onde os irmãos da Misericórdia puseram o caixão num esquife.
As cerimónias fúnebres foram magnificentes, decorrendo vários cerimoniais por todo o Reino, nomeadamente em Braga, governada pelo meio irmão de D.João, o arcebispo D.José,mas igualmente no Brasil e mesmo nalgumas irmandades de cortes estrangeiras, sediadas em Portugal, o fizerem.
A assinatura deste tratado, também designado como dos Limites é assinado entre D.João V e Fernando VI por parte da Espanha sobre os limites das possessões portuguesas e espanholas na América do Sul.
O diploma consagrou o princípio do direito privado romano do uti possidetis, ita possideatis (quem possui de fato, deve possuir de direito), delineando os contornos aproximados do Brasil de hoje.
Aquele tratado assinado a 13 de Janeiro de 1750, consta de duas partes uma de estruturação geográfica dos territórios dos dois países e outra da defesa recíproca contra ataques inimigos.
Em termos gerais pode dizer-se que este Tratado ao revogar o velho Tratado de Tordesilhas, acaba por traçar aquilo que é hoje o Brasil. Com efeito, antes do Tratado de Madrid, o meridiano de Tordesilhas excluía a região onde é hoje o território gaucho, que era posse espanhola.Assim o Rio Grande Sul, o território das Sete missões e outras áreas no interior do continente, ficam em definitivo pertença portuguesa e a colónia de Sacramento é cedida à Espanha.
As negociações tinham começado 4 anos antes mas apesar de Tomás da Silva Teles (Visconde de Vila Nova de Cerveira) ter representado Portugal, foi Alexandre de Gusmão o redactor do Tratado
Em que se regula a moderação dos adornos, e se proíbe o luxo e excesso dos trajes ,carruagens, moveis e lutos, o uso de espadas a pessoas de baixa condição, e outros diversos abusos, que necessitavam de reforma.
tiveram, também, o objectivo de trazer a exclusividade do luxo para a família real e acentuar, por esta via, a distância política entre a casa real, a aristocracia e as restantes elites, reforçando, por conseguinte, os efeitos do poder espectáculo.
Esta lei, interditava também as rendas de uso caseiro e pessoal, principalmente as de bilros, fabricadas em Vila do Conde e muito em voga na época ,ou rendas doutros locais como Peniche, cascais ou Setúbal,impondo sanções muito pesadas (pecuniárias, prisão, até degredo...) a quem a não cumprisse.
Os excessos que se estavam a cometer, já vinham desde os finais do reinado de D. Pedro II, mas agravaram-se durante o reinado de D. João V, pelo que se devem entender as pragmáticas, também como formas de controlo e disciplina, com o objectivo de servirem a distinção e a diferenciação social.
Foi longo o processo que antecedeu a publicação desse documento, ao longo de 31 capítulos determinava-se o que se deveria praticar em relação aos vários items, mas em todos os casos sempre uma ressalva que a lei não se estendia ás igrejas e ao culto divino.
A lei também se aplicava ás colónias, detalhando inclusivamente que os negros e mulatos, deviam usar, impedindo-os de trajar do mesmo modo que os brancos.
Tudo era regulamentado, não só as roupas ou jóias como objectos de decoração, cristais e vidros , mesmo que imitações de pedras preciosas. Quanto ao mobiliário nada de dourados ou prateados, só admitidos em molduras ou espelhos.
Sobriedade máximas nos veículos, nas carruagens e liteiras, nada de figuras ou máscaras, apenas as armas. Enfim um conjunto de detalhes muito vasto, porém com algo de positivos, não se permitirem de um modo geral importações, obrigando-se a produção em território nacional, ou em caso específicos vindos da Índia.
O que se disse atrás sobre o fundamento da pragmátca, para marcar a diferença social, fundamenta-se no facto da proibição da cor vermelha nos librés, por ser essa a cor dos librés da Casa real.
Estavam associadas medidas de segurança, como a proibição do uso de carapuças ou capotes que não deixassem ver a cara.
Foi grande a contestação possível como tentou explicar a Mesa do bem Comum do Comércio, na representação que enviou ao rei. logo que a Pragmática foi publicada, apresentando a sua argumentação quanto aos prejuízos que a referida lei iria trazer ao País e não demoraria a comprovar-se.
O reinado de D.João V, continua a ser uma época que gera grande controvérsia, uns apontado ao rei apenas o epíteto de gastador, realçando apenas a forma desbragada com que delapidou a colossal fortuna que em ouro e diamantes entrava regularmente em Portugal.
Para outros, preferem não realçar este característica mas a sua extraordinária acção em prole das mais variadas artes, quer proporcionando enriquecimento de conhecimento no exterior, quer "importando", artesãos e mestres dos mais variados ofícios e artes, que aqui desenvolvessem trabalho, semeando conhecimento e "artes de bem fazer".
Em especial os historiadores brasileiros, na sua maioria preferem sempre focar as "extorsões", que foram feitas na sua pátria, por um rei perdulário, referindo as enormes somas de dinheiro, que foram gastas por exemplo com o papado chegando a afirmar alguns que só pelo título de Fidelíssimo terão sido pagos 450 milhões de cruzados, verba que nem o nosso mal-dizente Oliveira Martins, atinge já que se fica por menos de metade.
Realmente o papa Bento XIV, deu a D. João V (e aos seus descendentes) o título de “Fidelíssimo”, aceitando a exigência do rei de ser tratado da mesma maneira que as três grandes monarquias católicas da Europa - a França, a Áustria e a Espanha - e honrou a Sé de Lisboa com o título de Patriarcal, que D.João V recebeu em 23 de Dezembro de 1748, título comparável ao dos reis franceses, o de rei Cristianíssimo.
De alguma forma, e muito embora muito dinheiro se tenha gasto, o certo é que as relações eram excelentes e se o rei obteve da Santa Sé grandes privilégios, também nunca negou o seu apoio e auxílio ao papado, sempre que solicitado, coisa que como se viu, não teve inteira correspondência, por parte de outras coroas europeias bem mais poderosas.
Como já havia descrito neste post a criação das secretarias de Estado em 1736, não passou dum expediente organizativo, encontrado na altura para uma melhor gestão dos assuntos correntes do Reino, em nada pusera em causa a importância política de D.João da Mota e Silva, conhecido como o Cardeal da Mota, um vimanarense nascido a 14 de Agosto de 1685 e que muito embora não ostentasse nenhuma secretaria, na prática o papel era o de Primeiro-Ministro.
Recorde-se que aos secretários de Estado, apenas competia, além dos deveres de fidelidade e sigilo, responder ao que lhe fosse perguntado, sem nada querer decidir.
A importância do cardeal da Mota, é bem maior ainda após o agravamento da doença do rei em 1742, a rainha é transitoriamente feita regente, com a assistência do príncipe herdeiro D.José, ao que parece contudo, quando também Mota adoeceu, o País ficou paralisado, pelo menos assim se queixava a princesa Mariana Vitória na correspondência que trocava com sua mãe.
João da Mota e Silva, exerceu o cargo de cónego da Colegiada de São Tomé, tendo sido feito cardeal por Bento XIII no Consistório de 2 de Novembro de 1727, a pedido de João V.
Foi eleito arcebispo de Braga em 1732, mas nunca obteve confirmação da Santa Sé.
Instituída em 1654 por Alvará Régio de D. João IV, a Casa do Infantado, pertença dos filhos segundos dos Reis de Portugal, incluía todos os bens confiscados aos simpatizantes de Castela após a Restauração de 1640.
Neste património incluía-se a Quinta de Queluz e o Pavilhão de Caça pertencentes, desde o último quartel do séc. XVI, a D. Cristóvão de Moura, 1º Marquês de Castelo Rodrigo. No ano de 1746, o infante D.Pedro, segundo filho de D. João V e de D. Mariana de Áustria, tomou a iniciativa de proceder à sua requalificação passando a Palácio, cujo projecto inicial foi confiado ao arquitecto Mateus Vicente de Oliveira, a ser adaptado a residência de veraneio da família real.
O corpo principal do Palácio, erigido até 1758, com as suas formas baixas e serpenteadas, decoração harmoniosa e intimísta, foi completado após o casamento do Infante D. Pedro com D. Maria Francísca, a futura rainha D. Maria I , altura em que os opulentos salões do interior foram enobrecidos, e bem assim os ricos jardins palacianos, povoados de fontenários barrocos, de estátuas e de recantos para folguedo. Nesta campanha interveio o grande mestre francês Jean Baptiste Rotillion (falecido em 1782), a quem se deve o célebre «PaviIhão Robillion».
Queluz, que tem sido não poucas vezes comparado com o Palácio de Versailles, difere do conjunto de Luis XIV (aliás um pouco anterior) no sentido de escala e de proporções que a sua traça revela, quiçá com uma distribuição de valores gráficos mais equilibrada, dentro de um neo-classicismo ainda muito apegado ao formulário rococó. Apenas a força e exuberância do Pavilhão concebido por Robillion de fortes influências europeias francesas, austríacas - constitui nota mais avantajada e «evoluída» pois tudo o resto é bem português, nas escalas e no próprio espirito artístico.
Créditos: IPPAR
Judas Maccabeu
Neste ano Handel estreia uma das suas últimas obras,
A colonização do Brasil por força de imigração sistemática, teve o seu início pouco anos depois do achamento, pois em 1532 uma expedição comandada por Martin Affonso de Souza, havia fundado uma primeira vila a que chamou São Vicente, que mais tarde se tornaria sede de próspera capitania.
Desde essa altura numerosos portugueses foram se estabelecendo ao longo do litoral brasileiro desde a foz do Amazonas até o estuário do Rio da Prata.
A emigração de casais açorianos para o Brasil começou no Século XVII, quando 50 familias constituídas por 219 pessoas embarcaram, no dia 29 de março de 1677, no barco Jesus, Maria e José em Horta, Ilha de Faial, com destino ao Grão Pará, atual Estado do Pará,.
A ideia era a fixação de famílias ao solo, para defender e povoar os actuias estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, pois a Coroa estava convencida que a melhor maneira de garantir a posse da terra era povoa-la.
Em 31 de agosto de 1746, o rei D. João V de Portugal comunicou aos habitantes das ilhas dos Açores que a Coroa oferecia uma série de vantagens aos casais ilhéus que decidissem emigrar para o litoral do sul do Brasil.
As vantagens do convite eram evidentes:
- "haverá um grande alívio nas ilhas porque elas não mais verão padecer os seus moradores, uma vez que vão diminuir os males da indigência em que todos vivem;"
- "haverá um grande benefício para o Brasil, já que os imigrantes irão cultivar terras ainda não exploradas."
O edital acenava com uma série de mordomias, a partir do "transporte gratuito até os sitios que se lhes destinarem para as suas habitações. e logo que chegarem aos sitios que haverão de habitar, se dará a cada casal uma espingarda, duas enxadas, um machado, uma enxó, um martelo, um facão, duas facas, duas tesouras, duas verrumas, uma serra com sua lima e travadeira, dois alqueires (27,5 litros) de sementes, duas vacas e uma égua.
No primeiro ano se lhes dará a farinha, que se entende bastar para o sustento, assim dos homens como das mulheres, mas não às crianças que não tiverem 7 anos e, aos que tiverem até os 14, se lhes dará quarta e meia de alqueire para cada mês.
Se dará a cada casal um quarto de légua em quadra, para principiar as suas culturas, sem que se lhes levem direitos nem salários algum por esta sesmaria. E quando, pelo tempo adiante tiverem família com que possam cultivar mais terra, a poderão pedir ao governador do distrito".
Estabeleceu-se que esses casais açorianos seria colocados em Santa Catarina e nas suas vizinhanças, "em que a fertilidade da terra, abundância de gados e grande quantidade de peixes conduzem muito para a comodidade e fartura desses novos habitantes".
Em menos de um ano, 7.817 pessoas declararam o desejo de se transferirem para o outro lado do Atlântico.
Com a morte de Filipe V a filha de D.João V , D.Maria Bárbara de Bragança pelo seu casamento com o Infante Fernando de Bourbon, torna-se Rainha de Espanha.
Tida como mulher de grande cultura, protectora das belas-artes, especialmente da música, teve como mestre Domenico Scarlatti, tendo rogado a seu pai quando do seu casamento, que deixasse Scarlatti partir para Madrid
Nomeado maestro de camera em 1746, da agora Rainha Maria Bárbara, ocupou esta posição até à sua morte, em 1757, formando com o seu mestre uma das duplas mais profícuas da história da música ocidental, já que a rainha era eximia com interprete do cravo.
Domenico Scarlatti nasceu em Nápoles no ano de 1685 (ano em que também nasceram Häendel e Bach), e morreu em Madrid em 1757, consagrado como um dos maiores compositores para cravo do séc. XVIII, a par de Bach e Couperin.
Scarlatti é um dos grandes, se não o maior virtuoso do período tardio do barroco. As sonatas que em Espanha viria a compor são testemunhos da grande capacidade de composição e execução de Scarlatti, e nelas inova de uma maneira nunca vista, introduzindo habilidades como mãos cruzadas, dando maior liberdade de composição e execução aos compositores vindouros.
A sua música é extremamente inventiva, e as suas sonatas para cravo são densas experiências auditivas, devido à sua complexidade. Um testemunho de um recital por Scarlatti afirmou que dentro do cravo se encontravam mil diabos, tal era a chama que saía daquele génio.
*A nomeação do marquês de Castelo Novo, para vice-rei da Índia
O preenchimento do cargo de vice-rei continuava a ser ocupado, pela principal nobreza, porque nisso via vantagens honoríficas e pecuniárias, mau grado o destacamento para paragens tão longínquas.
Porém desde a segunda nomeação do conde da Ericeira, que a preocupação do Rei e do Cardeal da Mota seu principal conselheiro, consistia em reduzir as despesas, que como se adivinha sempre torna menos interessante, este tipo de missões. Nomeadamente porque a redução do número de Companhias e a consequente redução de oficiais porque no dizer de Mota " a guerra regular na Índia, não necessita de tantos". Por consequência menos mercês que caberia também ao vice-rei satisfazer e provavelmente prometidas, deixariam de poder ser satisfeitas. Talvez por isso quando D. Pedro de Almeida, foi notificado por carta da respectiva Secretaria de Estado, para o cargo de vice-rei da Índia, não colheu grande satisfação da parte desse dignatário da corte, nessa altura conde de Assumar, declarando-se "inconsolável, pelo desarranjo em que deixa a sua casa". Tudo tentou em sua defesa, para se isentar dessa tarefa, relatando inclusivamente encargos com filhos e extensas e pesadas dívidas que deixava em sua casa. O rei mostrou-se inflexível com a nomeação mas generoso com as mercês, aumentando a frota para três naus e concedendo tudo o que o conde achasse conveniente. Naturalmente que a aceitação do cargo não pode deixar de acontecer. Verbas reforçadas para ajudar a resolver as problemas financeiros apresentados.
Recrutamentos à força não foram suficientes para as prometidas 3 naus, ficando-se por apenas 2 naus. Finalmente com a atribuição do título de marquês de Castelo Novo, se despediu do rei, tendo lhe este dito que " só dele fiava a restauração daquele Estado".
*-Auto de fé em Lisboa(21 de Junho)-Sentenciados 22 homens e 11 mulheres, acusados de maçónicos. Primeira sentença contra maçons radicados no país.
Como já disse o auto de fé, era um dos espectáculos favoritos do rei, nem nos anos da sua doença deixou de o fazer, porém dads as dificuldades de locomoção, D.João V ia de véspera para casa do inquisidor-geral o cardeal da Cunha ali pernoitando. tudo se fazendo para que o povo não se apercebesse da sua debilidade física. Não houve por este motivo noticia se teria assistido a este.
Este desenho hoje recebido, que me foi enviado pelo amigo Pedro Rodrigues, reflecte na perfeição o meu entendimento do que pretendo este blogue assuma.
Não um espaço doutoral de "educação de massas", título para o qual não me acho competente, mas um espaço ao dispor de toda a gente que queira colaborar.
As únicas condições requeridas, são naturalmente e em primeiro lugar, se garanta o requisito mínimo de credibilidade, por forma a que se não torne este espaço inútil.
Em segundo lugar que os factos aqui referidos estejam datados, entre as datas da vigência do reinado neste caso de D. João V, entre os anos de 1707 e 1750, ano da sua morte.
As matérias aqui referidas, não necessitam de versar exclusivamente a História de Portugal, qualquer matéria acontecida no espaço cultural europeu ou não, tem sempre interesse ser referido. Por esta razão este blogue não fechará portas, nem se considerará esgotado com a morte de D. João.
O meu email encontra-se anunciado no meu perfil e desde já agradeço, todas as questões que me queiram colocar, ou colaboração que entendam por bem enviar.
Naturalmente que o que aqui digo no que ao âmbito do conteúdo da matéria a utilizar neste blog, é extensível a todos os outros "blogues reais" que tenho em aberto
Voltando á pintura remetida pelo amigo Pedro Rodrigues que me disse tratar-se "duma pinturinha que fiz em tempos d el-rei D. João V , inspirado nos retratos de Louis XIV feitos por Rigaud em 1710 ou 1715", lhe digo que acho muito interessante e aproveitando a sua autorização para a publicar, assim farei como terá ocasião de observar.
A construção da capela de S. João Baptista, na Igreja de São Roque dos jesuítas, em Lisboa, esta intimamente relacionada com a doença do rei.
Encomendada no ano anterior pelo rei ao representante português em Roma, Manuel Pereira de Sampaio, "para que se faça logo em desenho pelo melhor arquitecto".
Dava-se alguma liberdade ao arquitecto, mas impunham-se condições quanto à magnificência da obra e ao mesmo tempo de indicava que os painéis seriam entregues ao pintor Agostino Masucci, ao mesmo tempo que se pedia a máxima brevidade, sem se explicarem as razões para tal pressa mas por certo relacionada com a doença do Rei.
Começou a ser construída em 1743, desde a primeira hora sob a direcção do padre Carbone, a quem incumbiu a tarefa de cordenador deste projecto grandioso. Os arquitecto foram Nicola Salvi e Luigi Vanvitelli e a obra teve a particularidade de ser construída em Itália e posteriormente enviada para Lisboa. Em 1 de Setembro de 1747 chegaram a Lisboa os 3 navios que traziam diferentes objectos e materiais para a capela bem como operários especializados e que mais tarde viria a trabalhar em Mafra.
As obras começaram em Novembro de 1747 e a pressa que se lhe deu, fizeram que em Dezembro estavam já prontos os alicerces, mas tendo só sido concluída em 1750, muito embora os dois quadros do mosaico Baptismo de Cristo e Vinda do Espírito Santo, só tenham sido colocado em 1752
Caracteriza-se por um neo-classicismo rocaille. Na sua composição entram materiais preciosos como os bronzes dourados e variadas espécies de mármores.
Os anjos e os medalhões que embelezam o tecto são em mármore de Carrara.Os quadros laterais e o piso da capela são em mosaico.
A Capela veio enriquecida por belíssimas peças de culto; paramentos, alfaias litúrgicas, pinturas, peças de ourivesaria, rendas e livros, que compõem o núcleo museológico agregado à própria Igreja, e que são um valiosíssimo repositório de arte e sonho.
*-Nascimento de Boccherini
Nasceu em Lucca (Itália), em 19 de fevereiro de 1743, filho de um contrabaixista. Como violoncelista, participou de turnês com o violinista Manfredi, aluno de Nardini, e os dois causaram sensação em Paris, de onde avançaram até a Espanha, atraindo, após algumas dificuldades iniciais, o patrocínio de Don Luís, irmão do rei. A família Boccherini distinguia-se em outras áreas, como poetas e dançarinos, e esteve envolvida várias vezes com o teatro em Viena, cidade que o próprio Boccherini visitou mais de uma vez no início de sua carreira.
Mesmo com a morte de Don Luís, a pensão espanhola de Boccherini continuou, e ele pôde assumir o título, e provavelmente as obrigações, de compositor junto a Frederico Guilherme II, que em 1787 sucedeu ao tio, Frederico o Grande, como rei da Prússia. Não há indícios de que Boccherini tenha vivido ou trabalhado em Berlim, onde o rei violoncelista reunira outros compositores e executantes do instrumento. Qualquer que tenha sido o emprego, chegou ao fim com a morte do rei, em 1797.
Escreveu um Stabat Mater de emoção profunda, uma ópera, La Clementina, o muito conhecido Concerto para violoncelo em ré maior, sonatas para violoncelo, e sobretudo 120 quintetos para cordas, além de 100 quartetos para cordas, 60 trios, 20 sinfonias, 21 sonatas para violino, uma cantata de Natal, uma missa, etc.
O minuet do Quinteto para cordas em mi maior talvez seja a peça mais conhecida da música tipicamente rococó, que abaixo se reproduz
De um modo geral pode dizer-se que D.João V foi uma pessoa saudável. Umas bexigas em criança, papeira já depois de casado e mais um ou outro problema menor era tudo o que a Gazeta de Lisboa, noticiara , acerca dos problemas da saúde do Rei.
A partir de 1740 porém, a correspondência real com o cardeal da Mota, começa este a queixar-se da sua saúde, nomeadamente da cabeça e de problema de visão. Até que na tarde de 10 de Abril de 1742, "estando sua majestade a despachar lhe sobreveio um estupor que o privou dos sentidos e ficou leso da parte esquerda e com a boca à banda", segundo noticiou uma gazeta manuscrita.
Por entre orações e devoções no convento da Madre de Deus, por parte da Rainha, sangramentos e recomendações do cardeal-patriarca as igrejas e conventos, ordenando preces públicas com o Santíssimo exposto, pelas melhoras de El-rei.
Mais dum mês de procissões e preces diversas, não trouxeram ao Rei, qualquer tipo de melhoras, mas mantendo-se contudo o seu estado estacionário, que se deveu segundo se disse na época à sua boa robustez física sem a qual teria por certo passado à sepultura.
A versão oficial, do estado do rei, contrariava a que corria na família a avaliar pela correspondência de D.Mariana Vitória com sua mãe a Rainha de Espanha, onde relatava que pelo menos momentaneamente D.João V não se encontrava em seu juízo perfeito e noutras ocasiões falando mais do que devia, sobretudo quando falava de episódios inconvenientes da sua vida.
Resolve então partir para banhos nas Caldas, não sem antes ter retribuído com generosas quantias às entidades que por ele oraram, promoveram as procissões ou a colocação de imagens santas no Paço Real.
As águas das Caldas eram aconselhadas para um grande número de maleitas, desde convulsões a queixas de cabeça e estômago a esperança de todos é que também pudesse trazer melhorias à paralisia que afectava o Rei.
Os preparativos da deslocação foram apressados, porque não se tratava só da deslocação do Rei, mas dum conjunto de pessoas que faziam parte da corte, incluindo os respectivos criados.
A sua permanência nas Caldas nesta primeira fase duraria cerca dum mês, só regressando a Lisboa no dia 17 de Agosto.
Esta primeira metade do século XVIII, foi dum modo geral marcado, no plano internacional, por permanentes conflitos entre as coroas inglesa e espanhola. Tudo girava à volta do comércio marítimo e da consequente rivalidade de interesses, que dava origem em sem número de conflitos.
Era muito difícil para Portugal guarda uma posição de neutralidade, sempre que esses conflitos surgia, por uma lado a Espanha apelava à solidariedade ibérica e à proximidade familiar das casa reais, por outro a Inglaterra sempre invocava a velha questão da aliança e das vezes que havia socorrido contra algumas arbitrariedades espanholas.
Por coincidência outra questão muito mais importante abalou na altura a Europa, passando para segundo plano o irritante e permanente conflito hispano-britânico.Falo da guerra de sucessão do trono austríaco , que logo neste ano de 1740 eclodiu originado pela morte do Imperador Carlos VI.
O estado alemão era realmente uma federação de estados, que elegiam entre si um deles como Imperador cuja corte se situava em Viena de Áustria. Raro era porém a vez que a morte dum imperador não provocasse alguma agitação mais ou menos violente entre os seus Estados, envolvendo muitas vezes outros países, exteriores ao Império, mas cujos soberanos, normalmente parentais se achavam com direito a reclamar esse ceptro.
Pela Pragmática sansão, Carlos VI assegurou a sua sucessão a sua filha Maria Teresa, casada como Francisco de Lorena, duque de Toscana. Gerou-se em torno desta questão imensa polémica e conflito de interesses de difícil sintese, mas que envolviam igualmente primas de Maria Teresa filhas de D.José I a quem Carlos VI havia sucedido.
Atalhando razões o certo é que com o apoio de Frederico II da Prússia e dos franceses, o eleitor da Baviera, Carlos Alberto é nomeado Imperador com o nome de Carlos VII. Esta vitória traduzia-se igualmente numa derrota da Inglaterra o do governo do ministro Walpole, apoiante de Maria Teresa.
Esta guerra que ficou conhecida pela guerra da Sucessão na Áustria, irá estender-se até ao ano de 1748 e se bem que tenha envolvido grande parte das nações europeias nesse conflito, além de afastar, como disse a premência incomodativa para Portugal, dos referidos conflitozinhos permanentes entre a Inglaterra e Espanha, veio pela conjugação de vários factores, que se tentarão explicar em futuros post, dar a Portugal a oportunidade para, além de se manter neutral, poder assumir o importante papel de medianeiro da paz, que poderia elevar o conceito de Portugal no resto da Europa.
Pela segunda vez D.Luís de Menezes embarca em Lisboa com destino à Índia para cumprir o mandato de Vice-rei.
Embarca no dia 7 de Maio de 1740, já com o título de Marquês do Louriçal, chefiando um esquadra de 7 naus de guerra, que transportavam 2000 soldados e dezasseis peças de artilharia de um novo sistema que disparavam 20 tiros por minuto, invenção segundo se supõe, dum oficial dinamarquês Jacob Weinholtz, residente em Portugal.
A viagem foi tormentosa só chegaram a Mormugão um ano depois, mas não perderam tempo pois em 13 de Junho desse ano tomam de assalto a fortaleza de Coquem e forçam a rendição de Colsala, dando início a uma rápida e convincente recuperação territorial, retomando Bardez e Salsete, conseguindo depois disso, forçar Bounsoló à rendição e a pedir a paz e obrigando-o a devolver Sanguem e Pondá.
Não durou muito a acção do marquês do Louriçal, pois viria a falecer em Goa a 12 de Junho de 1742, apenas 13 meses de exercício de poder.
Viria a ser substituído 2 anos mais tarde por D.Pedro Miguel de Almeida nessa altura marquês de Castelo Novo e futuro marquês de Alorna.
*****Outros acontecimentos***********
Junho,01-O Cavaleiro de Chavigny é nomeado embaixador da França
O conde de Chavigny visita o secretário de Estado de acordo com a regra protocolar portuguesa.
Início da construção da Igreja do Senhor Jesus da Pedra em Óbidos
Fora da Vila, na estrada para as Caldas da Rainha, ergue-se o Santuário do Senhor da Pedra, templo inaugurado em 1747.
O risco da obra é de autoria do Arq. Capitão Rodrigo Franco (da Mitra Patriarcal) e tem a particularidade de articular um volume cilíndrico (exterior) com um polígono hexagonal (interior), em planta centrada à qual se anexam três corpos (dois correspondentes às torres e outro que corresponde à sacristia).
No seu programa de simetrias destaca-se o jogo de janelas invertidas. O seu interior apresenta três capelas: a capela-mor dedicada ao Calvário, com uma tela de André Gonçalves, e as capelas laterais dedicadas a Nossa Senhora da Conceição e à Morte de São José, com telas de José da Costa Negreiros.
A "estranha" imagem de pedra de Cristo Crucificado, em maquineta própria no Altar-Mor, esteve até à inauguração do Santuário recolhida numa pequena ermida junto à estrada para Caldas da Rainha onde era objecto de grande devoção, nomeadamente do Rei D. João V.
Bento XIV (no século Prospero Lambertini, papa; Bolonha, 1675 - Roma, 1758), sucessor de Clemente XII, foi papa de 1740 a 1758. Dotado de grande equilíbrio e moderação, demonstrou essas suas qualidades tanto nas relações com os outros Estados, estipulando numerosos tratados e acordos com muitos soberanos europeus, como nas questões internas da Igreja, por exemplo, na controvérsia entre jesuítas e antijesuítas.
Com a bula "Omnium sollicitudinum" (1744), condenou as teses jesuítas favoráveis aos ritos chineses e malabares.
Este papa também é lembrado por sua apaixonada actividade de canonista e notável é a quantidade de suas obras nesse campo.
Após o regresso de Saldanha da Gama a Portugal, deixando o cargo de Governador Geral da Índia, marcado pela perda de Mombaça, ainda que reconhecidamente sem culpa, com os créditos dum governo dos mais brilhantes naquele território, foi nomeado como Vice-rei em 1732, D.Pedro de Mascarenhas, conde de Sandomil, já com a idade de 62 anos, muito embora a sua folha de serviços de brilhante militar, tenha induzido D.João V a esperar dele um governo enérgico, de acordo com as exigências do momento.
Porém o governo da Índia viria a revelar-se já excessivamente pesado e complexo para a sua idade.
Os maratas, (que em sentido lato se refere ao povo do Decão ocidental (Maharxtra), é na acepção restrita, a tribo militar histórica dessa região,e que constitui uma casta), achavam-se no apogeu da sua força e da sua arrogância e os seus marajás eral nessa época os maiores inimigos dos povos ocidentais.
Foi efectivamente desastroso porque em 1739 se perdeu Baçaim, cidade tão importante que lhe chamavam a corte do Norte; perdeu-se a Ilha de Karanjá, Trapor, Sarapour,Tana
Foi desde então que, na costa norte, Portugal ficaria apenas com Damão e Diu.
A invasão dos maratas, que assolaram as terras de Bardez e de Salsete, que puseram Goa em risco de se perder e as vitórias do pirata Angriá que em 1740 destruiu a esquadra portuguesa, completaram a série de infortúnios que assinalaram o governo do conde de Sandomil, que durou de 1732 a 1739
As causas principais desses desastres, foi a inércia e desleixo do governo de Lisboa, a falta de energia do vice-rei, a guerra surda que lhe promovia o arcebispo francês, que era um homem intolerável, e as intrigas dos ingleses, também eles interessados em acabar com a cocorrência que significava a presença portuguesa na Índia
A 18 de Maio de 1741 entregou o governo ao seu sucessor, o marquês de Louriçal, que como se verá viria a conseguir estancar as percas registadas pelo anterior vice-rei. *****Outros acontecimentos*******
1738-Novembro,29-Sebastião José vai substituir o embaixador Marco António de Azevedo Coutinho.
1739-Janeiro,29-Lei dos tratamentos
Por esta lei foram definidos quem pode usufruir dos tratamento de "excelência" e o de "senhoria". Consagra e delimita a primeira elite da monarquia na qual têm lugar os grandes eclesiásticos e seculares não se incluindo viscondes e barões e alguns altos dignitários. O rei levou muito a sério o cumprimento desta lei chegando a repreender os dignatários que não a respeitassem ou a não fizessem respeitar, aceitando por exemplo o tratamento por Senhoria quando a ele não tinham direito.
Setembro,29-Nascimento de D.Maria Francisca Doroteia de Bragança 3ª filha de D.José I e de D Mariana Vitória
este tratado seria o percursor do Tratado de Madrid, uma convenção assinada entre Portugal e Espanha, em 13 de janeiro de 1750, para assentar as fronteiras das possessões na América do Sul.
Também por esta altura foram reatadas as relações diplomáticas com a França, D.Luís da Cunha é nomeado embaixador em França e o marquês de Argenson embaixador em Portugal.
Foi mais demorado o reatamento das relações com a França, provavelmente por não ter havido o empenho inglês, como no caso espanhol
António José da Silva o Judeu-apresentação das Guerras do Alecrim e Manjerona no mesmo ano de nova prisão
Em 1737, denunciado por uma escrava, foi levado novamente às barras da Inquisição em companhia da mulher e da filha. E, ao fim de dois anos, acabou sentenciado a morrer degolado e queimado em auto-de-fé, em cadafalso armado no Terreiro do Trigo.
Até ser preso pela Inquisição, António José viu encenadas várias peças em Lisboa, a mais famosa a ópera Guerras do Alecrim e da Manjerona (1737), inspirada nos conflitos entre os ranchos de Coimbra, a única obra teatral ambientada em Portugal e impressa pouco antes de ser levada à cena.
Outros acontecimentos fora de Portugal ****************************
Nascimento de Johann Michael Haydn
Johann Michael Haydn nasceu em 14 de setembro de 1737, em Rohrau (Áustria). Era o irmão mais novo de Franz Joseph Haydn. Foi menino no coro da igreja de Santo Estevão em Viena, recebendo cedo a instrução musical, da mesma forma como seu irmão. Lá, estudou também violino, teclado e contraponto.
Saiu do coro quando a sua voz engrossou, e passou a ganhar a vida como músico independente. Em 1757, tornou-se mestre de capela do bispo de Grosswardein, na Hungria (hoje Oradea, Romênia), e em 1762 foi primeiro violino da orquestra do arcebispo de Salzburgo.
Permaneceu como primeiro violino da orquestra para o resto da vida, e sucedeu Mozart, como organista da catedral, em 1781. Foi amigo íntimo de Mozart (o compositor austríaco que em 1783, dedicou-lhe dois duetos para violino e viola, KV 423 e KV 424) e professor de Weber. Deu aulas também para Anton Diabelli e Sigismund Neukomm.
Quando Salzburgo foi invadida por forças francesas em 1800, J.M.Haydn perdeu toda sua propriedade e alguns de seus trabalhos. Constantemente em más condições financeiras, foi ajudado por seu irmão e amigos (inclusive Mozart) durante os tempos difíceis.
Eram lhe oferecidos vários trabalhos em outros lugares, mas rejeitava na esperança de que sua situação em Salzburgo melhorasse. Com o tempo, isso aconteceu. J.M.Haydn morreu em 10 de agosto de 1806, em Salzburgo (Áustria), sendo enterrado no cemitério de São Pedro.
J.M.Haydn é conhecido por suas missas, sendo considerado, neste gênero, superior a F.J.Haydn, seu irmão mais famoso. E foi no funeral deste irmão que foi utilizado o Requiem em dó menor (1771), que influenciou o Requiem de Mozart. A Missa de São Jerônimo (1777) é obra grande e festiva, com grande número de instrumentos de sopro (obóes, fagotes) em vez de cordas. Excelente trabalho para orquestra e solistas vocais é a Missa espanhola (1786), ao passo que a Missa de São Leopoldo é a sua última obra completa.
Escreveu também cerca de 30 sinfonias, belas óperas, serenatas, marchas, minuetos e várias músicas de câmara para diversos instrumentos. Sua música instrumental reflete o lirismo tipicamente vienense e um bom humor, como o Divertimento em ré maior (1764). Créditos: Clássicos
É desse divertimento que se apresenta o vídeo em baixo
No início do século XVIII, a administração do Reino, embora tutelada directamente pelo monarca, era coordenada, essencialmente, por três secretarias que tinham a função de organizar e de submeter a despacho régio as "consultas" dos diversos órgãos da administração central - tribunais, conselhos ou mesas - com responsabilidades na condução dos negócios do Reino.
Desde logo, D João V encontrou na estrutura administrativa concebida pelos seus antecessores um obstáculo ao projecto de centralização dos mecanismos de decisão e execução das ordens régias. Com efeito, a orgânica administrativa obedecia a um complicado mecanismo burocrático que, ao invés de tornar mais célere e eficiente o papel da administração central, concorria não só para a sua ineficácia como para a subsistência das instituições típicas da época feudal.
O monarca, pela sua carta de 28 de Julho de 1736, reorganizou as três Secretarias, designando-as todas de "Estado": Secretaria de Estado dos Negócios Interiores do Reino, Secretaria de Estado da Marinha e Domínios Ultramarinos e Secretaria de Estado dos Estrangeiros e Guerras. Esta reestruturação correspondeu a um maior grau de especialização das pastas governamentais, bem como à definição mais precisa das atribuições de cada uma das Secretarias.
A função desempenhada pelos Secretários de Estado revestiu-se, ao tempo de D. João V, de maior prestígio e protagonismo políticos. Equiparados aos mais altos dignitários do reino, aqueles Secretários passaram a ter voto no Conselho de Estado e a ocupar um lugar cada vez mais proeminente junto do soberano, influenciando, desde então, a tomada de decisão em relação aos negócios que tutelavam através das respectivas secretarias.
Os Secretários de Estado acabaram mesmo por afastar os conselheiros de Estado do despacho ordinário dos negócios, tendo a actividade do Conselho diminuído francamente durante o reinado de D. João V. Por seu turno, as Secretarias de Estado foram absorvendo as competências que dantes eram apanágio dos diversos Conselhos, concorrendo, assim, para a sua gradual desvalorização política.
Fonte :Ministério da Administração Interna. ******************************************** Outros acontecimentos em Portugal ********************************************
Fevereiro,28-Decreto que obriga que o transporte de ouro, diamantes e outras pedras preciosas do Brasil, tenham que ser obrigatoriamente transportadas nos cofres das frotas
Julho,15-Morte em Lisboa de D. Francisca Josefa (nasceu em Lisboa, a 30 de Janeiro de 1699) 8º filho de D.Pedro II, está sepultada no Mosteiro de S. Vicente de Fora). Morreu solteira.
Agosto,03-Morte na quinta de Belas de D. Manuel José Francisco António Caetano Estêvão Bartolomeu (nasceu. em Lisboa, a 3 de Agosto de 1697),7º filho de D.Pedro II. Faleceu no mesmo dia do seu nascimento e está sepultado no Mosteiro de S. Vicente de Fora.. Morreu solteiro e sem descendência.
Outubro,07- Nascimento de D. Maria Ana Francisca Josefa, faleceu no Rio de Janeiro, a 16 de Maio de 1813, 2º filho de D.João V, está sepultada no Convento do Desagravo do Santíssimo Sacramento, em Lisboa.
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Março,16-Morte de Pergolesi compositor italiano
Atacado pela tuberculose pulmonar, Pergolesi faleceu em Pozzuoli (Itália), para onde tinha ido se tratar, aos 26 anos. Tinha acabado de terminar o seu belo Stabat Mater. Seus pais tinham morrido jovens e os seus três irmãos e irmãs, na primeira infância. Ele próprio, fraco desde sempre, tinha uma deformação na perna esquerda, talvez de origem tuberculosa.
Se notarmos que os seus estudos musicais se prolongaram até 1730 e que as suas primeiras obras não fizeram sensação, fica-se estupefato com a prosperidade de uma carreira musical com pouco mais de cinco anos de duração.
A Soprano Katia Ricciarelli e a mezzo Lucia Valentini cantam o primeiro movimento do Stabat Mater a última obra de Pergolesi
Os Corus e a Orchestra são do La Scala, conduzidos por Claudio Abbado.
La pacienza di Socrate, foi a primeira ópera, escrita por um autor português Francisco António de Almeida, estreou nos Paços da Ribeira, no Carnaval de 1733.
Este compositor foi um foi um dos que pertenceram ao pequeno grupo de compositores portugueses enviados para Roma a expensas da corte de D. João V, com a finalidade de se aperfeiçoarem na arte da música.
Francisco de Almeida representa sem dúvida "o estrangeirado": a sua música é puramente italiana.Francisco António de Almeida viveu na primeira metade do séc. XVIII.
Embora não se saibam ao certo as datas correctas do seu nascimento e da sua morte, tudo leva a crer que tenha nascido por volta de 1700 ou 1702 e que a sua morte tenha ocorrido por volta de 1755.
Foi, com António Teixeira, Joaquim Vale Mexelim e João Rodrigues Esteves, um dos primeiros pensionistas enviados a Roma por D. João V para estudar música italiana. Aí permaneceu durante 6 anos entre 1720 e 1726.
Dois anos depois, no Carnaval de 1735, Almeida apresentou, também nos Paços da Ribeira, a ópera “La Finta Pazza”, a que se seguiu no Carnaval de 1739 a ópera cómica “La Spinalba overo Il Vecchio Matto”.“La Spinalba”, cujo estilo elegante e extremamente expressivo nos faz recordar “La Serva Padrona” de Pergolegi, foi a única ópera de Francisco António de Almeida que chegou até nós completa.
Inúmeras obras suas de carácter religioso perderam-se provavelmente com o terramoto de 1755.
Ainda no domínio da música religiosa Francisco António de Almeida compôs duas oratórias “Il Pendimento de David” e “La Giuditta”, esta última inspirada no livro apócrifo do Velho Testamento e a única que chegou até nós.
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Conclusão da torre da Universidade de Coimbra
Edificada entre 1728 e 1733, em substituição de uma outra erigida em 1561, a Torre da Universidade foi desenhada pelo arquitecto romano António Canevari, a trabalhar em Portugal ao serviço de D. João V, constituindo a primeira das torres universitárias europeias.
Elegante e raro exemplar de torre barroca de carácter civil, de sobriedade clássica, aloja, além dos relógios, os sinos que regulam o funcionamento ritual da Universidade. ******************************
Revestimento total da abóbada da Igreja de São Francisco no Porto em talha dourada
O estabelecimento dos Franciscanos no Porto data de 1223, ano de um documento doando terrenos para a construção do convento. Por querelas com o bispo, as obras só terão arrancado definitivamente em 1244, prolongando-se pelo século XIII.
Desse primitivo conjunto nada chegou até hoje, já que no século XV o convento foi integralmente reformulado, concluindo-se entre 1410 e 1425.
Originalmente a cobertura era em abóbada de cruzaria de ogivas, mas foi nesta altura totalmente revestida por uma solução em talha dourada. *******************************
Em 24 de Setembro de 1731 o papa Clemente XII, acaba com o conflito existente com D.João V e concede finalmente o cardinalato ao ex.núncio em Lisboa Monsenhor Bichi, que tinha estado na origem do corte de relações com a Santa Sé em 1728 no pontificado de Bento XIII, como havia sido referido em
O reatamento das relações foi confirmado com a chegada a Lisboa do novo núncio em Setembro de 1732. ********************************************* Outros acontecimentos em Portugal *********************************************
Março,10- Proibição da vinda para Portugal de mulheres residentes no Brasil
Abril-Inicia-se a construção da Igreja dos Clérigos no Porto.
Setembro,16-Explosão do paiol de munições de Campo Maior, devido à queda dum raio que provocou inúmeros mortos e feridos e grande prejuízos.
Dezembro,24-Decreto que crias as academias militares de Elvas e Almeida
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Março,31--Nascimento de Haydn, compositor austríaco
Franz Joseph Haydn nasceu em Rohrau na Baixa Áustria. De família pobre, filho de Mathias Haydn (1699-1763), um carpinteiro de carros, e de Maria Koller (1707-1754), uma cozinheira, Joseph foi o segundo de uma família de doze crianças.
Haydn foi, após instrução inicial com um mestre-escola em Hainburg (1736), admitido no coro da catedral de Santo Estevão, em Viena onde, conhecido por suas travessuras, completou a sua educação musical. Levou depois vida modesta de músico de tavernas e serenatas populares. Através de Niccolo Porpora entrou em contato com o grande mundo da música. Em 1759 foi nomeado diretor musical da câmara do conde Morzin, da Boemia.
Terminou seus dias cercado de constantes visitas, admiração e respeito, transmitindo seus ensinamentos aos jovens, dentre os quais o mais ilustre foi Beethoven. Haydn morreu a 31 de maio de 1809, ao ser a cidade ocupada pelas tropas de Napoleão, e foram os próprios oficiais franceses que formaram a guarda de honra no seu enterro. No decorrer de uma importante cerimonia em sua memória, no dia 15 de junho de 1809, foi executado o Requiem de seu amigo Mozart.
Um trecho e Haydn a parte final da Sinfonia 88 G Major Op 56 Allegro con Spirito - com Leonard Bernstein em 1985 dirigindo a Filarmónica de Viena. A particularidade de repetir todo o movimento apenas dirigindo com a expressão facial é notavel.
O ano de 1729 foi o do duplo casamento de seus filhos D.Maria Bárbara com D.Fernando princípe das Astúrias e herdeiro da coroa Espanhola e D.José com D.Mariana Vitória irmã do futuro rei de Espanha.
Dezembro,08-Inauguração da Fábrica de pólvora de Barcarena.
ver detalhes clicando aqui ********************************* Outros acontecimentos em Portugal *********************************
Junho,20-Impostos para a construção do aqueduto das Águas livres
Foi assinado um decreto que autorizou o Senado de Lisboa a regular os géneros sobre os quais se lançariam impostos para a construção do aqueduto das Águas Livres
para ler mais clicar aqui ********************************** Outros acontecimentos fora de Portugal **********************************
Espanha-Espanha, França e Inglaterra assinam o Tratado de Sevilha
Desta forma a Espanha separa-se do Império Habsburgo, aproximando-se da França. è confirmada a renúncia espanhola a Gibraltar.
Os ducados italianos de Parma e da Toscana passem para a posse de D.Carlos filho de Filipe V e de Isabel Farnese.
Além disso
Nos termos do tratado de Sevilha, navios ingleses não tinham o direito de violar o monopólio espanhol sobre o comércio com as colónias da Espanha nas Américas e a Espanha se comprometia a controlar a pirataria contra as colónias inglesas no Caribe.
Como era usual naquele tempo, os barretes cardinalício eram concedidos por sugestão dos reis, numa manifestação de independência face ao Papa, mas de certo modo pressionados por Espanha, o Papa tenta impedir a afirmação de independência da Igreja Católica em Portugal.
Por essa razão não é elevada a Cardeal o antigo núncio monsenhor Bichi, conforme pretendia D.João V, preferindo indicar para cardeal Monsenhor Firrão.
Na sequência desse incidente D. João V acabou por corta relações com o Vaticano retirando de Roma o representante português André de Melo e Castro, sendo expulsos de Portugal todos os súbditos do Papa.
A morte do Arcebispo de Braga D.Rodrigo de Moura Telles em Setembro deste ano, trouxe para a Igreja bracarense em período de Vacante, motivada por esse corte de relações.
Também o arcebispado de Braga, era ocupada por um Arcebispo indicado pelo Rei e confirmado pelo Papa o que dadas as circunstâncias também não aconteceu, durante 3 anos, tanto quanto duro o corte das referidas relações, mantendo-se então a Arquidiocese governada durante esse espaço de anos pelo Cabido.
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Janeiro-John Gay estreia em Londres a Ópera dos Mendigos
A Ópera do Mendigo data do início do século XVIII. Foi escrita pelo inglês John Gay, em 1727 com música adaptada por John Christopher Pepusch, estreando em Londres em janeiro de 1728.
John Gay escreveu sua própria versão de ópera, apropriando-se do fascínio que ela suscitava nas platéias londrinas. Estabelecia-se aí um novo genero operístico, a ópera-balada, consagrado imediatamente pelo público. Nesta época, na Inglaterra, como em toda a Europa, ópera era sinônimo de ópera italiana, como até hoje, de certa forma, ainda o é.
Como se sabe, a Ópera do Mendigo serviu de base à Ópera dos Três Vinténs de Bertolt Brecht/ Kurt Weill e as duas inspiraram Chico Buarque de Holanda na sua Ópera do Malandro
Na sequência dum incidente em que o embaixador francês o abade de Livry, ofendido porque o secretário de estado Diogo de Mendonça, não lhe ter feito uma primeira visita particular, decide retirar-se de Lisboa.
De imediato o embaixador português em Paris D.Luís da Cunha, fez o mesmo retirando-se para Bruxelas.
As relações entre Portugal e a França ficaram interrompidas durante 14 anos, as missões diplomáticas entre as duas coroas, ficando a França representada em Portugal por um cônsul e Portugal em França por um encarregado de negócios.
Diga-se contudo que as relações económicas e culturais sempre se mantiveram.
Entretanto desde Bruxelas, D.Luís da Cunha sempre esteve negociando com o governo francês para pôr termo a este estado de coisas, o que efectivamente conseguiu, chegando a um acordo com o marquês de Fénelon, ministro francês em Haia.
Outros acontecimentos em Portugal
Nicolau Nasoni inicia as pinturas da capela-mor da Sé do Porto
Maio, 24-Instruções dadas a José da Cunha Brochado para ajustar com Espanha uma liga ofensiva e defensiva.
Esta ofensiva diplomática, ao que parece pagas pelo "bolsinho" de sua majestade (uma espécie de saco azul moderno), acabaram por vir a resultar no acordo pré-nupcial duplo que viria a ser assinado ainda este ano em 7 Outubro.
Assim a princesa D.Maria Bárbara, casaria com o príncipe das Astúrias e D.José casaria com D.Mariana Vitória, ficando assim seladas pelo casamento dos dois príncipes herdeiros, o compromisso de ajuda mútua.
Curiosamente ambas as princesas haviam estado na lista de casamento de Luís XV, a portuguesa fora chumbada porque "não estava em condições de corresponder ao objectivo, por serem frequentes os casos e loucura e de má saúde na família", receando-se que não pudesse vir a ter filhos.
A princesa Mariana Vitória que teria estado "á experiência" na corte francesa, acabaria por ser devolvida a Filipe V, pelo que ficaram então reunidas as condições para o futuro enlace.
Outubro,28-Nomeação de João Saldanha da Gama como vice-rei da Índia
Vice-rei da Índia (19 de Março de 1674 - Lisboa, 5 de Maio de 1752), foi também governador e capitão-general da ilha da Madeira.
Filho de Luís Saldanha da Gama, capitão-general de Mazagão (Marrocos), iniciou a carreira das armas ainda muito jovem, servindo com o pai em Mazagão. Foi, depois, coronel de Infantaria e camarista do infante D. António.
Em 1725, foi nomeado vice-rei da Índia, cargo em que se manteve até 1732, regressando então ao reino. Durante a sua brilhante governação as forças portuguesas obtiveram vários êxitos militares, conseguindo reconquistar Mombaça.
Chefiou ainda a embaixada portuguesa que se deslocou a Pequim, encarregada de saudar o imperador. (via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Termina a construção da fachada actual do Mosteiro de Alcobaça, restando do gótico primitivo o portal de arcos ogivais e o aro da rosácea.
Acontecimentos fora de Portugal
Vivaldi estreia as 4 estações
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Fevereiro-D.João V concede ao Patriarca de Lisboa, as mesmas prerrogativas que eram conferidas no reino, aos cardeais da Santa Sé.
Julho,05-Nasce o infante D.Pedro Clemente 5º filho de D.João V e de D.Maria Ana.
D. Pedro Clemente Francisco José António nasceu em Lisboa e faleceu no Paço da Ajuda, a 25 de Maio de 1786. Foi príncipe do Brasil e, pelo casamento com a sobrinha D. Maria I, veio a ser o rei consorte D. Pedro III.
Julho-É permitida por decreto a exportação de azeite, que havia sido suspensa por exigência de abastecimento do mercado interno.
Outubro,04-Grande incêndio em Lisboa junto à rua de Cima.
Outubro,16-D.Luís Carlos Xavier de Menezes, 5ºconde da Ericeira, toma posse como vice-rei da Índia.
Esta primeira nomeação, seguiu-se à do 1º Conde de Sabugosa entre 1712-1717, que havia reposto de novo o respeito pelo nome de Portugal na zona, que administrações anteriores, tinham deixado cair.
Esta primeira nomeação (haveria de ter outra nomeação em 1740) foi considerada danosa para a Fazenda Nacional em 1733, tendo o tribunal de Relação emitido uma sentença de pagamento de 400$000 réis.
O certo é que a situação na Índia não viria a melhorar nos anos seguintes, nem sob o ponto de vista militar nem financeiro
Dezembro-Primeira reunião no palácio do conde da Ericeira, da futura Academia Real da História de Portugal, que para alguns autores e identificado com a fundação da Academia de História.
Julho,11-A Inglaterra, a França e a Holanda assinam o Tratado de Haia, conhecido pela Tríplice Aliança, contra a Espanha.
Este acordo tenta impedir os objectivos de revisão das cláusulas do Tratado de Utreque, propostas pelo poderoso ministro Alberoni. Os franceses comprometeram-se a negar o seu apoio ao pretendente ao trono inglês Jaime Stuart, que acabará por ser expulso de França.
Maio,02-Nascimento do infante D.Carlos 4º filho de D.João V e de D.Maria Ana.
Não gozava de boa saúde, frequentemente saía de Lisboa, para beneficiar de melhores ares da vila de Belas.
Cascais começava a ganhar fama de ser terra muito sadia e nela viverem os homens muitos anos.
Logo o infante passou a ir a banhos para aquela terra.
Sempre enfermiço ao infante tudo lhe aparecia, pleuresias, febres, etc., em 1735 ficou sem sentidos, muitas horas, achando então os médicos, por bem, "receitar-lhe" o santíssimo sacramento,pois tratava-se duma "maligna" pois "o mal está todo no peito".
Animadores lá iam dizendo que se escapasse de morrer, ficaria com uma tísica que o deixaria viver pouco tempo.
Finalmente morreu em Abril de 1736.
Julho,02-A pedido do Papa, envia-se uma armada chefiada pelo conde de Rio Grande para combater os Turcos.
Outubro,18-Nascimento do infante D.Gaspar filho ilegítimo de D.João V e D.Madalena Máxima de Miranda.
Novembro,17-Bula papal criando o Patriarcado de Lisboa.
Quando em 7 de Novembro de 1716 o papa Clemente XI elevou a capela real a basílica patriarcal, criando o patriarcado de Lisboa, foi esta honra uma das poucas concedidas até então, pois os únicos com relevância histórica são os de Roma, Constantinopla, Antioquia, Jerusalém e Alexandria.
Estabeleceu-se também uma divisão eclesiástica com duas jurisdições, o arcebispado na sé velha e o patriarcado na capela real, sucedendo-lhe uma divisão administrativa, ficando a cidade ocidental com 22 freguesias e cerca de 700 ruas e duas praças a do Rossio e a do Terreiro do Paço, bem como os templos que chegavam a 124.
Na cidade oriental ficava a parte mais antiga contida dentro das muralhas, com cerca de 300 ruas, 16 freguesias e cerca de 39 igrejas, ermidas e vários conventos.
Esta divisão durou até 1740 em que foi reunificada. Sucederam-se até hoje dezasseis patriarcas à frente da Igreja lisbonense, de D. Tomás de Almeida a D. José Policarpo.
Os patriarcas de Lisboa são sempre feitos cardeais no primeiro consistório a seguir à sua nomeação para esta Sé.
Esta bula papal In suprema apostolatus solio, insere-se numa política de prestígio da coroa , procurando colocar as relações entre Portugal e Santa Sé ao nível das de outras grandes potências.
Acontecimentos fora de Portugal
Alemanha-Novembro,14-Morte do filósofo alemão Leibniz.
Filósofo, matemático, historiador, jurista, filólogo, teólogo Gottfried Wilhelm Leibniz, é um espírito verdadeiramente universal. Era natural da Saxónia, Alemanha. Filho de um professor de Filosofia Moral na Universidade de Leipzig.
Estudou matemática em Iena e na Universidade de Altdorf jurisprudência. Ao 21 anos recusa uma cátedra na universidade, envolve-se numa organização semi-secreta (os Rosacruz), entra ao serviço do eleitor da Magúncia.
Enviado a Paris numa missão diplomática, procurou influenciar Luís XIV par abandonar o projecto de combater a Holanda. Nesta cidade corresponde-se com figuras cimeiras da intelectualidade do tempo, como Galileu, Descartes e Hobbes.
Viajou até Inglaterra onde discutiu com matemáticos do circulo de Isaac Newton. Em 1675 regressou à Alemanha, tornando-se bibliotecário do duque de Hannover. Contando com o apoio e a protecção da princesa de Hanover funda a Academia de Ciências da Prússia. Faleceu em Hannover.
Janeiro-Breve papal a D.João V solicitando ajuda na guerra contra os turcos, navios saídos a 5-07 não chegam a tempo de incorporarem a armada.
Em 1715 os Turcos ocuparam a Moreia e apoderaram-se das últimas ilhas que os Venezianos ainda possuíam no mar Egeu. Pediram estes auxílio ao Papa que, por sua vez, o pediu aos principais reis católicos. O de França recusou, para não ajudar a enfraquecer ainda mais uma potência que contrabalançava a Leste o peso da Áustria; o de Espanha, que continuava a disputar aos Austríacos a posse do Sul da Itália e da Sicília, limitou-se a prometer que enquanto durasse a guerra contra os Turcos suspenderia as operações militares; só o rei D. João V de Portugal, desejoso de cair nas boas graças do Papa, respondeu positivamente ao seu apelo .
Agosto,18-Faz a entrada em Paris a embaixada do conde da Ribeira Grande.
Luís Manuel da Câmara, 3º conde da Ribeira Grande, viveu sete anos em França em vida de grande ostentação, privando com a alta nobreza.
Fez sua entrada em Paris, de forma magnificente, em cinco magníficos coches, distribuindo as 10 mil moedas de prata que mandara cunhar (em comemoração ao acontecimento) além de 200 de ouro.
Diz a obra a " Nobreza em Portugal",que «excedeu em riqueza, luxo e número todas as outras embaixadas».
Levava séquito de um confessor, um estribeiro, dois secretários e oito gentilhomens, além de seis pagens, quatro moços de câmara, dois guardas suiços, cinco cocheiros e cinco postilhões além de 24 homens a pé.
Fez vestidos bordados com riqueza excessiva, tendo o vestido com que entrou em Paris os botões e o hábito de Cristo de diamantes, e um no chapéu de notável grandeza. Até os vestidos dos pagens eram de veludo cor de ouro com vestes e canhões de ouro de tal sorte cobertos de bordadura de prata que apenas se lhe via o fundo.
Ao ombro tinham laços de fita de ouro bordada de prata com rendas de prata ao redor e franja do mesmo nas pontas. Os chapéus galardoados de prata com plumas brancas e topes de fitas brancas.
As gravatas e punhos de rendas mui finas e meias negras com os quadrados bordados de prata. Todo o resto da comitiva, libré de pano fino verde, debruada por todas as orlas de um galão de prata, mangas cortadas de um galão de veludo negro entre um de ouro e outro de prata, canhões e vestes mui rico de ouro, punhos d renda, chapéus com largo galão de prata e meias de seda cor de ouro, plumas cor de ouro e topes de fitas brancas e cor de ouro.»Havia cinco coches, todos a oito cavalos.
O 1° coche tinha por assunto a paz novamente feita entre Portugal e a França, sendo muito grande, cercado de 8 vidros e por fora de veludo verde escuro, todo coberto de bordado de ouro em relevo. O tejadilho formava um pavilhão airoso, que acabava no meio em um domo ou coroa, «sobre o qual se vai formando o bordado uma grande rosa levantada». Prossegue a descrição: «As 8 maçanetas de bronze dourado de ouro moído. Frisos de esculturas delicadíssimas. As 4 partes do mundo, Mercúrio, as Artes Liberais, Amaltéia sobre uma pantera. O forro de ouro, franjas, cortinas de tafetá dobre verde bordadas de ouro, assento dos pés de cobre marchetado de tartaruga; rodas de 6 raios por onde sobem uns como SS que vão entrar no raio e o sustentam. Os cavalos eram, da Frisia, grandes e negros.
O segundo coche de sete vidros, ouro, bronze dourado, painéis nas ilhargas com a figura da Lusitânia entre nuvens e um anjo, e com cavalos poloneses tigres, brancos com malhas.
A terceira caleça de cinco vidros, tissu de prata, cobre no tejadilho, puxada por cavalos dinamarqueses, lazões tostados.
O quarto, uma estufa de sete vidros, forrada de veludo carmesim, franja de ouro, cavalos alemães ruços.
O 5° uma estufa forrada de veludo carmesim lavrado com fundo de prata, cavalos holandeses negros.
Fizeram-se gravar 10 mil moedas de prata com peso de 3 tostões e 200 em ouro (6:000 rs o peso de cada) que o estribeiro ia pelo caminho distribuindo ao povo.
Junho,o6-Nascimento de D.José, 3º filho de D.João V com D.Maria Ana, que viria mais tarde a ser rei devido ao falecimento do seu irmão mais velho D. Pedro.
Outubro,24-Morte do príncipe D.Pedro 2º filho de D.João V e de D.Maria Ana.
O príncipe D.Pedro quando morreu tinha apenas 2 anos e 10 dias e segundo um relato da época, terá falecido divido a uma "terçã dobre", morrendo após a habitual discussão em torno da questão de sangrar ou não o paciente.
Foi descrito durante o embalsamento, que no "interior não se achou coisa que merecesse observação, para além do facto do fígado ser maior do que deveria ser".
Como habitualmente a minha fonte (D.João V-Maria Beatriz da Silva) refere que os intestinos da criança foram sepultados no convento de São Francisco. O príncipe foi sepultado em São Vicente de Fora no dia 30 do mesmo mês.
Acontecimentos fora de Portugal
Inglaterra-Outubro,20-Subida ao trono de Jorge I de Hanôver por morte da rainha Ana.
Por força do acordo de 1701- Act of Settlement o trono inglês passa para Jorge Luís eleitor de Hanôver tendo o duque de Marlborough assumido de novo a chefia do exército.
Julho,02-Nascimento de Christoph Gluck compositor inglês
Gluck passou à história da música como o grande reformador da ópera. Pegando de novo no tema de Orfeu( o cantor que desceu aos infernos para resgatar a mulher), com que Monteverdi, "inicia" o conceito de ópera, Gluck e o libretista Calzabigi um século e meio depois do original Orfeu, transformaria por completo.
Não cabe nos objectivos deste apontamento a descrição das alterações estruturais introduzidas no conceito musical da ópera, mas resume-se dizendo que com ele, começa a transição para o equilibro entre os recitativos e a música, deixando de ser um mero exercício de exibicionismo vocal dos principais intérpretes. . A soprano Chiong-Rong Lu canta uma ária da Ópera "Orfeo e Euridice" e Gluck, acompanhada pela orquestra barroca da Ópera de Dortmund
Março,16-Legislação que reitera a proibição do curso de moeda cerceada.
Cercear , entre outras coisas, significa cortar em roda; diminuir; aparar .Quando executado por peritos, não provocava danos evidenciáveis no aspecto das moedas, ou seja é a operação técnica efectuada por peritos por forma a retirar quantidades mínimas dos bordos da moeda, afim de estar conforme a lei, isto é, em termos de peso e título.
Porém efectuado abusivamente, o cerceio revelou-se numa operação metalúrgica feita, sem especialização, defraudadora do peso, formato e aspecto formal dos próprios exemplares.
Foi essa moeda que se mandava confiscar, as que se encontrassem com falta de peso.
Abril,11-Assinatura no Congresso de Utreque, do tratado de paz e amizade entre França, Inglaterra, Holanda, Portugal, Prússia e Sabóia, pondo fim à Guerra da Sucessão Espanhola.
Filipe V Bourbon é reconhecido com rei de Espanha, mas é sancionada a separação entre as coroas Espanholas e Francesas.Além disso
Espanha deve ceder à Áustria os Países Baixos espanhóis
Espanha deve ceder à Inglaterra Gibraltar e ilha Menorca
França deverá reconhecer a sucessão protestante inglesa
França deve ceder à Inglaterra os territórios norte-americanos da Terranova, da Acádia e da Baía de Houston.
Holanda obtém mais território anteriormente ocupados pela Áustria e França.
Sabóia-Vitor Emanuel II obtém a coroa real e a Sicília.
Inglaterra obtém da Espanha o asiento de negros, ou seja concedeu aos ingleses autorização para introduzirem anualmente na América espanhola um determinado número de negros africanos e para que, uma vez por ano, um navio seu pudesse visitar o porto de Portobello, através do qual tinham oportunidade de fazer entrar ilegalmente grande número de produtos manufacturados nesses países.
A Portugal eram restituídas as praças perdidas e a colónia de Sacramento, na América
Junho,24-Regimento dos Ministros e Oficiais de Justiça e da Fazenda.Alvará que introduz algumas alterações no funcionamento do Desembargo do Paço.
No início do reinado a estrutura administrativa era constituída por duas Secretarias e do Estado e a das Mercês e vários tribunais, o Desembargo do Paço,Conselho Ultramarino, Mesa da Consciência e Ordens, entre outros, como se chamavam na altura. Este regimento procurou simplificar a burocracia, no que à assinatura do rei dizia respeito, dando-se maior autonomia a esse tribunais desde que por exemplo 3 ministros assinassem em conjunto.
Acontecimentos fora de Portugal
Vaticano-O papa Clemente XI publica a bula Unigenitus, com a qual a Igreja, condena definitivamente o Jansenismo
Clemente XI através desta bula condena 101 proposições dum livro de Pasquier Quesnel chamada " Reflexões morais sobre o Novo testamento", que com esta obra vinha contribuir para a divulgação das teses jansenistas, sobre a graça e a predestinação, sustentando que nem todos os homens se podem salvar, mas somente aqueles que Deus escolhe no seu juízo.Logo recordando as teses de Jansénio, que afirmara um século antes que o sacrifício de Cristo não era válido para toda a humanidade. A intervenção papal foi solicitada pelo rei de França Luís XIV, muito embora este livro tenha tido apoio do arcebispo Noailles de Paris e mais 7 bispos que se recusaram a aceitar a decisão papal. A corrente destes contestatários foi-se avolumando e apelou para um Concílio Ecuménico. Assim dividiu-se a França em partido dos “Aceitantes” e partido dos “Apelantes” ou “Anti-constitucionistas”; aqueles usavam faixas de seda castanha e branca, e estes, faixas pretas e vermelhas.
Império Romano-Germânico-Carlos VI Habsburgo proclama a Sansão Pragmática que estabelece a sucessão ao trono possa acontecer na linha feminina
Como tinha apenas duas filhas Carlos VI, preparou esta pragmática declarando que o seu reino não poderia ser dividido e as filhas mulheres, quando da sua morte poderiam herdar o seu trono. Ver-se-á que a filha Maria Teresa apenas governará como Rainha da Hungria e da Boémia e Arquiduquesa de Áustria embora, sendo mulher, não fosse eleita para o Sacro Império Romano mas sim Carlos VII.
Grande Guerra do Norte-Carlos XII da Suécia é feito prisioneiro pelos turcos em Benda na Moldávia..
Janeiro,8-Morte de Arcangelo Corelli-compositor e violinista italiano
Escreveu, entre outras obras, 48 sonatas em trio (para dois violinos e contínuo), cujo estilo se tornou representativo deste género, tocando-se muito ainda nos nossos dias. Corelli escreveu ainda 12 sonatas para instrumento solista (para violino e contínuo) e 12 concertos grossos (grossi, em italiano), com os quais influenciou o estilo musical da sua época.
Segue uma peça de Corelli Concerto Grosso, Opus 6 No. 8 interpretado por Caeli Smith and Sabrina Tabby, violins; Madeline Smith, viola, Genevieve Tabby, cello tocado na Ethical Society Building, Philadelphia em Abril 22, 2007.
Virá a ser um dos grandes filósofos do Iluminismo e enciclopedista. A grande obra da sua vida é a edição da Encyclopédie (1750-1772)onde escreveu toda o conhecimento que a humanidade havia produzido até então. Demorou 21 anos para ser editada, e é composta por 35 volumes.
O homem só será livre quando o último déspota for estrangulado com as entranhas do último padre", uma das frases que marcaram a sua época mas que também a definiram. O tempo era de Absolutismo despótico com o apoio da Igreja Católica.
Janeiro,02-Fundação da Irmandade do Rosário em Vila Franca do Campo em S.Miguel Açores.
Janeiro,16-Parte para Roma o embaixador extraordinário D.Rodrigo de Sá Almeida e Menezes (Marquês de Fontes), mais tarde Marquês de Abrantes.
Em Roma já existia um embaixador mas D.João V decide reforçar a componente diplomática com envio de um outro embaixador para tentar resolver a questão do Padroado do Oriente e outros assuntos de menor envergadura, mas igualmente importantes. Havia um problema de exclusividade de missões em especial na China, que Portugal pretendia manter e que Roma tentava alterar enviando ao Oriente, missionários de outros países europeus. Os problemas coma cúria romana, acerca desta questão do padroado, era ainda mais complicada, mas as instruções de D.João V ao marquês de Fontes eram muito precisas. Podia ameaçar o Papa com duas medidas, recusa do núncio apostólico em Portugal e a criação dum tribunal para apreciação de todas as decisões papais antes da sua execução. A ameaça do regresso ao um sistema político que sustenta o direito que tinham os Reis de interferir na vida interna da Igreja, constituía na altura uma ameaça séria aos poderes papais. Havia três exigências importantes que Portugal requeria e que se prendia com a actuação do cardeal de Antioquia, Maillard de Tournon e as suas decisões sobre as interdições do culto rendido a Confúcio, que Clemente XI apoiava e que se mantinha preso em Macau, por pressão do Imperador da China. Note-se que a apresentação ao papa só se viria efectuar 3 anos depois da sua chegada a Roma, provavelmente por força da magnificência do corteja com que se apresentou e cuja descrição se fará quando se abordar o ano de 1716.
Fevereiro-Procuradores dos mesteres apresentam à Câmara de Lisboa um quadro negro da situação financeira e económica do país.
Março-Começa a chegar ao Tejo uma carga de ouro estimada em cerca de 50 milhões de cruzados.
Março,20-Decreto que proíbe o envio de degredados para o Brasil.
Setembro,16-Chega a Goa o novo vice-rei Vasco César de Menezes, conde de Sabugosa.
0 seu governo foi um dos mais gloriosos que houve na Índia nos tristes tempos da decadência. Perdera-se já todo o prestígio e autoridade, e Vasco Fernandes César soube fazer respeitar de novo o nosso nome e as nossas armas 0 rajá Kanará tratara-nos com menos consideração; Vasco Fernandes César juntou rapidamente uma esquadra de 11 embarcações, cujo comando entregou a José Pereira de Brito, e este forçou as barras de Barcelor, Calianapor, Catapal, Moloquim, Mangalor e outras, queimou e destruiu navios e povoações, obrigando o rajá a pedir paz, e fazendo com que o rajá de Sunda, que seguira o exemplo do de Kanará, logo também se submetesse. O Angriá, um pirata indiano, assaltava-nos as embarcações, logo o vice-rei mandou uma esquadra de 15 navios comandada por António Cardim Fróis, atacar o porto de Culabo, onde o pirata se fortificara, e onde os portugueses lhe infligiram uma lição severa. As esquadras árabes de Mascate que estavam no porto de Surate e de Rugafroi que se achava na barra do Danda foram igualmente destroçadas pelos nossos navios. Assim o nome português voltou a ser, se não temido, pelo menos respeitado na Índia, e o Grão‑Mongol com quem mantínhamos boas relações, cedeu-nos, em prova de amizade, o pequeno território de Pondá, que confinava com as possessões portuguesas. No governo eclesiástico da Índia houve bastantes discórdias no tempo de Vasco Fernandes César, que nem sempre procedeu com a maior justiça na sua resolução (retirado de Portal da História )
Outubro,19-Nasce D.Pedro o príncipe do Brasil 2º filho de D.João V.
Segundo filho de D.João V e de D.Maria Ana da Áustria, primeiro filho varão seria o herdeiro do trono, se não tivesse falecido com apenas 2 anos de idade. Um ano depois da sua morte foi cantada em Roma, no palácio do marquês de Fontes, pelos cantores da Capela Pontifícia, não esta peça, mas outra do mesmo autor Nicola Porpora. Fica a nota para se perceber a beleza da música da época barroca.
Novembro,07-Tratado de suspensão de hostilidades coma França na sequência da Guerra da sucessão de Espanha.
Novembro,27-Congresso de Utreque-um armistício com a França e a Espanha por 4 meses, para por fim à Guerra da sucessão de Espanha.
Corsário francês Cassard destrói grande parte da Ribeira Brava em Cabo Verde.
Operavam utilizando-se mais da propriedade de o vapor condensar-se de novo em líquido do que de sua propriedade de expansão. Quando o vapor se condensa, o líquido ocupa menos espaço que o vapor. Se a condensação tem um lugar em um recipiente fechado, cria-se um vácuo parcial, que pode realizar trabalho útil.
Em 1698, Thomas Savery (1650-1715), mecânico inglês, patenteou a primeira máquina à vapor realmente prática, uma bomba para drenagem de água de minas. A bomba de Savery possuía válvulas operadas manualmente, abertas para permitir a entrada de vapor em um recipiente fechado. Despejava-se água fria no recipiente para resfriá-lo e condensar o vapor. Uma vez condensado o vapor, abria-se uma válvula de modo que vácuo no recipiente aspirasse a água através de um cano.
Em 1712, Thomas Newcomen (1663-1729), ferreiro inglês, inventou outra máquina à vapor para esvaziamento da água de infiltração das minas. A máquina de Newcomen possuía uma viga horizontal à semelhança de uma gangorra, da qual pendiam dois êmbolos, um em cada extremidade, Um êmbolo permanecia no interior de um cilindro, Quando o vapor penetrava no cilindro, forçava o êmbolo para cima, e acarretava a decida de outra extremidade. Borrifa-se água fria no cilindro, o vapor se condensava e o vácuo sugava o êmbolo de novo para baixo. Isto elevava o outro extremo da viga, que se ligava ao êmbolo de uma bomba na mina. (retirado de Tudo sobre )
Uma das figuras mais importantes do Iluminismo francês, cuja inspiração filosófica vai marcar a história da Humanidade, por vários séculos. Lembrando que o iluminismo é a fonte ideológica da revolução francesa e do liberalismo.
A contestação da sociedade e a sua organização, que se inicia com o liberalismo, onde se vê a desigualdade e as injustiças, como resultado dessa hierarquia mal constituída, foi um dos primeiros autores a atacar a propriedade privada antecedendo as doutrinas socialistas e comunistas
Julho,11-A vila de São Paulo no Brasil ascende a cidade.
Desde 1681 que S.Paulo era considerada cabeça de Capitania, incluíndo um território muito mais vasto que o do actual Estado.Território muito vasto obrigou a uma reorganização que correspondeu também a que se desmembrasse a capitania para melhor o controle sobre a região de Minas Gerais.
Setembro,11-René Duguay-Trouin, corsário francês, chega ao Rio de Janeiro com 18 navios e uma tropa de 5000 homens. Começando por ocupar a ilha das Cobras junto ao Rio.
Na sequência deste ataque Rio de Janeiro, virá a capitular em Outubro. Porém a tomada da fortificação desta ilha, viria a justificar a necessidade de construção duma outra fortificação nesta ilha da Baía de Guanabara, o que veio a acontecer.
Outubro-Guerra da Sucessão de Espanha-Cerco a Campo Maior pelo marquês de Bay a praça não foi ocupada.
Em 1712, o Castelo de Campo Maior vê-se cercado por um grande exército espanhol comandado pelo Marquês de Bay, o qual durante 36 dias lança sobre a vila toneladas de bombas e metralha, tendo conseguido abrir uma brecha num dos baluartes; o invasor ao pretender entrar por aí, sofreu pesadas baixas que o obrigaram a levantar o cerco.(retirado de Wilkipédia)
Dezembro,12-Nascimento de Maria Bárbara Xavier Leonor Teresa Antónia Josefa,filha de D. João V, que mais tarde viria a casar com o príncipe das Astúrias
Esta designação refere ao nome que os brasileiros de Olinda, davam aos portugueses negociantes que habitavam o Recife.Rivalidades e divergências políticas, entre lealista(que defendiam a autoridade real) e separatistas, levaram a violentes conflitos.Problema que se resolverá no ano seguinte com a chegada dum nono governador Félix de Mendonça.
Criação duma Companhia de Comércio com Macau.
Porto é dividido em 3 bairros, Santa Catarina,Santo Ovídio e Cedofeita.
Fevereiro-Guerra da sucessão de Espanha-Combate em Castelo de Vide.
Março-Grandes atrasos nos soldos aos militares pagos pelas rendas do contrato de tabaco, em falência.
Junho,08-Guerra da sucessão de Espanha-Miranda do Douro cai em poder de forças espanholas.
A cidade foi tomada à traição e a sua guarnição aprisionada. O crime foi perpetrado pelo sargento-mor Pimentel que era o governador da praça, entregou-a ao marquês de Bay pela quantia de 600 dobrões.
Agosto,16-Ataque a vários pontos do litoral brasileiro por uma esquadra francesa comandada por Duclerc. Rio de Janeiro é cercado.
No contexto de hostilidades entre a França e a Inglaterra, o rei Luís XIV de França autorizou o corso aos domínios ultramarinos de Portugal, tradicional aliado dos britânicos. Por essa razão, Jean-François Duclerc, no comando de seis navios e cerca de 1 200 homens, surgiu na barra da baía de Guanabara hasteando pavilhões ingleses como disfarce. As autoridades no Rio de Janeiro, alertadas pela Metrópole, já aguardavam a vinda do corsário francês, razão pela qual o fogo combinado da Fortaleza de Santa Cruz da Barra e da Fortaleza de São João repeliu a frota que tentava forçar a barra. (retirado de Wilkipédia)
*Outubro,27-Desembarca em Lisboa a Rainha D.Maria Ana
*Fome generalizada no reino-Devido a uma sucessão de maus anos agrícolas entre 1707 e 1711, que resultou na escassez de trigo e outros cereais e respectiva subida de preços.Que motivou vários motins com o de Abrantes neste ano.
As forças do arquiduque Carlos que incluem os contingente portugueses sofrem pesada derrota, pelo exército franco-espanhol do duque de Berwick, que conduz a ofensiva em nome de Filipe V de Bourbon, que recupera o controlo sobre grande parte de Espanha incluindo Madrid.
Abril-Diogo de Mendonça Corte Real é nomeado secretário de Estado
D. João V logo em Abril de 1707 nomeou Diogo de Mendonça Corte Real seu secretário de Estado, mandando-lhe passar a respectiva carta em 27 do mesmo mês. 0 distinto diplomata conservou-se no ministério até falecer, prestando sempre importantes serviços, principalmente nas difíceis negociações do tratado de Utrecht, onde Portugal correu sério risco de ser sacrificado
26 de Maio-Capitulação de Serpa às forças do Duque de Ossuna.
27 de Junho-Assinado em Viena o tratado de casamento de D.João V com D.Maria Ana da Austria
O Casamento de D. João V foi negociado em 1708. Os dois noivos eram primos direitos, por serem irmãs a Rainha D. Maria Sofia de Portugal e a Imperatriz Leonor Madalena, respectiva mães de Sua Majestade o Rei de Portugal e da Sereníssima Arquiduquesa da Áustria.
Inaugurando o estilo faustoso da diplomacia de D. João V, Portugal procurava com o casamento uma aproximação aos outros membros da Grande Aliança. D. João V enviou um luxuosa embaixada à capital imperial, chefiada pelo Conde de Vilar Maior, Fernão Teles da Silva, que chegou a Viena a 21 de Fevereiro desse mesmo ano. A 6 de Junho, dia do Corpo de Deus, fez-se a entrada pública da embaixada portuguesa para o pedido da Arquiduquesa
Início da Guerra dos Emboabas,ocorreram vários conflitos armados na zona aurífera, envolvendo de um lado paulistas e de outro portugueses e elementos vindos de vários pontos do Brasil.
Frei Gaspar da Encarnação, o franciscano que nos últimos tempos de vida de D.João V e após a morte do valido cardeal da Mota, assume o papel não oficial de primeiro-ministro, sob a regência da Rainha D.Maria Ana que o detestava, tinha sido desde que fora em 1723, nomeado reformador dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, o principal protector duma corrente religiosa, nascida no interior dessa congregação.
Chamados "jacobéus" e condenavam a tendência devassa, que julgavam existir dentro da vida religiosa a quem chamavam "mundanos", por certo com muita razão. Estes defendiam entre outras coisas a legitimidade de violar o segredo de confissão, para denunciar cúmplices de pecados.
Chamados de sigilistas atendendo a esta característica dos seus pontos de vista, foram os jacobéus, veementemente condenados pelo então cardeal-patriarca D.Tomás de Almeida, primeiro nomeado por D.João V, e pelo inquisidor-mor D.Nuno da Cunha.
Tratava-se dum combate aberto entre conservadores (inquisidores) e renovadores (jacobéus) e na qual D.João V, já doente se não quis meter, deixando a resolução do conflito ao papa Bento XIV.
A princípio o Papa começou por apoiar as teses da Inquisição, mas com o decorrer do conflito foi se equidistando, por vezes com bulas contraditórias que não fizeram mais do que prolongar o conflito.
Frei Gaspar da Encarnação jacobéu, confrontava-se pois, para além dos já mencionados, com a maior parte dos jesuítas, naturalmente que não estava sozinho, alguns bispos mais ou menos abertamente apoiavam-no nas suas opções.
Não se pense que apesar do incidente referido anteriormente, não ter provocado uma guerra aberta entre Portugal e a Espanha na Europa, não tenha tido as suas repercussões na América do Sul nomeadamente na Colónia de Sacramento.
Pelo menos durante cerca de dois anos a Colónia de Sacramento esteve bloqueada pelas forças espanholas. Diferendo este que só viria a ser resolvido pelo Tratado de Madrid em 1750.
Em Junho de 1735 chegou uma armada inglesa como medida de defesa, destinada apoiar Portugal no eventual conflito que viesse a decorrer com a Espanha.
Este conflito começa por ser mediado pela França,mas que o posterior ataque à colónia de Sacramento acima referido não veio favorecer.
No mesmo ano em que a França assume o controle directo da ilhas Maurícias, rebaptizada como a "Ile de France", e que seria mais um argumento para a Inglaterra não aprovar a mediação francesa neste conflito.
Por ocasião desse ataque, foram enviados a Sacramento, pelo governador do sul do Brasil, Gomes Freire de Andrade, reforços comandados pelo brigadeiro José da Silva Pais, que apesar de não ter conseguido os seus objectivos, veio a fundar nas proximidades da Lagoa dos Patos a povoação Rio Grande de São Pedro, origem do estado do Rio Grande do Sul.
Só em 16 de Março de 1737 se assina uma convenção luso-espanhola sobre este incidente com o embaixador português, acontecido em 1735, por mediação da Inglaterra e da Holanda.
Afinal uma guerra de criados, haveria de arrastar um conflito durante 2 anos.
Muito embora os casamentos reais pudessem de algum modo atenuar a conflitualidade entre Portugal e Espanha a verdade é que a situação política não era na altura muito tranquila, sobretudo por causa das questões fronteiriças no Brasil, ligadas à colónia de Sacramento.
O exemplo dos factos acontecidos em Madrid em Março de 1735, com o nosso embaixador Pedro Álvares Cabral são reveladores. Um incidente provocado pelo criados do embaixador, que tirando um prisioneiro das mãos dos oficiais de justiça espanhóis, dando-lhe guarida na embaixada, violaram os princípios das relações diplomáticas entre os dois países, pois na sequência a residência do embaixador foi invadida e presos os criados implicados.
A retaliação por parte de Portugal não se fez esperar e o mesmo aconteceu aqui à casa do embaixador espanhol e também presos alguns dos seus servidores.
D.João V convoca uma junta com algumas personalidades para o ajudarem a tomar decisões. A reunião decorreu em casa do secretário de Estado Diogo de Mendonça, por se encontrar doente. Entre essa personagens contavam-se o cardeal da Mota, o cardeal da Cunha e o conde da Ericeira e Alexandre de Gusmão, as figuras mais proeminentes do Reino e de quem falarei mais tarde.
O propósito era discutir uma proposta do embaixador para que se "rompesse guerra" com se chamava na altura ao acto de declaração de guerra.A proposta só obteve um voto favorável , mas duas conclusões se podem tirar daqui a delicadeza das relações ibéricas na eminência da guerra e a troca de opiniões, segundo o que foi relatado ao embaixador D.Luís da Cunha, pois a ideia generalizada que ficou da reunião foi que mesmo que houvesse guerra com o Mundo haveria que se manter a aliança com a Inglaterra.
A ideia pré-concebida que D.João V foi apenas um rei gastador, que desbaratou o ouro e os diamantes do Brasil apenas em obras inúteis e espalhafatosas é completamente errada, porque a sua preocupação em desenvolver indústrias também foi evidente, como neste blogue modestamente se têm tentado demonstrar
Em 5 de Outubro de 1734 foi lavrada uma escritura a favor dum francês de nome Robert Godin, para estabelecer uma fábrica de sedas em Lisboa, que viria a ter as suas primeiras instalações na Fonte Santa, estabelecendo-a depois ao fundo da Rua de S. Bento (1737) finalmente mudou-a para o Rato em 1738.
Algumas originalidades à francesa, foram implementadas, que passavam pela instalação por um lado dum talho e duma padaria no próprio edifício, bem como a construção dum bairro operário na periferia da fábrica, por outro foram colocados tabiques nas janelas para que os operários se não distraíssem.
Alguns exageros despesistas conduziram a empresa para uma vida difícil, como escrevia nas suas memórias do industrial de origem francesa JacomeRatton, em que este escreve sobre as manufacturas existentes em Portugal em finais do século XVIII e inícios do século XIX.
Principiou pois a fábrica da seda por uma sociedade de particulares, no Reinado do Senhor Rei D. João V, os quais mandaram vir operários de Lyon, e foi estabelecida no edifício que hoje se conhece por este nome ao Rato, para esse fim construído. Mas como sucede frequentemente, que estabelecimentos de grande custo não prosperem desde logo, achava-se este já em penúria de fundos no princípio do sucessivo Reinado; e querendo o Governo elevá-lo ao maior grau de prosperidade possível, e introduzir-lhe a fabricação dos Galões de ouro e prata, que até àquele tempo todos vinham de França, se havia necessidade deles para a tropa e culto Divino, o tomou por sua conta, nomeando-lhe Directores negociantes, e aplicando-lhe muitos fundos não só para o fazer trabalhar com vigor no seu respectivo destino, mas para servir como de viveiro a muitas artes, e ofícios, de que o Reino se achava destituído. Foi por aquela Direcção que, no Bairro das Amoreiras, então terras de serradura, se edificaram acomodações para Mestres, com certo número, cada hum, de teares de seda de lavor, cujas manufacturas eram compradas, e pagas pela dita Direcção, que também lhes fornecia a seda já pronta, como me parece que ainda se pratica, em maior, ou menor abundância. Foi outro sim com fundos da referida Direcção das sedas, que se edificaram no mesmo Bairro
Em 1750, o Estado apropriou-se da fabrica, por insolvência de Robert Godin. Indico como leitura complementar um excelente artigo sobre esta matéria no magnífico blogueBic Laranja ********************************************* Outros acontecimentos em Portugal *********************************************
Janeiro-Cerco da praça de Mazargão que se estenderá por quase um mês
Fevereiro,2-Abalos de terra em Portimão e Faro
Maio,10-O Conselho da fazenda proíbe os vidros estrangeiros.
Dezembro,17-Nascimento da infanta D.Maria (futura Rainha), recebeu logo o título de "Princesa da Beira
A Rainha D.Maria I nasceu no dia 17 de Dezembro de 1734, antes dela nascer a sua avó a Rainha de Espanha escrevia à filha D.Mariana Vitória, ao mesmo tempo que enviava um cirurgião a acompanhar a carta onde mostrava a sua grande preocupação pelos maus cuidados que sua filha viesse a ter durante o parto.
A preocupação, reflectia diferença de mentalidades, em Espanha os partos reais eram feitos por cirurgiões, em Portugal por parteiras. Obviamente que em Portugal era assim por razões beatas, que impediam que um médico homem, assistisse a um parto, coisa de mulher.
Isabel Farnésio pelos vistos já não pensava assim, mas por carta a filha aceitou a vinda do médico com a condição de ficar num quarto ao lado "para o caso de haver necessidade", dizendo a sua mãe "os portugueses não aceitam bem os cirurgiões parteiros".
A descoberta de diamantes ocorreu como consequência da procura do ouro no leito dos rios, através da lavagem do cascalho.
Em 1726 foram entregues as primeiras pedras ao governador de Minas Gerais, D.Lourenço de Almeida que as identificou como diamantes por ter estado mais de 17 anos no governo da Índia.
Não se conhece muito bem a razão, porque só comunicou à coroa essa descoberta 3 anos depois, enviando 6 pedras dessa para serem examinadas, o que lhe valeu ser censurado porque já há mais de dois chegavam a Lisboa diamantes nas frotas do Brasil.
Igualmente se lhe ordenava que estudasse o melhor meio de serem cobrados os quintos do rei devidos sobre essa pedras.
Quintos do rei, que hoje teria a designação genérica de imposto, era intensamente cobrado no Brasil desse tempo, já se fazia sobre a produção aurífera. Desde 1725 a capitação sobre os escravos produtivos ou não, maiores de 14 anos, ou sobre o minerador quando este os não possuísse.
Assim começou a saga da exploração de diamantes, sendo o Brasil o maior produtor de diamantes do mundo entre os anos de 1730 a 1860.Calculando-se que, nesse período se produziram em Minas Gerais cerca de 610 quilos de diamantes.
A grande preocupação se gerou no Reino, discutindo-se a forma de controlar a produção e a colecta do respectivo quinto.
A grade dificuldade era o controlo dessa liquidação, resumindo-se os vários pontos de vista, expressos quer pelo governador de Minas Gerais, quer por vários especialistas, ás seguintes hipóteses :
cobrar-se o quinto rigoroso de todos os diamantes extraídos
cobrar-se o quinto por capitação sobre os escravos que minerassem
acrescentar-se a esta capitação 5% sobre o valor dos diamantes
cobrar-se o quinto e também o dízimo, (dupla tributação)
dividir-se o terreno das minas, cobrando-se o arrendamento em vez do quinto
Administração das minas por conta da Fazenda Real, proibindo a todos os vassalos a mineração
Todas as soluções propostas procuravam resolver o problema da dificuldade de cobrança. Optou-se pela hipótese de escolher entre os 11 ribeiros onde haviam sido detectados diamantes, 2 ou 3 dos melhores, proibindo-se a pesquisa nos demais. Dividir a área de pesquisa em lotes, reservar o melhor para sua Majestade e arrendar anualmente os restantes a quem der maior preço.
(Fábrica da Pólvora de Barcarena-Monumento ao Fogo)
A indústria da pólvora e a instalação em Barcarena remonta ao tempo de D.João II, mas só em 8 de Dezembro de 1729 foi inaugurada com o nome actual.
No início do século era grande a decadência em que se encontrava a industria sendo conhecida a comunicação que o general artilheiro, dizia não haver pólvora sequer para as salvas na procissão do Corpo de Cristo.
Além desta fábrica em Barcarena havia outra em Alcântara que havia sido começada a construção em 1690, mas só terminada em 1728 por António Cremer.
Foi Cremer que arrematou o monopólio da pólvora, pois além da reconstrução dessa fábrica em Alcanena, também promoveu a recuperação da outra em Barcarena terminando-a em 1729, depois de modificar todo o seu sistema de funcionamento por forma a que se começou a produzir "a melhor pólvora da Europa"
A construção foi "sumptuosa e magnífica" conforma ainda está patente na fábrica de Barcarena e nos vestígios arquitectónicos da fábrica de Alcântara, demolida em 1939.
António Cremer foi um almirante holandês que veio para Portugal por ocasião do inicio da Guerra da Sucessão ao Trono de Espanha, mas que no fim dessa guerra, por cá ficou comointendente da Pólvora do Reino (1725) entre outros cargos.
A fábrica encerrou em 1988, transformado-se o espaço numa universidade (Atlântica) e num museu.
O Museu da Pólvora Negra, integrado na antiga Fábrica da Pólvora de Barcarena, tem como finalidade preservar e perpetuar a memória da actividade desenvolvida neste estabelecimento fabril, nos seus cerca de quinhentos anos de laboração.
O seu acervo divide-se nas categorias de Ciência/Técnica, História, Militar e Indústria e a colecção reporta-se, cronologicamente, à época de origem do fabrico da pólvora em Barcarena.
Quanto à temática, esta prende-se, particularmente, com o fabrico da pólvora negra em Barcarena.
Gravura aberta para Robert Wilkinson, sobre um desenho de R. Black e T. Bowles. O decreto que autorizava o Senado da Câmara de Lisboa a regular os géneros sobre os quais se lançariam impostos, para a construção do Aqueduto das Águas Livres foi assinado em 20 de Junho de 1729.
Retirado do Portal da História
Por volta de 1730 a população de Lisboa devería rondar os 250.000 habitantes e apenas dispunha de 3 chafarizes de água potável e mal distribuídos pela cidade, estando o negócio da distribuição entregue a particulares, que a entregavam bastas vezes em más condições de salubridade.
Para resolver a situação, havia que trazer a água para a cidade de nascentes que existiam, a não muita distância da cidade. As referências ao projecto de construção dum aqueduto começam a ouvir-se e em Julho de 1729 foi decretado um imposto sobre determinados bens de consumo para financiamento da obra.
Pelos vistos D.João V, não achou necessário financiar a obra com o ouro e os diamantes que chegavam do Brasil , pelo que o se pode dizer que a população pago do seu bolso a água que passou a beber.O povo pagou porque o Rei asssim decidiu, coisas do absolutismo.
Foi então decidido onerar o azeite, a carne,o sal, a palha e o vinho, para fazer o total de 300 000 por ano, durante 4 anos.
O imposto indirecto é cego e a comunidade patriarcal, habituada a não pagar nada, achou-se prejudicada queixando-se ao rei, que os mandou passear e muito bem, acabando ele próprio por contribuir com 10.000 cruzados
Estava assim terminado o primeiro episódio da saga da construção do Aqueduto das Águas Livres, que duraria até 1748, na sua fase mais simples.
Não se sabe exactamente a data do início da construção deste solar barroco, com certeza um dos mais representativos do norte de Portugal situado a cerca de 5 km de Vila Real, sabendo-se que em 1760 estavam concluídos os alicerces e as paredes.
O projecto é de Nicolau Nasoni e foi mandado erigir por António José Botelho Mourão.
O Palácio está inserido numa quinta pelo que até os exteriores, onde se pode admirar um lago com nenúfares, uma escultura de João Cutileiro e canteiros de flores lindíssimas, são de encantar.
Edificado na primeira metade do séc. XVIII, com risco de Nicolau Nasoni, o Palácio Mateus rodeado de belos jardins inseridos numa vasta quinta é considerado um dos expoentes máximos da arquitectura civil do barroco em Portugal.
O belo mobiliário interior também ao gosto da época,com os tectos e as sanefas feitos em castanho trabalhado,pintura dos séculos XVII e XVIII, objectos de prata, cerâmica e uma biblioteca onde avulta uma edição notável de Os Lusíadas.
Integra-se no conjunto do solar, uma biblioteca e um museu e uma capela.
Actualmente o Palácio de Mateus é propriedade da Fundação da Casa de Mateus, que tem desenvolvido uma intensa actividade cultural nomeadamente nas áreas da música, da literatura e das artes plásticas, organizando festivais, cursos, seminários e exposições. Neste âmbito destacam-se os "Encontros de Música da Casa de Mateus" que se realizam todos os anos durante os meses de Verão.
Não é conhecida a data em que Nicolau Nasoni terá chegado a Portugal, mas o certo é que aqui havia ouro, chegado do Brasil e vontade de construir obra, ambiente propício ao interesse de grande artistas, pelo nosso País.
A cidade do Porto também não quer ficar atrás e é também ali pelo norte do País que se encontram muitos entalhadores e pedreiro, para trabalharem o género que esta agora na moda a decoração nas fachadas e talha nos interiores, o barroco.
O edifício data do sec.XII, em estilo românico de acordo com a sua época mas foi sofrendo transformações ao longo dos séculos até que chegado ao sec. XVIII como não poderia deixar de ser haveria de vir a receber as inevitáveis influência barrocas.
As ligações das famílias abastadas do Norte, a ligação destas à igreja e desta á Ordem de Malta, onde Nasoni se tinha fixado, para pintar um tecto no palácio de La Valeta,obra dirigida ao frei D. António Manuel de Vilhena , Grão Mestre da Ordem de Malta .
Assim a este arquitecto italiano foi dirigido o convite para vir para Portugal.
Modificou-se o acesso aos claustros do século XIV e à Capela de São Vicente. Uma graciosa escadaria também de Nasoni que conduz aos pisos superiores, onde os painéis de azulejos exibem a vida da Virgem e as Metamorfoses de Ovídio.
Esta obra iniciada em Novembro de 1725, demoraria alguns anos,pois só terminaram em 1731, por aqui se casou com uma fidalga napolitana, enviuvou e voltou a casar desta feita com uma analfabeta de Santo Tirso, por forma a que não esteve viúvo mais do que 3 meses,ao que parece devido aos bons ofícios do deão da Sé do Porto.
Trabalho porém, não mais lhe há-de faltar, seguiu-se a casa e o jardim da quinta da Prelada para um fidalgo portuense ligado a uma irmandade, a Irmandade de Clérigos Pobres de N.ª Sr.ª da Misericórdia, S. Pedro e S. Filipe Nery., que tinham como necessário a construção de uma sede onde pudessem realizar a sua actividade e praticar o culto, daqui nasce a ideia da construção da Igreja dos Clérigos, que se irá iniciar em 1731 e que lhe dará trabalho por mais de 30 anos.
Extraordinário artista multifacetado, pois além de arquitecto, foi pintor,escultor, fez trabalhos em ourivesaria e que inexplicavelmente viria a morrer pobre em 1773, encontrando-se sepultado no Igreja dos Clérigos não se conhecendo, porém, o local exacto onde se encontra o seu túmulo.
António Vivaldi nascido em Veneza, violinista e compositor de música barroca, padre, ficou conhecido pelo sobrenome de "padre vermelho", pelo seu cabelo ruivo, foi dispensado da celebração devido à sua saúde fragilizada, dedicando-se por esse motivo ao ensino de violino.
mais de quinhentos concertos (210 dos quais para violino ou violoncelo solo ), dos quais se destaca o seu mais conhecido e divulgado trabalho "As quatro estações" estreada em 1725
Menos conhecido é o facto de a maior parte do seu repertório ter sido descoberto apenas na primeira metade do século XX em Turim e Génova , mas publicado na segunda metade. A música de Vivaldi é particularmente inovadora, quebrando com a tradição deu brilho à estrutura formal e rítmica do concerto, repetidamente procurando contrastes harmónicos, e inventou melodias e trechos originais.
Johann Sebastian Bach foi deveras influenciado por Vivaldi contudo, nem todos os músicos demonstraram o mesmo entusiasmo, Igor Stravinsky afirmou em tom provocativo que Vivaldi não teria escrito centenas de concertos mas um único, repetido centenas de vezes.
Apesar do seu estatuto de sacerdote, é suposto ter tido vários casos amorosos, um dos quais com a cantora Anna Giraud , com quem Vivaldi era suspeito de manter uma menos clara actividade comercial nas velhas óperas venezianas, adaptando-as apenas ligeiramente às capacidades vocais da sua amante.
Vivaldi, tal como muitos outros compositores da época, terminou sua vida em pobreza.
Igualmente desafortunada, sua música viria a cair na obscuridade até aos anos de 1900.
Apesar de todos os detractores, de todas as críticas negativas que Vivaldi recebeu, o seu talento é inegável, foi o compositor que inventou, ou pelo menos, estabeleceu a estrutura definitiva do concerto e da sinfonia. A sua facilidade na escrita era impressionante, escrevia tão rápido quanto a pena o permitia. Consta que demorava a escrever um novo concerto em menos tempo que um copista a copiá-lo.
A ressurreição do trabalho de Vivaldi no século 20 deve-se sobretudo aos esforços de Alfredo Casella.
Foi a abundância de lenha da Mata da Machada e a invulgar pureza das areias que determinaram a instalação em Coina da Real Fábrica de Vidros Cristalinos.
Inicialmente pensada para ser construída no Forte da Junqueira, conforme determinação real de 11 de Abril de 1714, por contrato estabelecido com um tal João Palada, que não terá desempenhado com eficácia a sua parte do contrato, foi decidido provavelmente pelas razões logísticas acima referidas, retomar esse projecto em Coina, sob a direcção de João Butler a quem se deu a laboração por tempo de doze anos, ao mesmo tempo ordenando Sua Magestade a proibição de se introduzirem vidros estrangeiros, como fazenda de contrabando.
Esta manufactura vidreira, ficou instalada no espaço do antigo largo do mercado do gado.
Estudada pelo investigador Jorge Custódio em “A Real Fábrica de Vidros de Coina (1719-1747) e o Vidro em Portugal nos séculos XVII e XVIII”
O autor realizou escavações no período entre 1983 e 1990 à procura de “fragmentos” explicativos. E não foi difícil encontrar pedaços de vidro de tipo cristalino, espelhos e vidro verde, elementos caracterizadores da sua produção. Explicando o autor que houve uma preocupação em encontrar testemunhos de tudo o que “fosse vivo” e o resultado é o “cruzamento de perspectivas históricas, tecnológicas e arquitectónicas”.
Durante os trabalhos de escavação arqueológica foram encontrados “vários fornos e um conjunto de vestígios materiais” que permitiram reconstituir a produção do vidro nesta localidade .A riqueza dos vestígios de 28 anos de laboração, permite ao investigador afirmar que o trabalho desenvolvido na Real Fábrica tem qualidade técnica igualável ao que era feito por “italianos, finlandeses, irlandeses, venezianos e alemães”.
A qualidade da produção pareceu contudo, decair logo que a fábrica foi contratado pela coroa,principiou a correr outro influxo porque os vidros se faziam de mais inferior qualidade, sendo os mestres e os fabricantes os mesmos, e pouco a pouco foi decaindo a laboração, de sorte, que conhecidamente parecia estímulo o que principiou agrado, e eram frequentes os clamores contra a fábrica e contra os vidros.
Contra a fábrica, porque não dava vidros bastantes para o uso das gentes, dependia de que viessem de fora os mestres e materiais, e destruía as lenhas nos seus consumos em prejuízo grave dos moradores de Lisboa. Contra os vidros, por serem de inferior qualidade, poucos, caros, e de ruim feitio; e também o ofício dos vidraceiros proclamava contra a Fabrica por lhe faltarem os vidros precisos para os menesteres da sua subsistência, e surtimentos das suas lógeas.
(Representação de John Beare (1744) ou [Exposição sobre as causas do descalabro da Real Fábrica de Coina]
Houve de tudo um pouco, no decorrer da relativamente curta história desta Fábrica de Vidro em Coina, desvio de fundos e consequentes desaguisados entre sócios, tráfico de influência das manufactureiras de vidro estrangeiras, etc, até ao encerramento em 1744.
Em 1748 a manufactura de vidro viria a ser transferida para a Marinha Grande .
Foi só a partir da descoberta do ouro em 1695 em Minas Gerais, que se começou a observar o fenómeno dum progressivo povoamento do interior do Brasil à custa do abandono dos engenhos situados no litoral e do surto de emigrantes que saíam de Portugal com destino ao Brasil.
A partir do século XVIII a emigração portuguesa no Brasil alcança números jamais alcançados, naturalmente que o grande número de pessoas que demandavam o Brasil, faziam-no pela miragem da descoberta do ouro, mas obviamente que o desenvolvimento económico do Brasil, também se deveu ao surto de evolução do tecido urbano com o aparecimento de pequenos comerciantes que faziam crescer as ofertas de emprego.
A emigração açoriana para a Região Sul do Brasil, foi exemplo da situação referida pois, esses colonos portugueses fixaram-se predominantemente ao longo do litoral, onde fundaram pequenas vilas e lugarejos, vivendo da produção de trigo e da pesca.
A maior parte da emigração contudo, foi de pessoas originárias do Minho.
Inicialmente a Coroa Portuguesa incentivou a ida de minhotos pobres para o Brasil, que se fixaram principalmente na região de Minas Gerais e na Região Centro-Oeste do Brasil.
Porém, a emigração tomou proporções altíssimas, e a Coroa passou a controlar a ida de portugueses para o Brasil, proibindo a saída sem passaporte, com o intuito de estancar o despovoamento do reino.Cujos números andariam nessa altura pelas 8 a 10 mil saídas anuais.
A língua portuguesa tornou-se então dominante no Brasil em substituição ao tupi-guarani.
Setembro,08-Nasceu o infante D.José filho ilegítima de D.João V e de Madre Paula freira em Odivelas.
D. José nasceu. em Lisboa e faleceu na mesma cidade, a 31 de Julho de 1801. Está sepultado no Mosteiro de S. Vicente de Fora), filho da Madre Paula, freira em Odivelas. Foi doutor em Teologia pela Universidade de Coimbra e inquisidor-mor em 1758. Esteve desterrado no Buçaco, com seu irmão D. António, de 1760 a 1777, por ordem do Marquês de Pombal.
Para ler mais sobre os amores cladestinos de D.João V clicar em
Fundada por decreto a Academia destinada a recriar a História de Portugal, eclesiástica e civíl. D.Manuel Caetano de Sousa foi o primeiro presidente.
A Academia teve a sua primeira sessão, numa sala do paço dos duques de Bragança, que o rei mandara mobilar luxuosamente para esse efeito. A Academia devia ter um director e quatro censores. Foi o 1.º director D. Manuel Caetano de Sousa, e os 4 primeiros censores os marqueses de Alegrete, de Fronteira e de Abrantes, e o conde da Ericeira, sendo o 1.º secretário o conde de Vilar Maior. Nessa sessão de 8 de Dezembro de 1720 estiveram presentes 31 académicos, que eram os que até essa data se achavam eleitos Outros acontecimentos fora de Portugal
Espanha-A Espanha e a Quádrupla Aliança, assinam a Paz de Haia
Filipe de Espanha renuncia à sua pretensão pela Itália, em troca da promessa, por parte da Áustria, sa sucessão do filho Carlos, a Parma, Piacenza e a Toscânia. Vitorio Amadeo II recebe da Áustria a Sardenha em troca da Sicília, tendo de mudar o título de duque para o de rei da Sardenha.
França-Grave crise financeira motivada pelo desmoronamento do sistema de Law.
Law foi um gênio que se perdeu. Quando na época da Regência de Filipe duque de Orleãs (1715-1723) fora encarregado das finanças francesas , tratou de abandonar a utilização dos dois ícones da economia mercantilista, o ouro e a prata.
Deduziu que a economia futura não poderia expandir-se baseada apenas no montante de metais preciosos que um reino tinha ao seu dispor. O dinheiro em si não era riqueza mas sim um meio de obtê-la.
Arquitectou então um sistema, o Sistema Law, que gradativamente levaria a adopção do papel-moeda emitida por um banco confiável no lugar dos metais preciosos, como hoje é corrente na grande maioria das nações.
No inverno de 1720 tudo acabou. A partir de Outubro de 1720 milhões de libras volatilizaram-se, pois ocorrera uma super valorização das riquezas do novo território, que afinal nem fora ainda desbravado. A indignação varreu o país. Os negócios da bolsa viraram um caos. O Regente viu-se constrangido a chamar um regimento dos dragões para poder conter a fúria dos que haviam perdido tudo, e Law foi demitido e preso.
Foi o primeiro especulador financeiro da era moderna.
Não tendo identificado se a chegada a Portugal dum genovês de nome José Maria Ottone, conhecedor da técnica do fabrico de papel, aqui chegou por sua iniciativa ou por convite da casa real, o certo é que em 1708 D. Pedro II já lhe havia concedido alvará para a fundação da Real Fábrica de Nossa Senhora da Lapa em S. Paio de Oleiros, hoje conhecida como Engenho Velho, em sociedade com Vicente Pedrossen, capitalista da cidade do Porto.
Aproveitando a boa qualidade das águas no sitio do Penedo e a proximidade da academia de Coimbra, tradicional consumidora de papel, em 1706, deixa a fábrica da Lapa e inicia a construção duma nova unidade, fundando em 1717 o Engenho do Papel da Lousã com a participação do Estado. João Neto Arnaut dirigiu a construção e instalação daquela unidade fabril.
Desde então, nunca mais a fábrica cessou a sua actividade, não obstante ter mudado várias vezes de proprietários.
10 de Junho de 1875 – Constituição da Companhia do Papel do Prado, em consequência da fusão da Fábrica do Prado em Tomar (cujo Alvará de concessão foi outorgado pelo Marquês de Pombal em 2 de Julho de 1772) sob a égide de D. José I, com a Fábrica a Lousã.
Após 25 de Abril de 1974 – Ao longo da sua secular existência a empresa foi passando por diversos proprietários, sendo nacionalizada no período após o 25 de Abril de 1974, com a queda do governo Salazarista.
1999 – Data da reprivatização da empresa - venda pela Portucel a um grupo de investidores privados.
Julho 2003 – Ocorre a cisão da Companhia do Papel do Prado, S.A., sendo constituída uma nova empresa a " Prado - Cartolinas da Lousã, S.A. " que integra a Fábrica da Lousã.
A 10 de Agosto de 1715, inicia-se a publicação da chamada Gazeta de Lisboa: História Annual Chronologica e Política do Mundo e Especialmente da Europa, seria uma publicação semanal e manter-se-ia com esse nome até 1741.
A Gazeta da Restauração publicada em 1640, foi o primeiro periódico português.
O Açoriano oriental(1835) e a Revista militar (1848) são os títulos mais antigos ainda em publicação. (Segundo informação da Biblioteca Nacional).
A Casa da Moeda traça o historial da evolução do nome do boletim oficial desde 1715 até aos nosso dias da seguinte maneira :
Entre 1718 e 1741 toma o nome de Gazeta de Lisboa Ocidental , para em 1741 voltar a chamar-se apenas Gazeta de Lisboa .
Entre 1762 e 1778 a sua publicação é proibida pelo futuro Marquês de Pombal, só voltando a publicar-se em Agosto de 1778.
Entre 1778 e 1803 e entre 1814 e 1820 foi publicada pela Impressão Régia e a partir de 1820, o jornal oficial não mais deixou de ser publicado pela Imprensa Nacional.
Entre 16 de Setembro e 31 de Dezembro de 1820 publica-se simultaneamente a Gazeta de Lisboa e o Diário do Governo , fundindo-se num só jornal em 1 de Janeiro de 1821 com o nome de Diário do Governo , até 10 de Fevereiro desse ano.
Desde então, reflectindo o período conturbado que se vivia, passa por diversas designações: Diário da Regência (de 12 de Fevereiro a 4 de Julho de 1821),
Diário do Governo (de 5 de Julho de 1821 a 4 de Junho de 1823),
Gazeta de Lisboa (de 5 de Junho de 1823 a 24 de Julho de 1833),
Crónica Constitucional de Lisboa e depois apenas
Crónica de Lisboa (de 25 de Julho de 1833 a 30 de Junho de 1834),
Gazeta Oficial do Governo (de 1 de Julho a 4 de Outubro de 1834),
Gazeta do Governo (de 6 de Outubro a 31 de Dezembro de 1834) e
Diário do Governo (de 1 de Janeiro de 1835 a 31 de Dezembro de 1859).
Entre 1 de Janeiro de 1860 e 31 de Dezembro de 1868 chama-se Diário de Lisboa
e finalmente a partir de 1 de Janeiro de 1869 volta a chamar-se Diário do Governo , designação que mantém até 9 de Abril de 1976, quando recebe o nome actual de Diário da República .
(JS Bach) Tudo é História e o que é belo não têm Reino, é património mundial. O título do meu blogue pode induzir que só falo de Portugal. O título significa que aqui "cabe", o que acho importante, possa ter ocorrido pelo Mundo, na época do seu reinado. ************ Johann Sebastian Bach ,nasceu a 21 de Março de 1685 - e faleceu em 28 de Julho de 1750, foi um músico e compositor do período barroco da música erudita . Foi também um organista notável.
Nasceu em Eisenach (Alemanha ), no seio de uma família de músicos. É considerado um dos maiores e mais influentes compositores da história da música, ainda que pouco reconhecido na altura em que viveu.
Muitas das suas obras reflectem uma grande profundidade intelectual, uma expressão emocional impressionante e, sobretudo, um grande domínio técnico em grande parte responsável pelo fascínio que diversas gerações de músicos demonstraram pelo "Pai Bach", especialmente depois de FelixMendelssohn que foi um dos responsáveis pela reabilitação da obra de Bach, até então bastante esquecida.
De 1717 a1723 Bach foi mestre de capela,na corte de príncipe Leopold de Anhalt-Köthen . (retirado Wilkipedia)
Foi neste altura que compôs os 6 Concertos Brandenburgueses, sob a forma de concerto grosso,uma das formas de concerto do Barroco , que surgiu em Itália no séc. XVII, onde um grupo de solistas se contrapõe ao grosso dos instrumentistas.
Reproduz-se um movimento do Brandenburg Concertos No.5 - Allegro
O termo Maçonaria designa uma fraternidade, inspirada na ética do ordenamento corporativo ligado à simbologia da arquitectura.
A importância desta organização secreta na História de Portugal teve e naturalmente continuará a ter uma presença determinante no seu desenrolar.
A Maçonaria moderna nasce a 24 de Junho de 1717 em Londres, embora a sua origem remonte aos finais do século XVII. Na Europa continental só virá a aparecer em Roterdão em 1920 e mais tarde em Paris, por volta de 1730.
A data de 24 de Junho de 1717 significa a reunião de 4 células de base (lojas) apresentando-se como os legítimos herdeiros dos privilégios concedidos por Reis lombardos aos pedreiros, directamente dependente deles.
Dessa designação de "pedreiros" a passagem para França traduziu -se na passagem a "maçons".
Desde 1717 a norma inglesa tornou-se o guia de todo o mundo maçónico.
A corte francesa significava para D.João V o "sol" da sua existência que procurava sempre imitar, pelo que a nomeação dum embaixador, na altura chamava-se agente diplomático, para aquele País requeria algum cuidado na escolha da pessoa a nomear.
Em Fevereiro de 1717 nomeia um brasileiro nascido em Santos, Alexandre de Gusmão para esse cargo.
Pessoa de larga cultura diversificada quer pelo conhecimento de várias línguas, estudioso de matemática e filosofia experimental, estudou teologia em Coimbra que interrompeu quando embarcou para França como secretário do Conde da Ribeira Grande na sua missão de embaixador.
Aproveitou o tempo para estudar direito em Sorbonne.
Após alguns anos em Roma, regressou a Portugal tornando-se secretário do Rei. O papel de secretário particular que primeiramente desempenhou, era de extrema importância junto do Rei, como seu principal conselheiro, tratando da correspondência, que se não limitava a redigir em nome do Rei, pois frequentemente apresentava pareceres sobre os mais variados assuntos, desde o sistema de capitação a ser aplicado nas minas de ouro do Brasil, até à questão da saída de ouro para outras nações europeias, sobretudo para Inglaterra.
No final do ano de 1716 o Papa volta a pedir a D.João VI para que no ano seguinte não deixasse de tornar a mandar a sua armada em auxílio de Veneza.
A anuência de D.João VI ao pedido, determinou que fossem iniciados imediatamente os preparativos necessários, de tal modo que em 28 de Abril de 1717 o conde de Rio Grande do Sul fez-se ao mar comandado uma esquadra composta pelos seguintes navios:7 naus, 2 navios brulotes, 2 navios auxiliares, totalizando 526 canhões e 3840 homens de guarnição.O que significaria uma força naval já de alguma importância.
Desta vez o conde de Rio Grande dirigiu-se directamente para a Sicília, fundeando em Palermo a 24 de Maio. Dali seguiu para Messina, onde chegou a 30.
A 10 de Junho lançava ferro em Corfu, onde já se encontravam as esquadras de remo de Veneza, do Papa, do grão-duque de Florença e da Ordem de Malta, sob o comando de André Pisani, a quem o Sumo Pontífice havia nomeado generalíssimo da armada cristã.
A armada cristã era constituída por trinta e cinco naus, quatro brulotes, três corvetas, tartanas ou setias, vinte e três galés e quatro galeaças que eram de Veneza.
Das trinta e cinco naus, vinte e seis eram venezianas, sete portuguesas e duas da Ordem de Malta; das vinte e três galés seriam doze de Veneza, cinco de Malta, quatro do Papa e duas do grão-duque de Toscana.
Logo que começou a clarear pôde ser vista distintamente a armada turca que fechava por completo a enseada de Hapan, onde se encontrava a armada cristã.
Era aquela constituída por vinte e duas grandes naus turcas, algumas delas com cerca de cem peças, e por vinte e uma outras mais pequenas de Alexandria, Tunes e Argel, além de nove galés, alguns brulotes e outros navios mais pequenos.
A batalha, apesar de ter sido travada no interior da enseada de Hapan, que fica a cerca de vinte e cinco milhas a NE do cabo Matapão, passou à História com o nome deste.
A batalha do cabo Matapão de 1717 terá sido também uma das últimas grandes batalhas navais da História em que tomaram parte galés em grande número, as quais, de resto, para nada mais serviram do que para dar reboque às naus por ocasiões de calma.
A armada turca acabou por retirar, depois de muito fogo disparado, mas que as condições de fraco vento determinaram que a mesma se desenrolasse de uma forma muito estática, com pouca movimentação de navios.
Como o comando de Pisani, não mostrou interesse em perseguir o inimigo o conde de Rio Grande,decidiu recolher ao porto de Corfu,tendo aquele insistido com o conde, para que se deixasse ficar ali durante mais algum tempo para prevenir a hipótese de os turcos virem procurar novo encontro com a armada cristã. Mas o conde recusou, alegando que tinha diante de si uma longa viagem para regressar a Portugal e que antes disso tinha necessidade de reparar os seus navios.
Após feitas as reparações em Messina,iniciou a viagem de regresso a Lisboa, onde chegou a 6 de Novembro de 1717.
Sob o ponto de vista estratégico, a batalha do cabo Matapão não teve qualquer repercussão sobre o desenrolar da guerra, continuando os Turcos, como anteriormente, senhores absolutos do mar Egeu.
(Coche da embaixada enviada por D. João V ao papa Clemente XI )
Quando em 7 de Novembro de 1716 o papa Clemente XI elevou a capela real a basílica patriarcal, criando o patriarcado de Lisboa, foi esta honra uma das poucas concedidas até então, pois os únicos com relevância histórica são os de Roma, Constantinopla, Antioquia, Jerusalém e Alexandria.
Estabeleceu-se também uma divisão eclesiástica com duas jurisdições, o arcebispado na sé velha e o patriarcado na capela real, sucedendo-lhe uma divisão administrativa, ficando a cidade ocidental com 22 freguesias e cerca de 700 ruas e duas praças a do Rossio e a do Terreiro do Paço, bem como os templos que chegavam a 124.
Na cidade oriental ficava a parte mais antiga contida dentro das muralhas, com cerca de 300 ruas, 16 freguesias e cerca de 39 igrejas, ermidas e vários conventos.
Esta divisão durou até 1740 em que foi reunificada. Sucederam-se até hoje dezasseis patriarcas à frente da Igreja lisbonense, de D. Tomás de Almeida a D. José Policarpo.
Os patriarcas de Lisboa são sempre feitos cardeais no primeiro consistório a seguir à sua nomeação para esta Sé.
Esta bula papal In suprema apostolatus solio, insere-se numa política de prestígio da coroa , procurando colocar as relações entre Portugal e Santa Sé ao nível das de outras grandes potências.
A ajuda naval acedendo aos pedidos de Clemente XI e uma faustosa embaixada enviada ao Papa, inseriu-se nesse plano diplomático de D.João V
A 8 de Julho de 1716 entrou na Santa Sé essa embaixada, liderada pelo Marquês de Fontes, D. Rodrigo de Meneses.
Esta embaixada pretendia mostrar a magnificência do Poder Real de quem dominava um vasto império. Dado o luxo e a magnitude deste cortejo, durante muitos anos nenhum outro monarca ousou enviar embaixadas ao Vaticano. Era constituída por 5 coches temáticos e 10 de acompanhamento. Três desses coches temáticos encontram-se no Museu Nacional dos Coches.
Tratou-se dum cortejo temático, tratando da conquista da navegação, das nações bárbaras vencidas e também do comércio posteriormente estabelecido.
No cortejo iam mais de 30 prelados, grande numero de pessoas de destaque, embaixadores príncipes que desfilaram em mais de 300 carruagens.
Na audiência papal, o Marquês de Fontes entregou-lhe uma carta credencial, dando-lhe conta do nascimento de D.José , lembrando também, o precioso socorro que enviara contra o "ataque do poder otomano".
D.Rodrigo de Meneses havia demorado 3 anos a preparar esta importante missão que lhe fora entregue.
Mesmo assim as relações diplomáticas com a Santa Sé não foram sanadas, mantendo-se a divergência acerca duma longa e complicada questão envolvendo o cardeal de Antioquia, Maillard de Tournon e as suas decisões sobre as interdições do culto rendido a Confúcio, que Clemente XI apoiava e que se mantinha preso em Macau, por pressão do Imperador da China.
O tratado de Carlowitz assinado em Janeiro de 1699 havia deixado os turcos, como resultado duma série de guerras desastrosas em más condições. O Império Otomano vira-se forçado a ceder a Dalmácia e a Moreia ( no Peloponeso) à república de Veneza, a Transilvânia, a Hungria e a Eslovénia à Áustria, a Ucrânia à Polónia e Azov à Rússia.
A partir da subida ao trono do sultão Achmet III, em 1703, os Turcos, começaram a reorganizar o seu exército e a sua marinha, especialmente com vista à recuperação da Moreia e da Dalmácia.
Em 1715, invadiram a Moreia, que ocuparam em pouco tempo, e apoderaram-se das últimas ilhas que Veneza ainda detinha no mar Egeu, que de imediato pediu auxílio ao papa Clemente XI que tornou o pedido extensivo aos principais Reis católicos europeus.
Só D.João V respondeu ao solicitado, enviando para a Itália, em 5 de Julho de 1716 uma esquadra de nove navios sob o comando de Lopo Furtado de Mendonça, conde de Rio Grande.
Uma primeira atracagem no porto de Livorno, para receber instruções, resultou que apenas em 21 de Agosto tivessem abandonado aquele porto com destino a Corfu, que estava sendo atacada pelos turcos.
Chegaram porém tarde de mais, os turcos já haviam levantado e cerco a Corfu, eventualmente desmoralizados por efeitos duma pesada derrota que o seu exército tinha sofrido, a 5 de Agosto, na frente do Danúbio, às mãos dos Austríacos.
Como entretanto na ilha grassava uma epidemia de peste o conde de Rio Grande decidiu iniciar a viagem de regresso a Portugal. A 28 de Outubro estava de volta ao Tejo, sem ter entrado no conflito.
Como irá ver-se em futuras notas, as relações diplomáticas com a Santa Sé foram sempre da máxima importância para D.João V, desta vez não havia mais nenhuma razão de ordem militar, somente o deseja de "mostrar serviço", para que Clemente XI concedesse a si próprio e à Igreja Portuguesa títulos honoríficos que no seu entender seriam a melhor forma de prestigiar o País.
Desde 1680 que os portugueses tinham edificado na margem esquerda do Rio da Prata, uma Colónia a que foi dado o nome de Santíssimo Sacramento. Essas foram as instruções dadas ao governador da capitania do Rio de Janeiro, D.Manuel Lobo, com o apoio das organizações de comerciantes , desejosas de alargar o âmbito dos seus negócio com as colónias espanholas estabelecida na outra margem desse rio.
Em boa verdade o objectivo imediato desse edificação era o de continuar a participar no comércio e contrabando da prata espanhola , escoada por Buenos Aires, e em que Portugal tinha participado durante os quarenta anos que durou a condução espanhola da coroa portuguesa.
Logo que os espanhóis de Buenos Aires souberam da construção da fortaleza, atacaram-na imediatamente. A guarnição portuguesa rendeu-se em Agosto, e o seu comandante foi preso.
Abandonada desde 1705, no final do reinado de D.Pedro II, só depois da assinatura do Tratado de Utreque, os portugueses voltam a ocupar novamente a Colónia de Sacramento.
Foi de novo fundada uma nova edificação no mesmo local onde estava a anterior fortaleza, pois nada havia restado da anterior, muito embora com alguns cuidados, nomeadamente o de criar igualmente uma povoação afastada da fortificação,( para que não se atrapalhassem mutuamente), por forma a consolidar-se pela fixação de famílias á terra.
O conselheiro ultramarino Rodrigues da Costa,* recomendava o envio de 30 ou 40 casais de Trás-os-Montes, que não só soubessem cultivar a terra, como também exercer vários ofícios, em apoio aos soldados que viessem a ocupar a fortificação.
Avançava ainda que mais tarde deveriam ir casais das ilhas "onde são tantos que os não pode sustentar o pequeno terreno em que habitam".
Havia contudo que ser cuidadoso nas relações com a vizinhança espanhola, sem se abandonar a firmeza necessária para se obter o espaço necessário para consolidação da colónia, por forma a distribuir uma légua de terreno a cada casal como havia sido proposto aos transmontanos que havia partido para Sacramento.
Por outro lado existia a preocupação de impedir que os Espanhóis não se instalassem em feitorias que na prática conduzissem ao bloqueio e tornasse Sacramento, num enclave inserido entre domínios de Castela.
Afinal o Tratado de Utreque , não havia especificado com clareza, os aspectos práticos da sua consumação no terreno. Em 1718 o governador Manuel Gomes Barbosa pede esclarecimentos sobre demarcações, pois os Castelhanos haviam apertado o cerco e os Portugueses não conseguiam ir mais longe do que "um tiro de canhão" o que dificultava a distribuição de terras aos colonos.
Utreque não havia sido ainda a solução para a Colónia de Sacramento
*António Rodrigues da Costa embora jamais tivesse posto o pé numa colónia portuguesa, como a maior parte de seus colegas do Conselho Ultramarino, tornou-se e permaneceu um dos conselheiros em que a Coroa mais confiava no que dizia respeito aos assuntos coloniais.
Quando as notícias da descoberta de ouro em Minas Gerais se espalharam pelo Brasil e chegaram a Portugal, milhares de pessoas acorreram à região.
Claro que esse afluxo de pessoas desagradou profundamente aos paulistas, que reivindicavam a sua descoberta e consequentemente o direito ás exploração mineiras em exclusividade.
Chamavam-lhes pejorativamente emboabas ("estrangeiro" em tupi-guarani) ou seria segundo alguns, de mbuab, ou pinto calçudo, designação indígena de uma ave com pernas e pés
Entre 1708 e 1710, ocorreram vários conflitos armados na zona aurífera, envolvendo de um lado paulistas e de outro portugueses e elementos vindos de vários pontos do Brasil. A desordem e a insegurança facilitavam o aparecimento das escaramuças
O contrabando também imperava naquela zona, contrariando as determinações reais, que havia imposto cobrança de taxas sobre toda a mercadoria que entrasse nas Minas
O sangrento conflito, em que o medo, as traições e as vinganças pontuavam como poderosa artilharia, ao lado de pistolas, facas e setas, terminou em 1710, com a expulsão dos paulistas da área, abrindo a possibilidade para a acção da Coroa portuguesa naquele território. Formava-se a região das Minas.
Os emboabas aclamaram o riquíssimo português Manuel Nunes Viana como governador das Minas, que enriquecera com o contrabando de gado para a zona mineira.
(Manuel Nunes Viana foi um português radicado na Baía muito jovem. Ficou conhecido por actos de coragem que o levaram do sertão baiano para a região mineira onde se tornou proprietário de lucrativas lavras de ouro.
Várias lendas circulam sobre ele. O Dicionário de bandeirantes e sertanistas do Brasil alega que teria assassinado a filha, por não aprovar seu amor a um rapaz pobre; que afogava seus inimigos em uma lagoa próxima de sua fazenda; e que apressava a morte dos doentes ricos de sua região para tomar-lhes suas fortunas )(Retirado de Wilkipedia)
foi hostilizado por Manuel de Borba Gato , um dos mais respeitados paulistas da região. Nos conflitos que se seguiram, os paulistas sofreram várias derrotas e foram obrigados a abandonar muitas minas.
Um dos episódios mais importantes da Guerra dos Emboabas foi o massacre de paulistas , no chamado Capão da Traição . Nas proximidades da actual cidade de São João del-Rei, um grupo de emboabas chefiados por Bento do Amaral Coutinho,prometeu aos paulistas que lhes pouparia a vida, caso se rendessem, quando entregaram suas armas, foram massacrados impiedosamente.
Inconformados com o massacre que tinham sido vitimas à mãos do grupo liderado por Viana, os paulistas, desta vez sob liderança de Amador Bueno da Veiga, formaram um exército que tinha como objectivo vingar o massacre de Capão da Traição. Esta nova batalha durou uma semana
A guerra foi favorável os Emboabas tendo os paulistas perdido muitas possessões mineiras, mas donde se retirou a vantagem de pelo facto de terem feito explorações noutros locais, especialmente em Mato Grosso e Goiás, onde vieram a descobrir mais ouro
Estas foram as principais consequências da Guerra dos Emboabas:
Criação de normas que regulamentam a distribuição minas entre emboabas e paulistas.
Regulamentação sobre a cobrança do quinto.
Criação da capitania de São Paulo e das Minas Gerais, ligada directamente à Coroa, independente portanto do governo do Rio de Janeiro (3 de Novembro de 1709).
Elevação da vila de São Paulo à categoria de cidade
Pacificação da região das minas, com o estabelecimento do controle administrativo da metrópole.
Nasceu em Lisboa a 25 de Janeiro de 1662, e faleceu em Paris a 9 de Outubro de 1740. Formou-se em direito na Universidade de Coimbra, tendo sido ainda com 34 anos nomeado embaixador na corte de Londres, e em 1712 recebeu a nomeação de ministro plenipotenciário no congresso de Utreque, para auxiliar o conde de Tarouca, que já estava encarregado das negociações da paz.
Célebre diplomata do século XVIII, enviado extraordinário às cortes de Londres, Madrid e Paris, foi um dos maiores do seu tempo, "atravessando" com a sua influência os reinados de D.Pedro II e de D.João V, marcando também a formação de D.José, pela recomendações e ensinamentos que lhe enviou, quando ainda princípe do Brasil.
Aconselhou-o entre muitas outras coisas a que não desse o título de confessor a ninguém, pois tal função apenas servia para esse eclesiástico se imiscuir nos negócios do reino, usando o confessionário como instrumento de influência sobre o rei.
Foi D.Luís da Cunha que recomendou a D.José, o nome de Sebastião de Carvalho e Melo, futuro marquês de Pombal, para ministro do Reino.
Esse testamento político de D.Luís da Cunha foi uma das obras políticas mais lidas e conhecidas no Portugal da segunda metade do século XVIII, mesmo que só tenha circulado por meio de cópias manuscritas.
Apresentado pela primeira vez em 1815 no Observador Português ,jornal português publicado em Londres, foi impresso em livro em 1820, e só reeditado em 1943 pela «Seara Nova», havendo uma edição brasileira de 1960.
D.João V foi realmente um rei absoluto, nunca convocou Cortes, mas algumas decisões não tomava sem ouvir, alguns conselheiros que o rodeavam.Mesmo atendendo ao afastamento da corte, pelas sua funções de embaixador, não pode deixar-se de considerar D.Luís da Cunha como um dos seus conselheiros, embora o fizesse duma forma indirecta, pois não se limitou a enviar para a corte relatórios sobre actividade diplomática, abordando muitas outras questões relevantes.
As mais variadas matérias o preocupavam, desde a preparação militar, que considerava inadequada, tendo por isso participado na reestruturação operada no exército por D.João V, logo a seguir á paz de Utreque.
No âmbito da educação, aconselhou o rei a promover a criação de bolsas de estudo, mandando os melhores alunos aprender no estrangeiro, noutras Universidade, para que depois de regresso a Coimbra, pudessem utilizar esses conhecimentos no ensino a terceiros.
Este era o título do seu testamento político
«Deus não pôs os ceptros nas mãos dos príncipes para que descansem, senão para trabalharem no bom governo dos seus reinos.»
O reinado de D.João V não regista qualquer vitória para a coligação militar a que pertencíamos, no decurso da guerra da sucessão de Espanha.
Vejamos
25-04-1707-Batalha de Almansa 26-05-1707-Capitulação de Serpa 07-05-1709-Batalha do Caia 08-06-1710-A praça de Miranda do Douro cai em poder das forças espanholas, muito embora tenha sido recuperada de novo em 15-03-1711 10-12-1710-Batalha de Vila Viçosa
Foi então assinado em 27 de Novembro de 1712 no Congresso de Utreque, um armistício com a França e Espanha, por 4 meses assinado entre D.João V, Luís XIV e Filipe V, então o novo rei de Espanha, que viria a consolidar-se em 11 de Abril do ano seguinte em Tratado de Paz e Amizade, rubricado unicamente entre D.João V e o rei de França.
A paz com a Espanha foi depois assinado em 1715 a 6 de Fevereiro ,pelo dois Reis e garantido por Jorge I de Inglaterra
Estes tratados foram impostos a todos pelo cansaço geral dos beligerantes.
D.Luís da Cunha, juntamente com o conde de Tarouca , representou com mérito os interesses portugueses em Utreque, cuja grande vantagem, para além do fim do conflito em si mesmo, consistiu na entrega a Portugal do território e colónia de Sacramento no Brasil, que havia sido atacada e conquistada no início da Guerra da Sucessão em 1704
(Carlos II) Um breve resumo sobre as causa desta guerra, iniciada no reinado de D.Pedro II, ajuda a perceber as consequências que viriam a acontecer neste reinado
O rei de Espanha, Carlos II, era um pobre degenerado de tal modo doente que os que o rodeavam, esperavam vê-lo morrer a todo o momento.
Com 30 anos apenas, tinha todo o aspecto de um velho, tez lívida, o corpo sem força e espírito apático. O último dos Habsburgos no trono espanhol, não era capaz de discernir os interesses do trono e menos ainda de os defender.
O único filho de Filipe IV(o "nosso" III) a sobreviver ao pai, cujo trono, quando da sua morte, e atendendo á sua menoridade é entregue a sua mãe Mariana de Áustria.
Com a sua morte aos 39 anos e obviamente sem descendentes, abriu-se em Espanha um grave conflito europeu, pela sua sucessão.
Para se fazer uma ideia da extensão dos domínios espanhóis na altura refira-se :
Espanha ,Nápoles,Sicília , senhor de quase toda a Itália excepto dos Estados Papais e da Sereníssima República de Veneza , e do império ultramarino castelhano, do México à Patagónia e que incluía Cuba e as Filipinas . Era Rei de Nápoles e Sicília, rei titular de Jerusalém e Rei da Sardenha e dos Países Baixos, duque de Milão, conde da Borgonha e conde do Charolais.
As guerras da Restauração portuguesa, haviam terminado na época de regência de sua mãe em 1668 .
Em 1 de Novembro de 1700, data de falecimento de Carlos II e por testamento o trono de Espanha, é atribuído a um neto de Luís XIV e de Maria Teresa de Espanha,o duque Filipe de Anjou, filho segundo do delfim francês.
Portugal que havia firmado com a França, antes da morte de Carlos II, um acordo em que se previa inclusivamente a anexação de Badajoz e Alcântara, viria a mudar de estratégia em Maio de 1703.
Mais uma vez, o facto da Inglaterra como seria óbvio imaginar, não aceitar facilmente, uma coroa espanhola-francesa em Espanha, com a Holanda em 1703, decide aliar-se ao Imperador alemão o arquiduque Carlos, que apresentara a sua candidatura ao trono espanhol.
Uma vez "entrincheirados" nesta aliança como seria de prever Filipe V, em 30 de Abril de 1704 declara guerra a Portugal, abrindo-se de imediato hostilidades fronteiriças.
O ponto alto do conflito, segundo a visão portuguesa, foi em 28 de Junho de 1706, quando as tropas da Grande Aliança comandadas pelo Marquês de Minas entram em Madrid, fazendo aclamar o arquiduque Carlos como Carlos III rei de Espanha. Como essa data antecede em 6 meses a morte de D.Pedro II, pode dizer-se que esta guerra no tempo de D.João V, consiste num desfilar de derrotas até ao fim da mesma, consolidada na paz de Utreque em 1712.
Durante o reinado de D.João V, realizaram-se em Lisboa 28 autos-de-fé públicos, em geral cada 2 anos e cerca de 341 particulares.
Não havendo a certeza se o rei esteve presente em todos eles, seguramente esteve na maioria pelo menos dos actos públicos.
D.João V gostava do espectáculo, era talvez o seu favorito, mas saliente-se que essa manifestação de barbárie a nossos olhos, não o seria nesse tempo, é incompreensível mas assim era nesse tempo e ainda durante muito tempo, pois a Inquisição foi extinta gradualmente ao longo do século XVIII, embora só em 1821 se dê a extinção formal em Portugal numa sessão das Cortes Gerais.
A título comparativo, a última pessoa morta pela inquisição espanhola, foi o professor Cayetano Ripoli, garroteado em Valência em 26 de Julho de 1826, só sendo contudo abolida 8 anos mais tarde.
A Inquisição existia através dum tribunal eclesiástico, que perseguia e condenava aqueles que fossem suspeitos de praticar outras religiões. Era também uma instituição avessa à produção cultural assim como se opunha a todas as inovações científicas.
Atitude "reaccionária", diríamos hoje muito justamente.Na verdade, a Igreja receava que as ideias inovadoras conduzissem os crentes à dúvida religiosa e à contestação da autoridade do Papa.A tão controversa infalibilidade que ainda hoje é defendida como dogma da Igreja Católica Apostólica Romana.
D.João V, mesmo na fase terminal da sua doença e dadas as dificuldades de locomoção, nem assim deixava de comparecer, ia de véspera para casa do inquisidor-mor o cardeal da Cunha.
Aliás o clima era de tal modo festivo que se aproveitava a ocasião, para se organizarem jantaradas, que sarcasticamente passava por enormes churrascos, como se o apetite fosse estimulado pelo espectáculo cruel de se assistir a pessoas serem mortas na fogueira.
Muito embora o Papa João Paulo II tenha pedido perdão, pelos erros dos "filhos da igreja" e não da instituição Igreja, como deveria ter dito, minimizou a questão considerando que o homem de hoje tem dificuldade em entender as razões que levaram a Inquisição a ser necessária para a sua época.
D.João V foi um rei que sempre patenteou uma grande curiosidade científica, como se prova pelas inúmeras encomendas que os seus diplomatas faziam por cumprir de diversos instrumentos científicos como telescópios, barómetros, sextantes, relógios de pêndula, reveladores do seu interesse em desenvolver a astronomia, a matemática, etc.
A astronomia e a matemática elementares foram ensinadas na "Aula da Esfera" durante cerca de século e meio no Colégio de Santo Antão, fundado em Lisboa pela Companhia de Jesus.
Foi neste colégio (hoje o Hospital de S. José), que foi montado o primeiro Observatório Astronómico português.
Desde o princípio el-rei se interessou pelos projectos do padre, jesuíta Bartolomeu de Gusmão que foi, provavelmente, o maior precursor mundial da história da aerostação, ficando célebre, através dos tempos, pela invento da "Passarola".
Muito ridicularizado na época, chamavam-lhe "o americano", porém D.João V sempre o incentivou. recebeu as chaves da quinta do duque de Aveiro em S.Sebastião da Pedreira para ali fabricar o seu engenho.
Financiando igualmente os custos do invento, basicamente em arame e papel
Em 1709 o rei assistiu á primeira prova do invento do "Voador" de alcunha em tom jocoso, não sendo a estreia propriamente um êxito atendendo que ardeu completamente.
Outra versão porém é contada do site do Museu do Ar
No dia 8 de Agosto de 1709, na sala dos embaixadores da Casa da Índia, diante de D. João V, da Rainha, do Núncio Apostólico, Cardeal Conti (depois papa Inocêncio XIII), do Corpo Diplomático e demais membros da corte, Gusmão fez elevar a uns 4 metros de altura um pequeno balão de papel pardo grosso, cheio de ar quente, produzido pelo " fogo material contido numa tigela de barro incrustada na base de um tabuleiro de madeira encerada". Com receio que pegasse fogo aos cortinados, dois criados destruíram o balão, mas a experiência tinha sido coroada de êxito e impressionado vivamente a Coroa.
As experiências sucederam-se com balões de muito maior envergadura e, finalmente, embora não haja provas irrefutáveis sobre o facto, consta que um balão, enorme, provavelmente voado pelo próprio Gusmão, foi lançado na praça de armas do castelo de S. Jorge e depois de percorrer 1 km veio a cair no Terreiro do Paço.
Bartolomeu Lourenço de Gusmão, nasceu em 1685 em Santos, perto de S.Paulo, no Brasil, vindo a morrer com 39 anos em Toledo, indigente e com nome falso.
Pintor da Casa Real. Por ser natural de Lisboa, onde nasceu a 4 de Outubro de 1699, ficou conhecido como Vieira Lusitano, sendo o seu nome Francisco de Matos Vieira
Uma família fidalga da quinta da Boavista quiseram conhecer o talentoso jovem, que desde miúdo patenteava a sua tendência para as Belas Artes.
Aí encontrou pela primeira vez aquela que seria o amor de toda a sua vida e com quem decorreram episódios rocambolescos.
O marquês de Abrantes, que viu alguns desses trabalhos, e estava nomeado embaixador em Roma, propôs-lhe levá-lo consigo e protege-lo, para que ele pudesse aperfeiçoar-se na arte, para que mostrava tão evidente vocação.
Com 15 anos saiu de Lisboa na companhia do diplomata português com destino à capital italiana.
Numa primeira fase esteve em Roma, cerca de 7 anos, embora com o seu tempo de estudo muito limitado, pela utilização que o seu mentor o marquês de Abrantes lhe atribuiu encarregando-o de lhe fazer desenhos de todos os festejos e funções religiosas que se efectuavam em Roma, de todos os ornamentos e peças que serviam de adorno aos altares da basílica de S. Pedro, e outras trabalhos menores.
Tomando parte num concurso da Academia de S. Lucas, ganhou o prémio com um trabalho em que representou a conhecida cena de Noé embriagado diante de seus filhos, sendo ele o primeiro português que em Roma alcançou tão sabida honra.
Regressando à pátria foi logo encarregado por D. João V de fazer um grande quadro do Santíssimo Sacramento para servir na procissão do Corpo de Deus, e depois de lhe pintar o retrato para servir de modelo aos cunhos da moeda.
Posteriormente pintou também na sacristia da igreja patriarcal alguns quadros.
Casou com D. Inês Helena de Lima e Melo, a tal menina que conhecera em criança. S família de D. Inês opunha-se ao casamento por julgarem o noivo de condição inferior.
Os pais da noiva, levaram a filha para o convento de Santana, e obrigaram-na a professar, embora ela protestasse era casada.
Francisco de Matos Vieira tentou por todos os modos legais tirar a esposa da clausura, mas como nem o próprio soberano o atendeu, decidiu voltar a Roma afim de pedir ao papa os breves precisos para a realização do seu desejo.
Esteve mais de 5 anos em Roma, no que respeita ás artes. tiveram eles o melhor êxito, porque, consolidando de dia para dia a sua reputação, foi feito académico de mérito na Academia de S. Lucas.
Dos trabalhos que então executou, especializa-se o quadro que pintou para a Academia representando Moisés na presença do rei do Egipto.
Voltando à pátria deliberou levar a efeito um projecto, saltando embora por cima de todas as leis civis e eclesiásticas.
Arranjou meio de lhe chegar ás mãos um fato completo de homem, e um dia, D. Inês saiu do mosteiro para se encontrar com seu marido, e assim no fim de tantos anos de trabalhos e de amarguras puderam unir-se os dois esposos.
Um irmão dela tentou vingar a honra da família supostamente ultrajada, e esperando o pintor próximo, da rua das Pretas, desfechou sobre ele um tiro de pistola, que o feriu gravemente.
Matos Vieira, resolveu, para viver sossegado, uma nova viagem a Roma, mas chegando a Sevilha em 1733, foi chamado a Lisboa, sendo nomeado pintor do rei com o ordenado mensal de 60$000 reis .
Esteve em Mafra, onde enviuvou em 1775, e com o desgosto pela perda da sua companheira, abandonou a pintura, e foi viver para o Beato António, passando ali os últimos anos da sua existência.
Algumas obras, que escaparam ao terramoto: Painéis na igreja de S. Roque:
Santo António pregando aos peixes e Santo António prostrado diante de Nossa Senhora
Casa de Povolide
uns quadros de Santo António, S. Pedro, S. Paulo, a Família Sagrada, e Santa Bárbara,
Pertencente ao conde de Assumar
Sagrada Família
Convento do Menino de Deus
um grande painel representando S. Francisco,
A capela dos 7 altares da igreja de Mafra tem um grande quadro da Sacra Família.
na Junta do Comércio.
uma Senhora da Conceição,
Consta que na Biblioteca de Évora existe uma grande colecção de desenhos de Vieira Lusitano.
(Respigado de um artigo transcrito por Manuel Amaral no site Portal da História
VIEIRA LUSITANO, 1699-1783 [Alegoria à Academia Real da História]
D.João V gostava imenso de ler e para além disso dedicou especial atenção á biblioteca régia e ao patrocinio da impressão de muitas obras.
Criou bibliotecas no colégio das Necessidades e no convento de Mafra e sobretudo a da Universidade de Coimbra, construída com financiamento régio entre 1716 e 1728.
Sempre acusado de despesista pelos "inúmeros livros que fez imprimir, dentro e fora do reino dos escritores do nosso tempo e dos séculos mais afastados", não pode deixar de se salientar o contributo que nesta matéria deu á causa da cultura.
A biblioteca do paço ficava situada no terceiro andar do palácio real, enriquecida com bons livros e excelente e cuidadoso acondicionamento.
As obras literárias vinham frequentemente do estrangeiro, tendo os seus embaixadores instruções, para enviarem para Lisboa, catálogos sobre venda de livros publicados, bem como instruções para que observassem aspectos de organização, decoração e conteúdos.
Há referência bastantes aos habitos de leitura compulsiva de D.João V, para alguns "enfronhava-se de tal maneira na leitura que por vezes se esquecia de comer, jantando depois das 4 da tarde"
Para sublinhar este facto, por certo exageradamente, disse D.António Caetano de Sousa que D.João V "fazia mais gosto nos livros, do que do ouro e dos diamantes que recebia do Brasil".
Preferia temas de História e de Geografia de Portugal, como forma de saber onde ficavam determinados locais do seu reino, já que visitas apenas fez a provincias mais perto de Lisboa, como Estremadura e Alentejo.
Nos últimos 8 anos da sua vida (1742-1750), substituiu a leitura por ouvir ler, já que a sua doença lhe dificultava os movimentos mais simples como pegar num livro e virar as páginas.
Foi com a Academia Real de História que D.João V mais dinheiro gastou, para edição de obras várias e para a realização de "academias", (reuniões literárias no palácio real).
Esta academia foi uma instituição fundada a 8 de Dezembro de 1720 , com o objectivo de escrever a história de Portugal, teve um curto período de florescimento, entrando, a partir de 1736 , em lenta decadência, até que desapareceu.
Foi percursora da Academia Real das Ciências de Lisboa (hoje Academia das Ciências ), fundada em 1780 , e deixou um importante espólio na sua Colecção dos Documentos e Memórias da Academia Real de História .
É sua herdeira a Academia Portuguesa da História (fundada em 1935 ).
Neste país pródigo em situações caricatas é frequente ouvir nos nossos auditórios, compositores estrangeiros do Barroco de duvidosa qualidade, quando por incúria se não promove devidamente um dos maiores do seu tempo como é o caso de Carlos Seixas.
José António Carlos de Seixas, nascido em Coimbra a 11 de Junho de 1704, , é o maior compositor português para música de tecla do Barroco. A sua obra não se limita só ao cravo — o maior número — e algumas obras para órgão.
Compôs igualmente obras sacras e obras para orquestra — a sinfonia em Si bemol, por exemplo.
Filho de Francisco Vaz, organista da Sé de Coimbra e de Marcelina Nunes. Carlos Seixas substitui o pai aos 14 anos de idade naquele cargo.
Em 1720 muda-se para Lisboa, sendo nomeado organista da Sé, e um pouco mais tarde ascende ao distinto cargo de Vice Mestre da Capela Real, algo notável atendendo a que o Mestre de Capela era Domenico Scarlatti .
Morre apenas com 38 anos, ocupando então o cargo de Mestre da Capela Real: o mais alto cargo na música portuguesa de então.
Compôs belíssimas obras de música sacra, entre as quais se contam o "Ardebat Vicentius" , para a festa de S. Vicente, a Missa em Sol, e um "Te Deum" para duplo coro e orquestra, entretanto desaparecido muito provavelmente com o terramoto de 1755, assim como grande parte das 700 sonatas para instrumento de tecla (umas para cravo e outras para órgão), das quais restam cerca de cem, um concerto para cravo, uma sinfonia em Si, uma abertura em Ré, e um outro concerto para cravo que lhe é atribuído
Discografia recomendada: - Keitil Haugsand; Norwegian Baroque Orchestra; Concerto para cravo em Lá, Sinfonia em Si bemol, Sonatas para cravo; VirginVeritas.
- Keitil Haugsand; Norwegian Baroque Orchestra; Missa, Dixit Dominus, Tantum Ergo, Sonatas para Órgão; VirginVeritas.
Muitas manifestações musicais aconteceram graças á rainha D.Maria Ana ou por sua iniciativa.
A título de exemplo:
1711 a Fábula de Acis e Galateia, festa “harmónica com violinos,violões, flautas e oboés.
1712 a peça Fábula de Alfeo e Arethusa de Luis Calisto da Costa e Faria.
1713 uma festa de zarzuela intitulada O poder da harmonia
Para além dos excessos “freiráticos”, a nobreza e el-rei em particular, preferiam continuar a frequentar os conventos femininos, em especial o de Odivelas, para ouvir música sacra entre outras distracções.
País cinzento e de poucas diversões na corte portuguesa, a avaliar pela correspondência da jovem nora espanhola para a sua família, sendo excepção diversões pelo Entrudo, como em 1730 foi o da representação da peça D.Quixote.
A primeira ópera de António José da Silva O Judeu foi “Vida do Grande D.Quixote de la Mancha e do gordo Sancho Pança”, que se representou no Teatro do Bairro Alto em Lisboa em Outubro de 1733, na sequência dum semana com várias distracções no paço.
Desde 1732 até ao grande terramoto de 1755, representaram-se cerca de uma centena de óperas, grande parte traduzidas e cantadas em Português tendo chagado a funcionar , ao mesmo tempo, cinco teatros de ópera, incluindo o do Bairro Alto.
Isto revela o interesse que a ópera, nova forma de espectáculo, despertou em Portugal.
D.João V gostava de teatro em especial as organizadas pelos Jesuítas do Colégio de Santo Antão.
Serenatas eram muito frequentes, mas hoje existem muitos libretos, mas quase nenhumas partituras dessa serenatas.
Compositores identificado desse tempo,Carlos Seixas, Scarlatti, o barão de Astorga compositor siciliano, Francisco António de Almeida, organista da patriarcal, autor das operas La d’Pazienza di Socrate (1733), La Spinabla (1739) e Il Trionfo Amore , e António Teixeira, autor de numerosas músicas de Igreja, que foi o primeiro compositor dramático da língua Portuguesa e um dos casos mais interessantes da história da música nacional, pois escreveu música para sete óperas, com base nos materiais existentes na Biblioteca do Palácio de Vila Viçosa; foram reconstituídas as partituras de Guerras de Alecrim e Mangerona e de As Variedades de Proteu.
A qualidade músical e dramática, impõem António Teixeira como um dos principais compositores dramáticos da primeira metade do século XVIII.
António Almeida e António Teixeira a partir de 1717, foram estudar para Itália, como pensionistas do rei.
(Informação recolhida do site da Academia Musical de Santa Cecília http://www.amsc.com.pt/)
As obras iniciaram-se em 1717, ano do lançamento da primeira pedra e a 22 de Outubro de 1730, dia do 41º aniversário do rei, procedeu-se à sagração da basílica.
È o mais significativo monumento do barroco em Portugal, integrando um Paço Real, uma Basílica, um Convento Franciscano e uma importante Biblioteca, síntese do saber enciclopédico do séc. XVIII.
A construção, que chegou a envolver mais de 50 mil homens, só terminou, oficialmente, em 1750, com a morte do rei,embora muitos pormenores só viessem a ser concluídos nos três reinados seguintes.
As dificuldades para manter os trabalhadores foram enormes chegando a ser tomadas medidas drásticas, para castigar os fugitivos.Os que fossem apanhados teriam de trabalhar 3 meses sem receber pagamento e se fossem reincidentes, esperava-os as galés e açoites.
Acomodaram-se nesta obra as pessoas em casas de madeira que se construíram e foram abatidas depois da obra concluída, numa área superior ao Terreiro do Paço.
Da enorme massa de trabalhadores envolvida, muito adoeceram e morreram, tendo D.João V determinado que ás famílias de cada um dos mortos de desse uma esmola de 3 mil réis, um hábito para ser amortalhado, uma cova e cinco missas por alma.
Foram realmente tempos de trabalhos forçados, muitos homens reduzidos á condição de escravos, obrigados a deixar as suas terras e famílias para trabalharem numa obra, que apenas era do gosto do rei.
Imensos problemas com demoras nos pagamento aos trabalhadores e ajustamento de trabalho com mestres de ofício, fizeram atrasar a obra que afinal não agradava a ninguém para além do próprio rei.
Os religiosos do convento também se queixavam, do sítio onde foi edificado, que nem agradava á família real, que o rei tinha dificuldade em conseguir que o acompanhassem a Mafra.Transferência de festas importantes para Mafra foi outro dos subterfúgios a que D.João V se socorreu para tentar tornar Mafra um local bem querido e importante.
Mesmo com a construção por acabar em 1733 resolveu ali festejar o seu aniversário, que habitualmente se festejava no Paço da Ribeira, o que igualmente havia acontecido no ano anterior, quando em meados de Outubro uma grande tormenta quebrou os vidros do convento, logo o rei mandou para Mafra, oficiais e vidraceiros, para que sob pena de prisão, tivessem tudo pronto na véspera do seu aniversário em 22 de Outubro, nessa altura só os camaristas o acompanharam, permanecendo os demais cortesãos em Lisboa.
Quando o rei adoeceu em 1742, Mafra ainda não estava totalmente concluído, mandando el-rei arrematar a obra por 625.000 cruzados , com um prazo de 8 anos para a sua finalização.
Em 1744 decidiu mandar comprar as quintas e casais num perímetro de 3 léguas em torno do edifício, para fazer uma cerca para os padres do convento e para mandar fazer uma tapada, para onde o príncipe D.José pudesse ir a caça, para "o ver mais vezes naquele sítio".
Parece que o príncipe herdeiro contudo, preferia caçar coelhos na real tapada de Alcântara.
Segundo José Saramago no seu livro "Memorial do convento", que põe na boca de D.João V a seguinte frase
«Prometo, pela minha palavra real, que farei construir um convento de franciscanos na vila de Mafra se a rainha me der um filho no prazo de um ano a contar deste dia em que estamos…»
corroborando esta ideia muito divulgada da promessa real em construir um convento, contra o nascimento de um filho,o que indicia alguma pressa nesse acontecimento.Já casado desde 1708, só em 1711 havia nascido a infanta D.Maria Bárbara, sendo provável que entretanto essa promessa tenha sido feita.
Se a razão da construção foi essa promessa, então começou a ser cumprida um pouco mais tarde, quando lançou a primeira pedra da igreja em Novembro de 1717, para a construção dum convento para capuchos arrábidos.
Se a razão da promessa foi não o nascimento de um filho, mas a cura de uma doença então o prazo de cumprimento do prometido, já é mais aceitável, pois há noticia que el-rei esteve retirado em 1716 em Vila Viçosa, por motivo de doença de cariz melancólico.
Deve ter sido uns anos mais tarde que surgiu a ideia de anexar um palácio, ao que estava destinado a servir apenas para a vida conventual,com um modesto projecto para abrigar 13 frades.
Talvez não se tenha tratado apenas de devoção, a ideia da construção do convento-palácio de Mafra, mas também o desejo de ostentar o seu poder e riqueza, pois o dinheiro do Brasil começou a entrar nos cofres, pelo que D. João e o seu arquitecto, Johann Friedrich Ludwig,iniciaram planos mais ambiciosos.
Representando um enorme esforço quer em dinheiro quer em pessoas."milhares de trabalhadores que vêm de todo o reino para Mafra" lia-se numa gazeta manuscrita em Setembro de 1729.
Construído em pedra lioz da região de Pero Pinheiro e Sintra, o edifício ocupa hoje uma área de cerca de40000 m2, com cerca de 1200 divisões, mais de 4700 portas e janelas, 156 escadarias e 29 pátios e saguões.
Seria fastidioso mencionar todos as visitas que D.João V e D.Maria Ana e outros membros da família real faziam a igrejas e conventos, pois eram praticamente diárias.
Nessa época o sagrado e o profano misturavam-se, as procissões e o Carnaval andavam lado a lado.
D.João V transformou alguns desse hábitos, abolindo alguns elementos de carácter mais popular e revestiu-os de maior luxo e grandiosidade, na decoração das ruas. O chão onde passavam as procissões, por exemplo a do Corpo de Cristo, era alcatifado com ervas agradáveis ao olfacto e flores, mandado armar as paredes de sedas e toldos de damasco.
Aquilo que anteriormente era um espectáculo para o povo, que se divertia com os carros e as danças oferecidas pelas corporações de ofícios, passou a ser uma manifestação do poder régio, consolidado pela patriarcal.
Todas as confrarias e irmandades das paróquias da corte tinham que participar, exigindo que pelo menos este ritual se espalhasse pelo Império, sobretudo no Brasil.
Segundo o critério absolutista da sua época, em traços gerais pode dizer-se que o rei aumentava as despesas que entendia fazer, com a procissão do Corpo de Deus, mas quem pagava eram os munícipes via impostos camarários, que não paravam de subir.
A musica religiosa foi a que mais atraiu o monarca, que tudo fez para melhorar o nível da sua capela real. Foram contratados cantores italianos, que chagaram a ser em 1730 mais de 30 elementos, tendo contratado Domenico Scarlatti, um compositor barroco, para mestre dos seus filhos.Assim se reforçava o naipe de músicos italianos, na corte portuguesas.
Tendo pensado em construir um novo edifício para a Patriarcal, mandou vir a Lisboa um arquitecto muito conhecido de nome Filipe Juvara, que foi principescamente recebido, fez os seus estudos e passados 3 dias zarpou para Inglaterra, não sem antes ter recebido mercê de 2500 cruzados de tença anual, com o habito de Cristo guarnecido de diamantes.
Ao que parece o orçamento de Juvara requeria além duma avultada soma de milhões, um prazo de cerca de 30 anos para ser concretizado.
Segundo se disse na altura o rei só achou dilatado o prazo de construção, pelo que a obra não foi concretizada, ficando-se por mandar fazer algumas reparações na que já existia.
Pelo vistos o projecto falhado de Santana Lopes em Lisboa, para o parque Mayer, nos nossos dias, não foi caso único na dolorosa história da dissipação inútil de recursos em Portugal.
As pequenas reparações na Patriarcal já existente , tornaram-se praticamente uma obsessão para D.João V, sendo difícil avaliar quanto foi gasto, nessa reconstrução.Dizia um estrangeiro Merveilleux na sua obra "O Portugal de D.João V" que, "só os paramentos preciosos e a prata destinados ao serviço da igreja patriarcal, absorveram as riquezas de muitas frotas do Brasil".
Numa pia baptismal mandada fazer em Itália, embutida de pedras preciosas, foi gasta uma substancial quantia, mas não foi só na decoração interior que se gastaram quantias astronómicas, também por fora se fizeram modificações urbanísticas, para que o espaço exterior ficasse mais imponente.
D.João V não poderia saber que o seu esforço de construção, a sua paranóia da Ribeira das Naus , haveria de ficar completamente destruída em 1755
Tal como D.João V, já seu pai D.Pedro II, num papel por si assinado em 1704, declara que tivera dois filhos fora do casamento e tal como seu filho, também afirmava que eram filhos de "mulheres desobrigadas e limpas de toda a nação infecta".
Consta nas memórias do conde de Povolide que também havia sido pai de um filho de "cor parda", que se tornara padre e que claro nem pela cabeça do rei passou sequer a ideia de a ele se referir.
D.Luísa nascera a 9 de Janeiro de 1679, quando ele ainda era casado com D.Maria Francisca de Sabóia, foi educada em casa dum secretário de Estado, passou por um convento em Carnide vindo mais tarde casar com um filho do duque de Cadaval.
Só nessa altura foi reconhecida pela rainha D.Maria Sofia e tratada pela corte como filha do rei. Foi o único filho ilegítimo a ser reconhecida pelo pai em vida deste . D.Luísa era filha de Maria Carvalho, "moça de varrer", criada de uma dama da câmara, e também ela "limpa de sangue", que entrou para o Convento de Santa Mónica, (como quem diz aprisionada no convento), pois não sendo religiosa, por ali ficou quando el-rei se cansou dela.
D.Luísa enviuvou e mais tarde voltando a casar com um cunhado, acabando por enlouquecer e morrer aos 54 anos.
D.Miguel que D.Pedro II declarou á hora da morte ser sua mãe uma francesa de nome Ana Armanda du Verge, moça da câmara.e dama da rainha D.Maria Francisca Isabel de Sabóia, e D.José que era filho de Francisca da Silva, cujo pai era tanoeiro, mas tudo "gente limpa de sangue"
Quando D.Pedro morreu, esse filhos tinham 7 e 3 anos respectivamente,estavam a ser criados em casa de Bartolomeu de Mexia para quem ele pediu a D.João V lhe concedesse mercês, que com tanto zelo cuidava de seus irmãos.
Foram estes irmãos sempre tratados por D.João V, conforme seu pai havia preconizado.
D.Miguel haveria de casar em 1715 com D. Luísa Casimira de Nassau e Ligne, filha do príncipe Carlos José Ligne, e herdeira da casa de Arronches. Deste casamento nasceram os duques de Lafões D. Pedro e D. João, e a marquesa de Cascais, D. Joana Perpétua de Bragança .
D. Miguel tinha apenas 20 anos quando, andando a passear no Tejo, em 13 de Janeiro de 1724, se virou o bote que o conduzia, e naufragou, morrendo afogado. Muitos dias correram sem aparecer o cadáver, até que vindo à praia no dia 5 de Fevereiro, foi sepultado com a pompa costumada na igreja do convento de S. José de Ribamar.
D.José seguiu a carreira eclesiástica, estudando primeiro em Évora, tendo depois chegado ao arcebispado de Braga.
Nasceu em Lintz a 7 de Setembro de 1683, faleceu. no paço de Belém a 14 de Agosto de 1754. Era filha do imperador Leopoldo e de sua terceira mulher, a imperatriz D. Leonor Madalena Teresa de Neuburgo, irmã do imperador José, então reinante.
Como era tradição, as rainhas de Portugal, dispunham além de rendimentos próprios, de servidores distintos daqueles que serviam o rei.
A Rainha D.Maria Ana da Austria, era uma personalidade muito forte, de grande austeridade e católica fervorosa.Desde logo decidiu controlar as presenças masculinas em sua casa.determinando "que nas antecâmaras as fidalgas não assistentes no Paço, não falem com homem algum ainda que sejam parentes muito chegados".
Para as que viviam no Palácio a regra era outra "podiam falar só a pais e irmãos e tios irmãos dos pais", mas mesmo assim só na presença de uma dona de câmara. Naturalmente oriunda de uma País de grande tradição cultural, organizava saraus em seus aposentos, com assistência restrita, em que ela própria tocava cravo.
A rainha era uma boa mãe que educava os filhos com inexcedíveis cuidados, porém não isenta de exageros, nomeadamente no que toca aos aspectos religiosos, como por exemplo o de o seu primeiro filho, D.Pedro, ter sido sepultado, quando morreu apenas com 2 anos e pouco, com o habito da Companhia de Jesus, por ser esse o vestuário que normalmente envergava em vida.
Imagine-se pois uma criança de 2 anos, vestido de jesuíta para homenagear S.Francisco Xavier de quem a rainha era devota.
Na Quaresma, "correr as igrejas", era uma prática de devoção para a rainha, acompanhada pelas damas da sua casa real e elementos femininos da família.Mesmo fora dessas época as visitas ás igrejas eram constantes, Madre de Deus,Esperança e São Roque, as mais visitadas.
Aos domingos costumava divertir-se nas" faluas pelo Tejo abaixo", acompanhada com música de "clarins e atabales", mas esses passeios ainda que pelo campo, acabavam invariavelmente na visita a um convento.
Tudo servia de pretexto para visitas a igrejas e conventos, quando aos 2 anos de idade, o infante D.José foi desmamado, logo a rainha o foi oferecer a S.Francisco Xavier à igreja de São Roque.
Como curiosidade lembre-se que nesta época, o período de amamentação durava geralmente até aos 3 anos e nunca as mulheres de condição nobre e muito menos as rainhas amamentavam os seus filhos. Essa tarefa era entregue a mulheres de condição plebeia, que após terminado o serviço de amamentação voltavam ás suas anteriores casas.
A rainha adorava as montarias , por exemplo em Fernão Ferro, onde se caçavam javalis e raposas. Depois armavam-se tendas para o jantar e o regresso a Lisboa.
Jantares que segundo reza a Gazeta de Lisboa, não eram restritos, toda a gente comia "entre duas fontes de vinho, em que comeram todos os criados inferiores que ali se acharam e depois se expôs tudo ao povo". Enfim uma despesa superior a um conto de réis.
Fundou o convento de S. João Nepomuceno em Lisboa, onde quis ser sepultada num magnífico mausoléu, e como era muito amiga da sua pátria recomendou no testamento que o seu coração fosse levado para o jazigo dos seus antepassados na Alemanha.
O colégio de Santa Catarina, ocupa hoje esse antigo complexo conventual, consagrado à devoção do santo trazido pelos religiosos Carmelitas Descalços Alemães e que actualmente dá o nome ao largo onde se situa o colégio. A igreja foi decorada com frescos e pinturas, alegóricas ao seu patrono, da autoria de um grande pintor do período artístico joanino – Pedro Alexandrino de Carvalho.
Testemunho da sua beleza e esplendor é ainda hoje a existência de uma imagem de João Nepomuceno de grandes dimensões que estava colocado no frontispício da igreja e que actualmente se encontra no átrio (antigo Claustro) do colégio.
Anos mais tarde, em 1737, este complexo conventual foi reconstruído pelos arquitectos Carlos Mardel e Machado de Castro.
(O Palácio Pimenta, edifício da primeira metade do século XVIII, obra de Ludovici ou Carlos Mardel alberga hoje o Museu da Cidade.)
Nos séculos XVII e XVIII, a inclinação religiosa não era uma das razões mais importantes para trancar uma jovem num convento. Um espírito rebelde, uma natureza sensual, um amor inaceitável ou uma gravidez ilegítima eram motivos mais comuns. Sem a vigilância familiar, da sexualidade enclausurada brotavam êxtases místicos, auto flagelações e até os amores entre freiras e seculares Uma das principais razões, é o prazer pela transgressão das regras ditadas pela Igreja, que mantinha então a sociedade portuguesa sob a Inquisição. A violação do espaço conventual era um acto político contra o poder da Igreja. Uma subversão da qual o próprio rei João V participava. Enquanto, pressionado por seus auxiliares, desencadeava dura perseguição contra os freiráticos, o rei enfeitava de ouro brasileiro, para seus encontros com madre Paula, uma alcova ligada ao convento de Odivelas por uma passagem secreta. O rei não estava só em sua preferência por amantes de hábito. Muitos nobres suspiravam diante das grades ou pulavam muros dos conventos. O fascínio do proibido, as dificuldades da sedução tornavam ainda mais aliciantes as conquistas.
A mais famosa delas foi, sem dúvida, Madre Paula, talvez a freira mais conhecida do mosteiro. Paula Teresa da Silva e Almeida nasceu em Lisboa em 30 de Janeiro de 1718. Era neta de João Paulo de Bryt, um alemão que fora soldado da guarda estrangeira de Carlos V e se estabelecera em Lisboa como ourives. Paula entrou para o convento de Odivelas aos 17 anos de idade, e ali professou, após um ano de noviciado.
Frequentador assíduo do convento de Odivelas, D. João V mantinha várias amantes que ia substituindo conforme lhe era conveniente. Quando encontrou a jovem madre ficou loucamente apaixonado por ela. Nessa altura, a freira Paula já era famosa: havia se tornado amante de D. Francisco de Portugal e Castro, Conde de Vimioso, e que pouco antes tinha sido agraciado com o título de Marquês de Valença. D. João V não teve problemas para resolver a situação. Ele chamou o fidalgo e disse-lhe: "Deixa a Paula que eu te darei duas freiras à tua escolha". Assim, Paula passou a ser amante do rei que era trinta anos mais velho do que ela. Madre Paula exercia uma influência imensa sobre o rei. Quem precisasse de um favor real já sabia que a maneira mais segura de conseguir: era só recorrer à valiosa protecção da Madre Paula, a quem o soberano visitava todas as noites.
Das numerosas amantes de D. João V, Madre Paula foi a única que soube dominá-lo até à morte. O rei foi extremamente generoso não só com ela como com a sua família.
O Palácio Pimenta onde se encontra o Museu da Cidade de Lisboa no Campo Grande foi mandado construir por D. João V para a sua amante.(ver foto)
O pai de Paula chegou a ser agraciado com o grau de cavaleiro da Ordem de Cristo, a receber uma tença de doze mil reis e outros benefícios que lhe permitiram viver tranquilo.
O luxo em que vivia Paula no convento de Odivelas foi bem reproduzido em um documento da época, por Ribeiro Guimarães no seu Sumário de Vária História, onde descreve a magnificência asiática dos aposentos da madre Paula e sua irmã. Para servi-la, Madre Paula tinha nove criadas. Do romance entre Madre Paula e D. João V nasceu um menino que foi baptizado com o nome de José, como o príncipe herdeiro, e que mais tarde veio a exercer as funções de inquisidor geral.
A vida desregrada do rei escandalizava não só a corte como também os súbditos mais humildes. Mas ninguém se atrevia a repreender as atitudes de D. João V. Para se fazer uma ideia da moralidade desse tempo, basta recordar o que disse a abadessa D. Feliciana de Milão, às damas da rainha que não se levantaram, como lhes competia, à sua passagem. "Não se levanta de graça quem se deita por dinheiro". Após a morte do rei, que lhe deixou uma mesada principesca, Madre Paula continuou no seu recolhimento, recebendo os grandes que ainda se aproximavam. Assim se conservou ainda durante trinta e cinco longos anos, com a altivez de uma soberana em exílio. Faleceu, em 1785, aos 67 anos de idade e foi sepultada na Casa do Capitulo do Convento de Odivelas. Entretanto, vários nobres haviam recebido em 1724, ordem para assinar o compromisso de não visitar os conventos de freiras, a não lhes escreverem, nem lhes fazerem acenos da rua. Chegando mesmo a serem anunciados propósitos de penas prisão e de degredo. Tratavam-se apenas de leis para controlar o comportamento dos freiráticos, não o seu, claro, um rei absoluto está acima desses detalhes.
Após a doença que o atingiu em Maio de 1742, D.João V mandou por intermédio do cardeal da Cunha, consultar o jesuíta da Companhia de Jesus o padre José da Costa, para saber se "era obrigado em consciência a declarar por filhos seus ilegítimos, os três senhores que se educaram em S.Vicente e em Santa Cruz de Coimbra".
Perante a reposta afirmativa do jesuíta e de mais alguns ilustres que consultou, decidiu o rei, declarar 3 filhos adulterino.Nessa declaração afirma que eles não eram filhos da mesma concubina, mas todas elas "mulheres limpas de todo o sangue infecto".
Nesse documento firmado em 1742, mas só publicado em 1752 após a sua morte, se declarava afinal o que já toda agente sabia, "os meninos de Palhavã" eram seus filhos.
A expressão deriva do facto de terem habitado no palácio dos marqueses de Louriçal , situado na zona de Palhavã , na altura arredores de Lisboa, mas que hoje se situa em plena cidade (o edifício - denominado Palácio da Azambuja - é hoje a Embaixada de Espanha em Portugal, sendo também conhecido por "Palácio dos Meninos de Palhavã").
Eram eles:
D. António (n. em Lisboa, a 1 de Outubro de 1704; f. na capital, a 14 de Agosto de 1800; sepultado no claustro do S. Vicente de Fora), filho de uma francesa. Tendo obtido o grau de doutor em Teologia pela Universidade de Coimbra. Esteve desterrado no Buçaco, por ordem de Pombal, de 1760 a 1777.
D. Gaspar (n. em Lisboa, a 8 de Outubro de 1716; f. em Braga, a 18 de Janeiro de 1789), filho de D. Madalena Máxima de Miranda. Foi o segundo «Menino de Palhavã». Exerceu o múnus de arcebispo de Braga, de 1758 à data da sua morte;
D. José (n. em Lisboa, a 8 de Setembro de 1720; f. na mesma cidade, a 31 de Julho de 1801; sepultado no Mosteiro de S. Vicente de Fora), filho da Madre Paula, freira em Odivelas. Foi doutor em Teologia pela Universidade de Coimbra e inquisidor-mor em 1758. Esteve desterrado no Buçaco, com seu irmão D. António, de 1760 a 1777, por ordem do Marquês de Pombal
Menos sorte teve contudo outra filha de nome Maria Rita, pelo facto de ser mulher, não constou do "requerimento de paternidade", assinado pelo rei em 1742. Era filha da "Flor de Murta", assim se alcunhava a mãe D.Luísa Clara de Portugal, dama da casa da rainha.
Eventualmente nascida em Maio 1731, professou no convento de Santos até à morte, em data que se ignora.
Também como fruto da sua relação com D.Filipa de Noronha, filha do marquês de Cascais, terão gerado uma filha,nascida em Maio de 1710, no convento de Santa Clara, para onde D.Filipa terá sido desterrada.
A criança durou pouco tempo, enquanto o destino de sua mãe parece traçado numa carta existente na Biblioteca do Palácio da Ajuda, onde alude ás promessas de casamento do rei não cumpridas, mas termina dizendo "Peço a V.Majestade licença para professar no convento onde morreu Santa Teresa de Jesus. que assim como o amor de V.M. me desterrou do Paço, quero que a sua ingratidão me extermine do Reino"
Que mais tarde viria a casar com o príncipe das Astúrias, tinha o rosto marcado pelas bexigas mas era esbelta, bem feita de corpo e falava várias línguas. Aqui deve realçar-se a intensidade do surto de varíola, que atacava impiedosamente ricos e pobres, sem distinção , muitos membros da família real foram atacados por esta doença, para qual ainda não tinha sido descoberta vacina.
D.Pedro-nascido em 1712 mas que morreu apenas com 2 anos
Foi-lhe diagnosticada um "terçã dobre", morrendo após a habitual discussão em torno da questão de sangrar ou não o paciente. Foi descrito durante o embalsamento, que no "interior não se achou coisa que merecesse observação, para além do facto do fígado ser maior do que deveria ser". Como habitualmente a minha fonte (D.João V-Maria Beatriz da Silva) refere que os intestinos da criança foram sepultados no convento de São Francisco.
D.José-nascido em 1714
que viria a ser rei de Portugal, devido ao falecimento de seu irmão. Viria a casar por proposta de Filipe V de Espanha com a filha deste D.Mariana Vitória
D.Carlos-nascido em 1716
Não gozava de boa saúde, frequentemente saía de Lisboa, para beneficiar de melhores ares da vila de Belas. Cascais começava a ganhar fama de ser terra muito sadia e nela viverem os homens muitos anos. Logo o infante passou a ir a banhos para aquela terra. Sempre enfermiço ao infante tudo lhe aparecia, pleuresias, febres, etc., em 1735 ficou sem sentidos, muitas horas, achando então os médicos, por bem, "receitar-lhe" o santíssimo sacramento,pois tratava-se duma "maligna" pois "o mal está todo no peito". Animadores lá iam dizendo que se escapasse de morrer, ficaría com uma tísica que o deixaria viver pouco tempo. Finalmente morreu em Abril de 1736
D.Pedro-nascido em 1717
Este infante passou mais tarde a acompanhar frequentemente o príncipe D.José. Foi escolhido para casar mais tarde com a sobrinha, princesa da Beira e mais tarde D.Maria I
D.Alexandre-nascido em 1723, morreria com quase 5 anos
Foi atacado de bexigas, sangrado quatro vezes acabou por morrer a 2 de Agosto de 1728
Em 1 de Janeiro de 1707, realizou-se o levantamento e juramento de D. João Francisco António José Bento Bernardo, como 24º rei de Portugal, com o título de D.João V, o Magnânimo, o Rei-Sol Português, ou ainda num epíteto muito mais irreverente como o Freirático, pela sua obsessão sexual por freiras, como se anotará mais adiante.
Quando subiu ao trono o reino estava em guerra contra a Espanha e a França, em resultado da liga, que seu pai havia feito com o Imperador da Alemanha, Inglaterra e a Holanda pela sucessão do trono espanhol, por apoio ao arquiduque Carlos.
Na sequência de acordo já feito por seu pai, iniciaram-se logo em Dezembro de 1708, os festejos do seu casamento com D.Maria Ana da Áustria
Grande sumptuosidade nas festas do casamento, durante vários dias, mesmo com as dificuldades financeiras provocadas pela guerra (bem nossa esta característica). O povo esse como habitualmente regressaria "aos feijões e ao bacalhau", como quem diz que depois da ostentação real o povo voltaria ao seu pobre quotidiano.
Relato da chegada da Rainha e do casamento real retirado do Portal da História
Na viagem para Portugal tocou em diversos portos, realizando-se sempre pomposas festas, até que em 26 de Outubro chegou a Lisboa, onde teve uma imponentíssima recepção. No paço da Ribeira houve serenatas e músicas. No Terreiro do Paço queimaram-se fogos de artifício, e armou-se um anfiteatro, onde em três tardes sucessivas se realizaram corridas de touros. No dia 22 de Dezembro, seguidas dum pomposo cortejo, foram as pessoas reais e toda a corte à Sé, onde se cantou um solene Te -Deum.
No Anno Histórico do Padre Francisco de Santa Maria, vol. II, pág 334 e seguintes, vêem minuciosamente descritas as esplêndidas festas, os deslumbrantes cortejos e cerimónias, que se realizaram em Viena de Áustria e em Lisboa, assim como a descrição do dote da rainha. do contrato do casamento, e de muitas ofertas feitas pelo imperador da Áustria às pessoas que compunham a embaixada portuguesa
Num domingo a 5 de Dezembro de 1706, D.Pedro II, dizem uns depois da missa e outros depois da caça, recolheu numa quinta em Alcântara, que lhe havia sido cedida, por obras no palácio, "alguma coisa aquebrantado" onde depois "lhe sobreveio grande febre com uma sonolência invencível", não bastando para o acordar, a enorme quantidade de ventosas e de outros remédios que se julgou conveniente aplicar-lhe.
Reconheceram os médicos "a grande debilidade da cabeça", tendo-o purgado com o famoso extracto de agárico. Parece que "obrou copiosamente", mas foi necessário sangrá-lo novamente e por duas vezes nos pés, "porque havia uma sezão muito grave".
Mais tarde uma "pontada que lhe deu da banda esquerda", que alguns chamaram de "pleuriz bastardo".
As sangrias não paravam, mas as aflições e as dores não passavam, levaram à conclusão, que o fim se aproximava.
Após um sofrimento de 4 dias, D.Pedro II morre no dia 9 de Dezembro de 1706.
Conforme prática na época, com os reis defuntos, D.Pedro foi embalsamado
Existe relato minucioso sobre as entranhas reais tipo "O bofe estava todo negro" ou "a pleura do lado esquerdo estava esfacelada com uma grande porção de sangue gumoso". mas uma informação mais restrita diria que "se lhe acharam 23 pedras de fel e também um bolso de matéria em outra parte".
Também como era norma os intestinos retirados durante o processo, foram devidamente enterrados em local diferente do corpo embalsamado, foram para o mosteiro das Flamengas em Alcântara.
Nasceu em Lisboa, no paço real no dia 22 de Outubro de 1689 filho segundo de D.Pedro II e de D.Maria Sofia de Neuburg, baptizado no mesmo ano a 19 de Novembro
A sociedade da corte reconhecia que nos primeiros tempos da fase da vida dum futuro rei, deveria a sua educação ser entregue a mulheres, só mais tarde entrariam em cena os elementos masculinos.
O papel de sua mãe foi pouco influente na educação dele e de seus irmão. Alemã, distante e pouco simpática com humor difícil, afastava de si as pessoas, vivendo com alguma tristeza.No princípio de casada, gostava muito de beber vinho e jogar, mas D.Pedro repreendeu tantas vezes e com tanta severidade que se viu obrigada a abandonar esse prazeres.
Com o tempo tornou-se devota, passando a maior parte do tempo nos conventos.
Extremamente ciumenta, nos seus ataques de mau génio tratava mal toda a gente, incluindo os próprios filhos.Atendendo aos filhos ilegítimos do rei, os referidos ciúmes não eram de todo infundados.
D.Maria Sofia de Neuburg morreu em 4 de Agosto de 1699 com apenas 33 anos, tendo D.João apenas 10. Sua tia D.Catarina, rainha de Inglaterra, regressada a Portugal depois de enviuvar,assumiu em princípio a educação do sobrinho, pelo menos até á sua morte em 1705.
Duma forma geral as informações recolhidas, não parecem indicar, que D.João tenha tido uma educação muito cuidada.Entregue a alguns padres jesuítas.
Bastante influente nessa educação foi a do Inquisidor-geral do Santo Ofício, D.Nuno da Cunha de Ataíde e que terá marcado D.João para o resto da vida.
Seu pai, resolveu arma-lo cavaleiro da Ordem de Cristo, apenas com 7 anos.
Em 1 de Dezembro de 1697, o rei convoca cortes para o fazer jurar sucessor da coroa.
A sua irmã D.Teresa, morreria em 1704,vitimada por bexigas malignas (Varíola), como tantas outras da sua idade. Esta doença, só seria debelada por efeitos de vacinação em finais do século XVIII, após a descoberta por Janner