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sexta-feira, 23 de Março de 2007

A guerra da sucessão em Espanha-(Início)


(Carlos II)
Um breve resumo sobre as causa desta guerra, iniciada no reinado de D.Pedro II, ajuda a perceber as consequências que viriam a acontecer neste reinado

O rei de Espanha, Carlos II, era um pobre degenerado de tal modo doente que os que o rodeavam, esperavam vê-lo morrer a todo o momento.

Com 30 anos apenas, tinha todo o aspecto de um velho, tez lívida, o corpo sem força e espírito apático. O último dos Habsburgos no trono espanhol, não era capaz de discernir os interesses do trono e menos ainda de os defender.

O único filho de Filipe IV(o "nosso" III) a sobreviver ao pai, cujo trono, quando da sua morte, e atendendo á sua menoridade é entregue a sua mãe Mariana de Áustria.

Com a sua morte aos 39 anos e obviamente sem descendentes, abriu-se em Espanha um grave conflito europeu, pela sua sucessão.

Para se fazer uma ideia da extensão dos domínios espanhóis na altura refira-se :

Espanha ,Nápoles,Sicília , senhor de quase toda a Itália excepto dos Estados Papais e da Sereníssima República de Veneza , e do império ultramarino castelhano, do México à Patagónia e que incluía Cuba e as Filipinas .
Era Rei de Nápoles e Sicília, rei titular de Jerusalém e Rei da Sardenha e dos Países Baixos, duque de Milão, conde da Borgonha e conde do Charolais.

As guerras da Restauração portuguesa, haviam terminado na época de regência de sua mãe em 1668 .

Em 1 de Novembro de 1700, data de falecimento de Carlos II e por testamento o trono de Espanha, é atribuído a um neto de Luís XIV e de Maria Teresa de Espanha,o duque Filipe de Anjou, filho segundo do delfim francês.

Portugal que havia firmado com a França, antes da morte de Carlos II, um acordo em que se previa inclusivamente a anexação de Badajoz e Alcântara, viria a mudar de estratégia em Maio de 1703.

Mais uma vez, o facto da Inglaterra como seria óbvio imaginar, não aceitar facilmente, uma coroa espanhola-francesa em Espanha, com a Holanda em 1703, decide aliar-se ao Imperador alemão o arquiduque Carlos, que apresentara a sua candidatura ao trono espanhol.

Uma vez "entrincheirados" nesta aliança como seria de prever Filipe V, em 30 de Abril de 1704 declara guerra a Portugal, abrindo-se de imediato hostilidades fronteiriças.

O ponto alto do conflito, segundo a visão portuguesa, foi em 28 de Junho de 1706, quando as tropas da Grande Aliança comandadas pelo Marquês de Minas entram em Madrid, fazendo aclamar o arquiduque Carlos como Carlos III rei de Espanha. Como essa data antecede em 6 meses a morte de D.Pedro II, pode dizer-se que esta guerra no tempo de D.João V, consiste num desfilar de derrotas até ao fim da mesma, consolidada na paz de Utreque em 1712.

segunda-feira, 19 de Março de 2007

Autos-de-fé Os espectáculos preferidos

(auto-de-fé Terreiro do Paço em Lisboa)

Durante o reinado de D.João V, realizaram-se em Lisboa 28 autos-de-fé públicos, em geral cada 2 anos e cerca de 341 particulares.

Não havendo a certeza se o rei esteve presente em todos eles, seguramente esteve na maioria pelo menos dos actos públicos.

D.João V gostava do espectáculo, era talvez o seu favorito, mas saliente-se que essa manifestação de barbárie a nossos olhos, não o seria nesse tempo, é incompreensível mas assim era nesse tempo e ainda durante muito tempo, pois a Inquisição foi extinta gradualmente ao longo do século XVIII, embora só em 1821 se dê a extinção formal em Portugal numa sessão das Cortes Gerais.

A título comparativo, a última pessoa morta pela inquisição espanhola, foi o professor Cayetano Ripoli, garroteado em Valência em 26 de Julho de 1826, só sendo contudo abolida 8 anos mais tarde.

A Inquisição existia através dum tribunal eclesiástico, que perseguia e condenava aqueles que fossem suspeitos de praticar outras religiões. Era também uma instituição avessa à produção cultural assim como se opunha a todas as inovações científicas.

Atitude "reaccionária", diríamos hoje muito justamente.Na verdade, a Igreja receava que as ideias inovadoras conduzissem os crentes à dúvida religiosa e à contestação da autoridade do Papa.A tão controversa infalibilidade que ainda hoje é defendida como dogma da Igreja Católica Apostólica Romana.

D.João V, mesmo na fase terminal da sua doença e dadas as dificuldades de locomoção, nem assim deixava de comparecer, ia de véspera para casa do inquisidor-mor o cardeal da Cunha.

Aliás o clima era de tal modo festivo que se aproveitava a ocasião, para se organizarem jantaradas, que sarcasticamente passava por enormes churrascos, como se o apetite fosse estimulado pelo espectáculo cruel de se assistir a pessoas serem mortas na fogueira.

Muito embora o Papa João Paulo II tenha pedido perdão, pelos erros dos "filhos da igreja" e não da instituição Igreja, como deveria ter dito, minimizou a questão considerando que o homem de hoje tem dificuldade em entender as razões que levaram a Inquisição a ser necessária para a sua época.

sexta-feira, 16 de Março de 2007

Inúmeros interesses científicos


(A passarola de Bartolomeu de Gusmão)

D.João V foi um rei que sempre patenteou uma grande curiosidade científica, como se prova pelas inúmeras encomendas que os seus diplomatas faziam por cumprir de diversos instrumentos científicos como telescópios, barómetros, sextantes, relógios de pêndula, reveladores do seu interesse em desenvolver a astronomia, a matemática, etc.

A astronomia e a matemática elementares foram ensinadas na "Aula da Esfera" durante cerca de século e meio no Colégio de Santo Antão, fundado em Lisboa pela Companhia de Jesus.

Foi neste colégio (hoje o Hospital de S. José), que foi montado o primeiro Observatório Astronómico português.

Desde o princípio el-rei se interessou pelos projectos do padre, jesuíta Bartolomeu de Gusmão que foi, provavelmente, o maior precursor mundial da história da aerostação, ficando célebre, através dos tempos, pela invento da "Passarola".

Muito ridicularizado na época, chamavam-lhe "o americano", porém D.João V sempre o incentivou. recebeu as chaves da quinta do duque de Aveiro em S.Sebastião da Pedreira para ali fabricar o seu engenho.

Financiando igualmente os custos do invento, basicamente em arame e papel


Em 1709 o rei assistiu á primeira prova do invento do "Voador" de alcunha em tom jocoso, não sendo a estreia propriamente um êxito atendendo que ardeu completamente.

Outra versão porém é contada do site do Museu do Ar

No dia 8 de Agosto de 1709, na sala dos embaixadores da Casa da Índia, diante de D. João V, da Rainha, do Núncio Apostólico, Cardeal Conti (depois papa Inocêncio XIII), do Corpo Diplomático e demais membros da corte, Gusmão fez elevar a uns 4 metros de altura um pequeno balão de papel pardo grosso, cheio de ar quente, produzido pelo " fogo material contido numa tigela de barro incrustada na base de um tabuleiro de madeira encerada". Com receio que pegasse fogo aos cortinados, dois criados destruíram o balão, mas a experiência tinha sido coroada de êxito e impressionado vivamente a Coroa.

As experiências sucederam-se com balões de muito maior envergadura e, finalmente, embora não haja provas irrefutáveis sobre o facto, consta que um balão, enorme, provavelmente voado pelo próprio Gusmão, foi lançado na praça de armas do castelo de S. Jorge e depois de percorrer 1 km veio a cair no Terreiro do Paço.

Bartolomeu Lourenço de Gusmão, nasceu em 1685 em Santos, perto de S.Paulo, no Brasil, vindo a morrer com 39 anos em Toledo, indigente e com nome falso.

domingo, 11 de Março de 2007

A biblioteca régia


VIEIRA LUSITANO, 1699-1783 [Alegoria à Academia Real da História]

D.João V gostava imenso de ler e para além disso dedicou especial atenção á biblioteca régia e ao patrocinio da impressão de muitas obras.

Criou bibliotecas no colégio das Necessidades e no convento de Mafra e sobretudo a da Universidade de Coimbra, construída com financiamento régio entre 1716 e 1728.


Sempre acusado de despesista pelos "inúmeros livros que fez imprimir, dentro e fora do reino dos escritores do nosso tempo e dos séculos mais afastados", não pode deixar de se salientar o contributo que nesta matéria deu á causa da cultura.


A biblioteca do paço ficava situada no terceiro andar do palácio real, enriquecida com bons livros e excelente e cuidadoso acondicionamento.

As obras literárias vinham frequentemente do estrangeiro, tendo os seus embaixadores instruções, para enviarem para Lisboa, catálogos sobre venda de livros publicados, bem como instruções para que observassem aspectos de organização, decoração e conteúdos.


Há referência bastantes aos habitos de leitura compulsiva de D.João V, para alguns "enfronhava-se de tal maneira na leitura que por vezes se esquecia de comer, jantando depois das 4 da tarde"

Para sublinhar este facto, por certo exageradamente, disse D.António Caetano de Sousa que D.João V "fazia mais gosto nos livros, do que do ouro e dos diamantes que recebia do Brasil".


Preferia temas de História e de Geografia de Portugal, como forma de saber onde ficavam determinados locais do seu reino, já que visitas apenas fez a provincias mais perto de Lisboa, como Estremadura e Alentejo.


Nos últimos 8 anos da sua vida (1742-1750), substituiu a leitura por ouvir ler, já que a sua doença lhe dificultava os movimentos mais simples como pegar num livro e virar as páginas.


Foi com a Academia Real de História que D.João V mais dinheiro gastou, para edição de obras várias e para a realização de "academias", (reuniões literárias no palácio real).


Esta academia foi uma instituição fundada a 8 de Dezembro de 1720 , com o objectivo de escrever a história de Portugal, teve um curto período de florescimento, entrando, a partir de 1736 , em lenta decadência, até que desapareceu.


Foi percursora da Academia Real das Ciências de Lisboa (hoje Academia das Ciências ), fundada em 1780 , e deixou um importante espólio na sua Colecção dos Documentos e Memórias da Academia Real de História .

É sua herdeira a Academia Portuguesa da História (fundada em 1935 ).

quarta-feira, 7 de Março de 2007

Carlos Seixas-Um compositor


Neste país pródigo em situações caricatas é frequente ouvir nos nossos auditórios, compositores estrangeiros do Barroco de duvidosa qualidade, quando por incúria se não promove devidamente um dos maiores do seu tempo como é o caso de Carlos Seixas.

José António Carlos de Seixas, nascido em Coimbra a 11 de Junho de 1704, , é o maior compositor português para música de tecla do Barroco. A sua obra não se limita só ao cravo — o maior número — e algumas obras para órgão.

Compôs igualmente obras sacras e obras para orquestra — a sinfonia em Si bemol, por exemplo.


Filho de Francisco Vaz, organista da Sé de Coimbra e de Marcelina Nunes. Carlos Seixas substitui o pai aos 14 anos de idade naquele cargo.


Em 1720 muda-se para Lisboa, sendo nomeado organista da Sé, e um pouco mais tarde ascende ao distinto cargo de Vice Mestre da Capela Real, algo notável atendendo a que o Mestre de Capela era Domenico Scarlatti .


Morre apenas com 38 anos, ocupando então o cargo de Mestre da Capela Real: o mais alto cargo na música portuguesa de então.


Compôs belíssimas obras de música sacra, entre as quais se contam o "Ardebat Vicentius" , para a festa de S. Vicente, a Missa em Sol, e um "Te Deum" para duplo coro e orquestra, entretanto desaparecido muito provavelmente com o terramoto de 1755, assim como grande parte das 700 sonatas para instrumento de tecla (umas para cravo e outras para órgão), das quais restam cerca de cem, um concerto para cravo, uma sinfonia em Si, uma abertura em Ré, e um outro concerto para cravo que lhe é atribuído


Discografia recomendada:
- Keitil Haugsand; Norwegian Baroque Orchestra; Concerto para cravo em Lá, Sinfonia em Si bemol, Sonatas para cravo; VirginVeritas.

- Keitil Haugsand; Norwegian Baroque Orchestra; Missa, Dixit Dominus, Tantum Ergo, Sonatas para Órgão; VirginVeritas.

Sites visitados
http://musicantiga.com.sapo.pt/Musicantiga-Carlos_Seixas.htm
http://perusio.com/seixas-300anos

A música em Portugal no seu tempo


(Domenico Scarlatti)

Muitas manifestações musicais aconteceram graças á rainha D.Maria Ana ou por sua iniciativa.

A título de exemplo:
  • 1711 a Fábula de Acis e Galateia, festa “harmónica com violinos,violões, flautas e oboés.
  • 1712 a peça Fábula de Alfeo e Arethusa de Luis Calisto da Costa e Faria.
  • 1713 uma festa de zarzuela intitulada O poder da harmonia

Para além dos excessos “freiráticos”, a nobreza e el-rei em particular, preferiam continuar a frequentar os conventos femininos, em especial o de Odivelas, para ouvir música sacra entre outras distracções.

País cinzento e de poucas diversões na corte portuguesa, a avaliar pela correspondência da jovem nora espanhola para a sua família, sendo excepção diversões pelo Entrudo, como em 1730 foi o da representação da peça D.Quixote.

A primeira ópera de António José da Silva O Judeu foi “Vida do Grande D.Quixote de la Mancha e do gordo Sancho Pança”, que se representou no Teatro do Bairro Alto em Lisboa em Outubro de 1733, na sequência dum semana com várias distracções no paço.

Desde 1732 até ao grande terramoto de 1755, representaram-se cerca de uma centena de óperas, grande parte traduzidas e cantadas em Português tendo chagado a funcionar , ao mesmo tempo, cinco teatros de ópera, incluindo o do Bairro Alto.

Isto revela o interesse que a ópera, nova forma de espectáculo, despertou em Portugal.

D.João V gostava de teatro em especial as organizadas pelos Jesuítas do Colégio de Santo Antão.

Serenatas eram muito frequentes, mas hoje existem muitos libretos, mas quase nenhumas partituras dessa serenatas.

Compositores identificado desse tempo,Carlos Seixas, Scarlatti, o barão de Astorga compositor siciliano, Francisco António de Almeida, organista da patriarcal,
autor das operas La d’Pazienza di Socrate (1733), La Spinabla (1739) e Il Trionfo Amore , e António Teixeira, autor de numerosas músicas de Igreja, que foi o primeiro compositor dramático da língua Portuguesa e um dos casos mais interessantes da história da música nacional, pois escreveu música para sete óperas, com base nos materiais existentes na Biblioteca do Palácio de Vila Viçosa; foram reconstituídas as partituras de Guerras de Alecrim e Mangerona e de As Variedades de Proteu.

A qualidade músical e dramática, impõem António Teixeira como um dos principais compositores dramáticos da primeira metade do século XVIII.

António Almeida e António Teixeira a partir de 1717, foram estudar para Itália, como pensionistas do rei.

(Informação recolhida do site da Academia Musical de Santa Cecília http://www.amsc.com.pt/)

segunda-feira, 5 de Março de 2007

O Convento de Mafra-A construção


As obras iniciaram-se em 1717, ano do lançamento da primeira pedra e a 22 de Outubro de 1730, dia do 41º aniversário do rei, procedeu-se à sagração da basílica.

È o mais significativo monumento do barroco em Portugal, integrando um Paço Real, uma Basílica, um Convento Franciscano e uma importante Biblioteca, síntese do saber enciclopédico do séc. XVIII.

A construção, que chegou a envolver mais de 50 mil homens, só terminou, oficialmente, em 1750, com a morte do rei,embora muitos pormenores só viessem a ser concluídos nos três reinados seguintes.

As dificuldades para manter os trabalhadores foram enormes chegando a ser tomadas medidas drásticas, para castigar os fugitivos.
Os que fossem apanhados teriam de trabalhar 3 meses sem receber pagamento e se fossem reincidentes, esperava-os as galés e açoites.

Acomodaram-se nesta obra as pessoas em casas de madeira que se construíram e foram abatidas depois da obra concluída, numa área superior ao Terreiro do Paço.


Da enorme massa de trabalhadores envolvida, muito adoeceram e morreram, tendo D.João V determinado que ás famílias de cada um dos mortos de desse uma esmola de 3 mil réis, um hábito para ser amortalhado, uma cova e cinco missas por alma.


Foram realmente tempos de trabalhos forçados, muitos homens reduzidos á condição de escravos, obrigados a deixar as suas terras e famílias para trabalharem numa obra, que apenas era do gosto do rei.


Imensos problemas com demoras nos pagamento aos trabalhadores e ajustamento de trabalho com mestres de ofício, fizeram atrasar a obra que afinal não agradava a ninguém para além do próprio rei.


Os religiosos do convento também se queixavam, do sítio onde foi edificado, que nem agradava á família real, que o rei tinha dificuldade em conseguir que o acompanhassem a Mafra. Transferência de festas importantes para Mafra foi outro dos subterfúgios a que D.João V se socorreu para tentar tornar Mafra um local bem querido e importante.

Mesmo com a construção por acabar em 1733 resolveu ali festejar o seu aniversário, que habitualmente se festejava no Paço da Ribeira, o que igualmente havia acontecido no ano anterior, quando em meados de Outubro uma grande tormenta quebrou os vidros do convento, logo o rei mandou para Mafra, oficiais e vidraceiros, para que sob pena de prisão, tivessem tudo pronto na véspera do seu aniversário em 22 de Outubro, nessa altura só os camaristas o acompanharam, permanecendo os demais cortesãos em Lisboa.


Quando o rei adoeceu em 1742, Mafra ainda não estava totalmente concluído, mandando el-rei arrematar a obra por 625.000 cruzados , com um prazo de 8 anos para a sua finalização.


Em 1744 decidiu mandar comprar as quintas e casais num perímetro de 3 léguas em torno do edifício, para fazer uma cerca para os padres do convento e para mandar fazer uma tapada, para onde o príncipe D.José pudesse ir a caça, para "o ver mais vezes naquele sítio".

Parece que o príncipe herdeiro contudo, preferia caçar coelhos na real tapada de Alcântara.

sexta-feira, 2 de Março de 2007

O Convento de Mafra-A promessa

Segundo José Saramago no seu livro "Memorial do convento", que põe na boca de D.João V a seguinte frase

«Prometo, pela minha palavra real, que farei construir um convento de franciscanos na vila de Mafra se a rainha me der um filho no prazo de um ano a contar deste dia em que estamos…»

corroborando esta ideia muito divulgada da promessa real em construir um convento, contra o nascimento de um filho,o que indicia alguma pressa nesse acontecimento.Já casado desde 1708, só em 1711 havia nascido a infanta D.Maria Bárbara, sendo provável que entretanto essa promessa tenha sido feita.

Se a razão da construção foi essa promessa, então começou a ser cumprida um pouco mais tarde, quando lançou a primeira pedra da igreja em Novembro de 1717, para a construção dum convento para capuchos arrábidos.

Se a razão da promessa foi não o nascimento de um filho, mas a cura de uma doença então o prazo de cumprimento do prometido, já é mais aceitável, pois há noticia que el-rei esteve retirado em 1716 em Vila Viçosa, por motivo de doença de cariz melancólico.

Deve ter sido uns anos mais tarde que surgiu a ideia de anexar um palácio, ao que estava destinado a servir apenas para a vida conventual,com um modesto projecto para abrigar 13 frades.

Talvez não se tenha tratado apenas de devoção, a ideia da construção do convento-palácio de Mafra, mas também o desejo de ostentar o seu poder e riqueza, pois o dinheiro do Brasil começou a entrar nos cofres, pelo que D. João e o seu arquitecto, Johann Friedrich Ludwig,iniciaram planos mais ambiciosos.

Representando um enorme esforço quer em dinheiro quer em pessoas."milhares de trabalhadores que vêm de todo o reino para Mafra" lia-se numa gazeta manuscrita em Setembro de 1729.

Construído em pedra lioz da região de Pero Pinheiro e Sintra, o edifício ocupa hoje uma área de cerca de40000 m2, com cerca de 1200 divisões, mais de 4700 portas e janelas, 156 escadarias e 29 pátios e saguões.